ERIKA TAMURA: Meu 23º Natal no Japão

Por incrível que pareça, estamos às vésperas do Natal novamente!
E como o tempo passa rápido, não é mesmo? Parece uma frase clichê, mas é a pura verdade.
Esse ano é o meu vigésimo terceiro Natal no Japão. Olhando para trás, nem eu acredito que já se passou tanto tempo assim… Afinal, vim para o Japão para ficar dois anos!
A vida se encarregou de mudar os meus planos, de me dar novos objetivos, criar meus filhos e encaminhá-los para o futuro. E aqui estou, ainda no Japão. Mudei, claro! Não sou mais a mesma, de ontem para hoje já me reinventei, que dirá em 23 anos…
Natal no Japão, para mim, é algo triste. Entendo que para muitos é uma data festiva, comemorativa, e assim deveria ser para mim também, mas o fato de estar longe da minha família, já me tira o ânimo.
O Japão não é um país cristão, então para os japoneses, Natal nada mais é do que uma data comercial. Aliás, muito comercial! O verdadeiro significado, que é o nascimento de Jesus, se perde no meio do capitalismo japonês. Mas não os culpo… Afinal incorporam várias festividades ocidentais em seus calendários, onde o que percebo, é o intuito de movimentar o comércio mesmo.
Como disse, o Japão não é um país cristão, não têm a obrigação de saber e sentir o real significado do Natal, por isso o Natal é uma data como outra qualquer, não é feriado, não há ceia, nem comemoração. No máximo, compram um bolinho (para os japoneses comemorar o Natal é comer bolo), repartem e comem com a família.
Para mim, que sou brasileira, Natal significa muito mais que um bolinho, existe uma nostalgia familiar. A lembrança de enfeitar a casa da minha avó, os preparativos, a casa cheia, muita música e alegria. São momentos que não voltarão mais. E não é porque estou no Japão, e sim porque a família não se reúne mais como antes, depois que os avós morrem, é cada um para um canto.
Enfim, quando chega essa época do ano, a minha única vontade é estar com meus pais, meus filhos, meu irmão. E com essa pandemia, esse sentimento tem ficado cada vez mais evidente, mesmo quando não é Natal, por exemplo: todos os dias!
Enquanto meus filhos estavam morando aqui no Japão, nunca deixei passar em branco o Natal, e sempre ressaltei que o mais importante não era o presente do Papai Noel, e sim, comemorar o nascimento de Jesus! Acho que eles entenderam…

Feliz Natal à todos!

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