ERIKA TAMURA: Aumento no número de suicídios no Japão

Comecei o dia hoje com uma notícia nada boa: Japão registra 1.800 suicídios no mês de setembro.
Faz algumas semanas que o meu sensor de alerta ligou, pois infelizmente, na ONG onde eu trabalho, o número de procura no atendimento psicológico aumentou muito, e percebemos também um aumento de terapias e consultas que envolvem exatamente este assunto.
Especialistas japoneses, segunda a mídia local, tem relacionado esse aumento com a pandemia. Com certeza acho que tem uma ligação, mas não é um ato totalmente impensado que foi motivado em um impulso. Muitas vezes, é consequência de problemas que vêm se arrastando há tempos, e com a pandemia isso só se agravou.
Todo cuidado na hora de se falar em suicídio, é pouco. Afinal temos especialistas que defendem que, a abordagem do tema pode servir de gatilho para as pessoas que já estão psicologicamente abaladas. Porém, no decorrer dessa semana, tenho pensado que a abordagem se faz necessária neste momento.
Tão delicado falar deste assunto, ainda mais agora, onde todos encontram-se tensos e com várias indagações e incertezas na cabeça, não é mesmo?
O Japão e o Brasil, culturalmente falando, são países com pontos de vista diferentes para este mesmo assunto. O Japão é um país que passou por várias guerras, e quem é que não se lembra dos kamikazes? Pois então, para o Japão, muitas vezes o suicídio está relacionado com a honra. E no Brasil, é relacionado com fracasso.
Nós brasileiros, sempre tivemos uma vida difícil, politicamente e economicamente falando, por esse motivo, acho que sempre lutamos para “sobreviver”. Valorizamos muito a vida, portanto a palavra suicídio não pertence muito ao convívio cultural brasileiro. Mas quando percebemos que o número de abordagem para este tema tem aumentado, é a hora de atentarmos para um sinal de alerta. Opa! Algo está acontecendo…
O mais devastador é trabalhar com isso sem ficar abalado! É uma luta diária!
E envolve muita coisa e pessoas, a família fica destruída, os sentimentos afloram-se da maneira mais cruel, como lidar com tudo isso?
Nesta fase da minha vida, estou aprendendo a lidar com situações desafiadoras. A cada dia me surpreendo com a minha evolução, pois a cada caso que chega até mim, tem toda a minha dedicação, e com certeza depois de solucionado, já não sou mais a mesma. Afinal, cada experiência leva um pouco do meu coração e deixa marcas que carrego na minha bagagem da vida.

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