ERIKA TAMURA: Léo Silva, jogador do Kashima Antlers

Quem é fã de futebol já ouviu falar alguma vez na vida, do Kashima Antlers.
Time de futebol, da cidade de Kashima em Ibaraki. Conhecido como “time do Zico”.
Impossível não falar em J-League e não lembrar do Kashima, pelos seus títulos, suas conquistas e mais ainda por seus muitos jogadores brasileiros.
Um desses jogadores, é o Léo Silva. Brasileiro, atuante em todas as partidas e gente boa demais!
Foi através do Léo Silva, aliás, que consegui assistir a duas partidas do Kashima Antlers, pois os ingressos são disputadíssimos, e mesmo morando em Ibaraki por 17 anos, nunca consegui ir ao jogo.
Léo Silva, conseguiu um feito que preciso comentar e enaltecer, chegou e passou o número de 200 jogos na J-League, a disputada liga japonesa de futebol. Com esse número já entrou para a história do futebol no Japão!
Infelizmente, vivemos novos tempos, devido à pandemia, os jogos sofreram algumas alterações em suas realizações.
Semana retrasada, fui ao jogo do Kashima Antlers. Eu havia pedido o ingresso para o Léo, que prontamente me disponibilizou.
Mas com o aumento no número de casos de pessoas infectadas com o Covid, o público no estádio tem número limitado: 5 mil pessoas por jogo.
No meio do trâmite de pedir e receber o ingresso, recebi a notícia do falecimento do meu avô no Brasil. (Não foi Covid, ele foi diagnosticado com câncer).
Fiquei mega triste, os dias demoravam a passar, aliás, eu nem sabia em que dia se encontrava… Decidi cancelar a ida ao estádio, mas meu marido falou me convenceu ao contrário, afinal, eu amo futebol, meu avô que faleceu amava futebol também, e com certeza ele iria me incentivar a ir ao estádio, e para a minha surpresa maior, o time que jogaria contra o Kashima é da província de Saga, onde meu avô nasceu! Só poderia ser mais um sinal, para que eu fosse ao estádio.
Eu fui, mas estranhei, me deparei com um cenário diferente com o qual estava acostumada nos estádios, um silêncio total. Devido à pandemia, temos que ficar o tempo todo de máscara, não pode levar bandeira, não pode gritar, não pode falar, não pode torcer… Apenas bater palmas. Sem contar as cadeiras, tinham um espaço de duas cadeiras entre as pessoas, e as fileiras eram uma sim e uma não.
Me senti no jogo de tênis, onde só se escutam os aplausos no decorrer do jogo.
Eu conseguia escutar claramente tudo o que os jogadores falavam em campo, de tão silencioso que estava.
Enfim, uma experiência nova, que jamais imaginei que veria e viveria. Essa pandemia tem trazido novas alternativas para que tudo se encaixe no “novo normal”.
Voltando ao Léo Silva, mesmo com toda as restrições, e mesmo com esse “novo normal”, os japoneses conseguiram prestar uma homenagem ao jogador, pelos 200 jogos na J-League. São 12 anos no Japão, fazendo uma história incrível, levando o nome do Brasil em seu coração, e deixando todos nós orgulhosos.
Esse ano, a comunidade brasileira no Japão, completa 30 anos. E esse é um dos motivos que temos que enaltecer histórias como a do Léo Silva.
Quantos jogadores brasileiros passam pela liga de futebol japonesa? Vários! Mas poucos conseguem ir além! E esse ir além é de se admirar demais, ainda mais sabendo que a cultura japonesa é bem fechada por natureza. O fato dos japoneses abrirem uma porta para o futebol, já é uma evolução! E ainda ter um jogador como o Léo, completando 200 jogos, e ainda tendo o reconhecimento dos japoneses, realmente, não é para qualquer um.
Todos deveriam um dia, ter a oportunidade de conversarem com o Léo Silva, um jogador que acima de tudo é um ser humano de uma humildade sem tamanho, mesmo com todo o sucesso no Japão.

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