ERIKA TAMURA: A renúncia do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe

Confesso que fui pega de surpresa quando começou a especulação sobre a renúncia do primeiro ministro japonês, Shinzo Abe. Torci para que a sua saúde fosse brevemente restabelecida para que ele pudesse continuar com a sua missão. Mas, essa semana, Abe fez o pronunciamento onde renunciou ao cargo.
Fiquei triste sim, pois apesar de ser estrangeira e não ter direito de votar, eu vivo no Japão há 23 anos, e sou muito interessada na política nacional, e sei muito bem que, Abe foi um excelente premiê para o Japão, e também ajudou muito os estrangeiros que vivem aqui.
Se hoje, temos direitos assegurados no Japão, devemos isso ao Abe, que sempre lutou para que os estrangeiros tivessem direitos iguais, desde que os deveres fossem cumpridos.
Shinzo Abe é descendente de políticos poderosos e que fazem parte da história do Japão. Seu tataravô foi general no exército imperial, seu avô foi deputado em 1937 até 1946, seu pai foi ministro das relações exteriores entre 1982 a 1986. Sem contar que, a mãe de Shinzo Abe é filha do Nobusuke Kishi, que em 1957 até 1960, foi o primeiro ministro do Japão.
Como vimos, a política está no DNA de Shinzo Abe.
Para os brasileiros, podemos refrescar a nossa memória com um fato recente e marcante: o encerramento das olimpíadas no Rio de Janeiro em 2016. Quem não se lembra do Abe, chegando ao estádio por um cano e vestido de Mario? Aquilo foi sen-sa-cio-nal!!
Então, vamos colocar o dedo na ferida agora, Abe havia planejado ao longo desses anos, encerrar o seu mandato com chave de ouro: encerram-se os jogos olímpicos, e missão cumprida! Mas, no meio de tudo isso apareceu uma tal de pandemia, e acabou com todos os planos de felicidade do Abe, e pior, bagunçou tudo! Foi problema atrás de problema…
O primeiro ministro que tomou várias iniciativas econômicas para alavancar a economia do Japão, iniciativas essas que deu o nome de “abenomics”, também se viu obrigado a tomar a frente de iniciativas durante a pandemia, não somente econômicas mas em todos os âmbitos. Surgiu até a máscara abenomasku (máscara do Bae, que ele distribuiu para toda a população).
Abe desculpou-se em público, pela demora em tomar uma decisão mais enérgica para conter a pandemia. E juntamente com a preocupação da saúde pública, vinha a preocupação com a economia do Japão.
Pressionado por todos os lados, Abe adoeceu. Desenvolveu uma colite ulcerosa, consequência de estresse e falta de descanso. E mesmo doente, no hospital, ele dizia ao médico que não poderia parar, pois o país precisa dele.
O médico de Abe foi enfático em dizer que o seu estado de saúde era preocupante, Abe então optou pela renúncia. E fez um discurso lindo e emocionante durante o seu pronunciamento, onde ele dizia que, o momento exige que o Japão tenha um líder para tomadas de decisões sábias, e que ele, neste momento não poderia atender à demanda do país. Abe disse ainda que, sente-se profundamente triste, pois os seus problemas de saúde podem prejudicá-lo nas decisões políticas, portanto, para o bem do Japão, ele prefere a renúncia do cargo.
Visivelmente emocionado, porém firme, encerrou-se o pronunciamento.
Abe continua no cargo até que o seu substituto seja escolhido.
Sinceramente, depois do Koizumi, o Abe para mim, foi o melhor ministro que o Japão já possuiu. (opinião pessoal, ok?)
Estou na torcida de dois políticos, mas que será tema de outro artigo, senão irei me alongar demais.
Torcendo! Já que não posso votar, e minha opinião de nada vale…

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