ERIKA TAMURA: A saga do Dr. Olavo do Japão para o Brasil

Quem me conhece, sabe que trabalho em uma ONG, que presta assistência aos brasileiros que vivem no Japão. Prestamos assistência nas mais variadas áreas (psicológicas, médicas, jurídicas, educacionais…), e para atender uma demanda, temos trabalhado com o traslado de pacientes brasileiros, em estado grave, para o Brasil. Para isso, contamos com a ajuda voluntária de uma pessoa primordial: Dr. Olavo Ribeiro Rodrigues, médico pneumologista em Mogi das Cruzes.
Já escrevi sobre o trabalho do Dr. Olavo em um artigo, um tempo atrás. Costumo me referir ao Dr. Olavo como uma daquelas pessoas enviadas por Deus para fazer o bem na terra.
Pois então, relatarei a última saga, que é digna de um capítulo de livro.
Recebemos na ONG, um pedido de ajuda para trasladar um paciente que há 10 anos estava tetraplégico, vítima de AVC. O problema maior era a falta de recursos financeiros, então, realizamos uma campanha de arrecadação de fundos, no intuito de podermos comprar a passagem na classe executiva para que o paciente possa retornar ao Brasil. O nome do paciente, bem como da sua companheira, e os motivos que levaram-os a essa decisão, deixarei em sigilo, para resguardar a privacidade familiar.
Arrecadado o dinheiro, conseguimos finalmente, marcar as datas e comprar as passagens, portanto Dr. Olavo veio ao Japão, acompanhado de uma enfermeira, para dar início ao procedimento de retorno do paciente. Nesse meio tempo, surgiu o caso de outro paciente que, após sofrer um derrame, estava acamado e sozinho no Japão, a sua família no Brasil, pediu pelo seu retorno.
Ótimo! Poderemos realizar o traslado de dois pacientes em uma única vez, o que já facilita financeiramente a viabilização da viagem, diminuindo os custos de despesas. Pensamos assim, até deparamos com os empecilhos burocráticos. A falta de apoio para conseguirmos uma ambulância para levarmos os pacientes até o aeroporto foi o primeiro empecilho, facilmente resolvido, após o pagamento com dinheiro doado pela comunidade. Ok.
Depois, soubemos que o jato com UTI móvel que o Dr. Olavo conseguiu no Brasil, para levar o paciente de São Paulo ao Paraná, se recusava a prestar o serviço sem o exame do coronavírus. Começou a corrida contra o tempo para a realização desse exame, no qual todos os hospitais e clínicas do Japão se recusaram a fazer pois os pacientes não apresentavam sintomas, portanto não foi considerado emergencial. Enfim, ficou combinado que o exame seria feito em São Paulo, logo após o desembarque.
Todos embarcaram! Ufa! Estávamos aliviados e nos sentindo realizados, porém, cedo demais para isso! O grupo desceu na Alemanha para a conexão e foi impedido de prosseguir viagem pela empresa aérea. O motivo: um passageiro da classe executiva reclamou em viajar juntamente com os pacientes.
A empresa aérea deslocou o grupo para um hotel, e exigia um pagamento exorbitante para que a viagem ao Brasil fosse realizada. Aí começou a correria sem fim, dias e noites sem dormir, ligações do Dr. Olavo para nós no Japão, liga para a agência, liga para consulado, fala com os amigos e familiares dos pacientes, enfim, o caos e o desespero tomou conta da situação. A empresa aérea alemã continuava irredutível e indisposta a qualquer negociação. A solução mais viável encontrada foi, comprar novas passagens por outra companhia aérea, mas para isso faltava dinheiro…
Os familiares totalmente desesperados, e nós também!
Enquanto isso, o consulado do Brasil no Japão (Nagóia) e na Alemanha, tentavam todos os recursos para solucionarem o problema. Foi quando a empresa aérea alemã autorizou a viagem de todos ao Brasil, sem nenhum custo! Como? O que aconteceu?
Aconteceu que, os cônsules brasileiros no Japão (Nagoia) e na Alemanha, pessoalmente, conseguiram resolver a situação, de forma política.
E agora, passado o sufoco, tudo reina bem! E voltamos a respirar… Podemos comemorar o sucesso do trabalho.
Muito obrigada à todos que nos ajudaram, principalmente ao Dr. Olavo, que conseguiu resolver a situação.
Vamos para o próximo trabalho…

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