ERIKA TAMURA: Okinawa pós-corona

Todos os anos, nessa época, eu tiro uns dias de folga e vou para Okinawa. É ali que eu me revitalizo e recarrego minhas energias para poder seguir em frente.
Esse ano, devido à pandemia, achei que minha viagem para Okinawa seria adiada ou até mesmo cancelada. Porém consegui ir na semana passada, ufa.
Esses últimos meses tenho trabalhado mais do que imaginei, nesses momentos difíceis o trabalho na ONG duplica, ou triplica. Ainda mais agora que, iniciei uma campanha de arrecadação e distribuição de alimentos para os brasileiros em dificuldades, meu telefone não para.
Eu amo esse trabalho, gosto tanto que acabo me envolvendo emocionalmente nos casos atendidos, sofro com as pessoas, e isso estava me desgastando muito. Não conseguia dormir, enfim, fui atrás da viagem para Okinawa e soube que os hotéis estavam trabalhando quase que normalmente. Digo quase, porque existem algumas regras a serem seguidas nessa nova fase da vida.
Pois bem, parti rumo a Okinawa. Uma ilha onde não existe corona vírus. Existiu, mas foram poucos casos confirmados, um número bem baixo e zero mortes.
Na agência de viagens já fui informada que algumas atrações turísticas não estariam funcionando, e que existem novas regras para nos adaptarmos.
A novidade já começou no avião. Estranhei quando fui informada que o vôo estaria cheio, mas entendi o porquê, depois. A disponibilização dos passageiros nas poltronas seguia a regra do distanciamento social, então era uma poltrona ocupada e a do lado desocupada. Então entende-se que o avião estava operando com a metade da sua capacidade.
Uso de máscaras obrigatório durante todo o vôo.
Pousei em Okinawa, no aeroporto de Naha. Já senti a diferença, não somente da temperatura, mas da falta de turistas. Aeroporto vazio.
Segui para o hotel, antes de entrar no saguão, foi preciso passar alcool nas mãos e medir a temperatura corporal. Máscaras obrigatórios no interior do hotel.
Apenas um restaurante do hotel estava funcionando, mesmo assim, com a capacidade bem restrita, pois devido ao distanciamento social, as mesas ficaram mais longe umas das outras.
A praia, um espetáculo à parte, continuava linda, ou então mais linda que o normal, estava totalmente liberada, mas não tinha ninguém… Entendi que, era porque não tinha muitos turistas.
A única diferença é que não havia mais brincadeiras para as crianças, nem os passeios típicos de jet ski, nem a agitação típica dessa época do ano em Okinawa. Em outras épocas, o hotel estaria “bombando”!
Quanta diferença não é? Mas confesso que para mim foi ótimo! Eu queria descansar e ver aquele mar azul. Satisfeita com essa paisagem e com a energia que Okinawa me proporciona.
Mas no fundo, me entristeci por aquelas pessoas que dependem do turismo para viver. O povo de Okinawa é tão hospitaleiro, simpáticos, que as vezes até me sinto no Brasil.
E percebi que, mesmo com todos os problemas causados pela pandemia, o povo de Okinawa não perdeu a sua essência. A sua simpatia e amor por essa terra está nas veias, e é tão inspirador!
Talvez esse seja o segredo para erradicar o vírus. O amor por suas raízes, o respeito pelo lugar em que vive, a vontade de fazer o que é certo para que nada de ruim chegue lá. Existe sabedoria em cada atitude nessa terra.
Sempre digo que, Deus é brasileiro, mas ele passa as férias em Okinawa!

Comentários
Loading...