ERIKA TAMURA: Estado de emergência no Japão

Na terça feira, dia 7 de abril, o primeiro ministro do Japão, declarou estado de emergência em sete províncias do Japão. Sendo elas: Tóquio, Saitama, Chiba, Kanagawa, Osaka, Hyogo e Fukuoka.
As sete províncias são as que apresentam, até o momento, o maior número de infectados pelo Covid 19.
Eu moro em Kanagawa e trabalho em Tóquio, meu irmão mora em Osaka, portanto estamos no meio do olho do furacão. O que isso muda em nossas vidas? Quase nada!
O estado de emergência não é quarentena, a diferença foi bem ressaltada pelo Shinzo Abe, primeiro ministro do Japão, em seu pronunciamento. Abe diz que, ninguém está proibido sair de casa, mas a recomendação é que só saia em caso essencial, bem como o trabalho, quem precisa ir ao trabalho, poderá ir.
O transporte público não parou e nem irá parar, mercados, hospitais e farmácias continuaram a funcionar, talvez com horário reduzido, por isso não há motivos para pânico.
O primeiro ministro repetiu por várias vezes o alerta para que se evite os 3 “Mi”: Mippei, Mishu e Missetsu, que significa: evitar os ambientes fechados e abafados, evitar as aglomerações de pessoas e evitar o diálogo próximo com outra pessoa.
No meu cotidiano, o que percebi que mudou é que os shoppings centers estão fechados, assim como cinemas e teatros, eventos foram cancelados, a maioria dos restaurantes também estão fechados.
A medida adotada irá durar um mês, portanto até o dia 6 de maio, mas caso o número de infectados não diminua, a medida poderá ser prorrogada para mais um mês.
As aulas escolares foram suspensas também, mas Abe deixou a cargo da secretaria de educação de cada cidade para que decidam o que for melhor para os alunos de cada localidade.
O que me chamou a atenção é a segurança que o primeiro ministro Abe me passa em seu discurso. Nunca escondi a minha admiração por ele, e em cada momento crítico do Japão, minha admiração aumenta, pois ele tem cuidado dos detalhes com muita seriedade, claro que comete erros, mas percebo em suas atitudes a sua preocupação com o país. Eu, como estrangeira, sinto-me segura. Pois a oposição mostrou-se contra a abertura de subsídios para os estrangeiros no Japão, nesse momento difícil, onde a equipe do Abe se pronunciou convictamente que, independentemente de ser estrangeiro, são seres humanos como os japoneses (e pagadores de impostos, claro!)
Quando comecei a ler para entender essa declaração sobre o estado de emergência no Japão, me perguntava: Por que o governo japonês irá declarar o estado de emergência se nada irá mudar radicalmente? Mas vendo a declaração da governadora de Tóquio, e o pronunciamento do primeiro ministro, entendi que tal medida é ncessária pois garante ao governo o direito de uso de propriedades privadas como hospitais emergenciais, e ainda priorizam a compra e o transporte de equipamentos e instrumentos de saúde pelo governo. Pode parecer besteira, mas essas ações no momento de uma epidemia, faz toda a diferença, pois o ganha-se tempo de ação, encurtando os trâmites burocráticos, por exemplo.
Estamos vivendo momentos difíceis, mas vai dar tudo certo!

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