ERIKA TAMURA: A morte de Haruma Miura

Haruma Miura era um ator de muito sucesso no Japão. Jovem (30 anos), bonito, trabalhando, com uma carreira premiada no cinema nacional, foi encontrado morto em seu apartamento em Tóquio, em uma cena de suicídio.
Os colegas de trabalho desconfiaram quando Haruma não apareceu para a gravação de um programa e decidiram ir até o seu apartamento, chegando lá o encontraram pendurado pelo pescoço e inconsciente. Mesmo com a chegada do socorro, a sua morte foi constatada.
Depois de ler essa notícia, fiquei pensativa o dia todo. E a pergunta que não saía da minha cabeça no momento era: O que está acontecendo com o mundo?
Essa pandemia está gerando gatilhos para muitos transtornos, mas não é culpa somente da pandemia. A maioria das pessoas que se mostram verdadeiramente desorientadas e desamparadas agora, já vinham de alguma situação ruim anteriormente, e que foi se arrastando até que veio a pandemia, e a coisa estourou de vez.
Percebo isso no meu trabalho, onde os psicólogos têm trabalhado intensamente, eu tenho trabalhado intensamente, o setor de assistência do consulado tem trabalhado intensamente, tudo isso porque a demanda de problemas têm aumentado absurdamente.
Quem é que sabe sobre o que as pessoas têm passado em suas vidas no dia a dia? O que esse ator deveria estar passando para chegar ao ponto de cometer suicídio? Ninguém sabe…
E com a quarentena, pandemia, doenças, medos, ansiedades, internet, parece que estamos criando pessoas agressivas e revoltadas. Chegando ao ponto da pessoa que passa por necessidade, reclamar da doação recebida.
Não é fácil trabalhar com a assistência aos brasileiros, ainda mais no Japão, um país frio e que a solidariedade não faz parte do cotidiano dos japoneses.
Imagina trabalhar em uma campanha de arrecadação e distribuição de alimentos, e quando a pessoa recebe a doação ainda reclama do que recebeu, sendo que até então a pessoa não tinha nada para comer… Complicado!
Mas o mundo mudou, e ainda está em processo de mudança. Pegando a pandemia da gripe espanhola há 100 anos atrás,como exemplo, podemos perceber que, somente os fortes sobreviveram. Portanto, vamos trabalhar o fortalecimento agora, mas tem que ser mais um fortalecimento emocional do que físico, algo que venha de dentro para fora! Como dizia Darwin, não é o mais forte que sobrevive às mudanças, e sim o que melhor se adaptar. E o Japão tem tentado o “novo normal”.
Voltando ao caso do Haruma Miura, nunca iremos entender os motivos que levaram a isso. Esse episódio me fez lembrar o caso do Hide do X-Japan, também cometeu suicídio, e na época, eu tinha acabado de chegar ao Brasil, e gostava da banda X-Japan, e confesso que fiquei abalada.
Recentemente vi a entrevista do Yoshiki, líder da banda X-Japan, e mesmo depois de 22 anos da morte de Hide, ele ainda se mostrou uma pessoa abalada. Tanto é que durante a entrevista ele comenta que haverá sequelas psicológicas para o resto da vida.
Porque o suicídio não envolve apenas a pessoa que morreu, envolve toda a sua família em volta, seus amigos, seu círculo fica vazio, e aquele sentimento de culpa também aflige quem fica. “O que eu fiz de errado?” ou “O que eu poderia ter feito para ter evitado essa tragédia?”, são os pensamentos martirizantes. Chegando a enlouquecer, como disse o Yoshiki.
Vamos cuidar da nossa saúde mental! A saúde física é importante, ainda mais nesse momento, mas se não tivermos saúde mental e discernimento espiritual, nada adianta.

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