ERIKA TAMURA: Campanha solidária

Iniciamos pelo Conselho de cidadãos de Tóquio, na qual sou conselheira, uma campanha de arrecadação de alimentos para ajudar os brasileiros que passam por dificuldades financeiras neste momento.
A campanha está indo bem, pois com a ajuda de muitas pessoas, temos conseguido arrecadar e ajudar muitas famílias, mas o que me entristece é essa situação.
Os brasileiros, eu me incluo nessa também, saem do Brasil, dispostos a atravessar o mundo em busca de sonhos. Eu disse sonhos, e não objetivos. Durante a batalha do dia a dia no Japão, os sonhos mudam, a vida toma outro percurso, e nisso fica tudo muito bagunçado, tanto psicologicamente como emocionalmente.
E vejo a cada crise, brasileiros passando por situações difíceis, e que se pararmos para pensar, é uma situação que já se arrastava antes mesmo da ocorrência de uma crise, a crise foi só um agravante ou um acelerador dos fatos.
Pois bem, voltemos para trás. Bem lá atrás, quando chegamos no Japão, e nos demos conta de onde estávamos. Qual era o seu sonho mesmo? Por que ele se perdeu?
E agora, vivemos uma pandemia. Que difícil não é mesmo? Pois agora não podemos nem contar com a ideia de se recorrer ao nosso porto seguro, o retorno ao Brasil. Não temos muitas opções de vôo, e a situação no Brasil não é das melhores. Então o que fazer?
Não temos ainda um quadro eminente de crise econômica no Japão, mas temos o receio de que se chegue a uma, já passamos por tantas dificuldades por aqui, que só a ideia de que tudo pode piorar, nos dá uma sensação de insegurança tremenda.
A campanha solidária que demos início é só um pontapé inicial, e não precisamos necessariamente doarmos alimentos. Foi uma forma de demonstrar que estamos todos juntos, lado a lado, e mesmo que não esteja necessariamente passando por uma situação de dificuldade, sempre teremos um abraço para dar, um ombro para chorar, uma palavra amiga, uma forma de se confortar os nossos patrícios.
Arrecadar alimentos, é tão somente um símbolo para mostrar que podemos compartilhar amor no momento difícil. Podemos ter empatia e ser solidários até mesmo com quem não conhecemos.
E posso garantir que tudo isso tem mexido muito comigo. Desde manhã até de noite, são horas trabalhando para que cada pedido de ajuda seja atendido, e leve não somente alimentos e sim, um abraço amigo e um carinho.

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