ENTREVISTA: “Não podemos deixar a peteca cair”, diz Toshio Ichikawa

Praça de Alimentação do Festival do Japão – Arquivo

Toshio Ichikawa assume a presidência do Kenren num momento conturbado e com previsões nada animadoras para o futuro. “Penso que, seguir o ensinamento da escrita Japonesa sobre CRISE, problema – oportunidade, traz certa tranquilidade na análise do cenário e permite aproveitar as oportunidades para repensar e criar soluções até então esquecidas ou não aproveitadas”, diz Ichikawa, que esteve à frente do maior festival de cultura japonesa do mundo em três edições e no ano passado atuou como conselheiro.
Com o Festival do Japão adiado para 2021, Toshio Ichikawa explica que cabe à Diretoria e membros dos Kenjinkais planejar algumas atividades de manutenção dos ânimos para “não deixar a peteca cair com o risco de arrefecer os ânimos dos voluntários, das entidades e dos próprios Kenjinkais”. “É mais um desafio para os membros da Diretoria”, destaca Ichikawa.
Confira entrevista concedida ao Jornal Nippak:

Jornal Nippak: Como é assumir a presidência do Kenren num momento tão delicado como o que o mundo atravessa, com a questão do Coronavírus e, em particular, com o adiamento do Festival do Japão?
Toshio Ichikawa: Penso que, seguir o ensinamento da escrita Japonesa sobre CRISE, problema – oportunidade, traz certa tranquilidade na análise do cenário e permite aproveitar as oportunidades para repensar e criar soluções até então esquecidas ou não aproveitadas. O momento com Covid-19, temos preocupações pessoais quanto à prevenção/quarentena/contágio e no planejamento da vida, porque ela continua. Liderar a Diretoria, composta de membros experientes e capazes, dispostas a realizar algo em prol da comunidade nikkei, é um desafio, mas também é uma satisfação. Temos uma proposta apresentada pela chapa “(Kenjinkais + Kenren) Juntos! para o futuro” (pela primeira vez na história), que carrega uma forte mensagem do caminho que queremos trilhar. Quanto ao adiamento do 23ºFJ para 2021, no momento é uma dificuldade a superar, que iremos trabalhar da melhor forma, minimizando eventuais danos aos patrocinadores, apoiadores, expositores, voluntários e ao Kenren. Não será uma tarefa fácil, mas encontraremos uma solução de equilíbrio que deverá satisfazer todas as partes envolvidas. Nos próximos meses teremos as restrições impostas pelo Covid-19, que impedirão as realizações de reuniões necessárias para a solução.

Jornal Nippak: Em entrevista ao Jornal Nippak, o presidente do Comitê Executivo do Festival do Japão 2020, José Taniguti, ventilou a possibilidade de a edição de 2021 ser realizada em outro mês – como junho ou agosto. Vocês trabalham com essa possibilidade ou não abrem mão de julho?
Toshio Ichikawa: Quanto ao 23ºFJ em 2021, Kenren já tem uma proposta da São Paulo Expo, condicionadas às condições comerciais e de disponibilidade de área. Deveremos analisar essa proposta, avaliando as consequências positivas e negativas, e decidiremos em breve.

Jornal Nippak: Ainda sobre o adiamento do Festival do Japão, o Kenren já havia pago à GL eventis, grupo francês que administra o São Paulo Expo, cerca de R$ 1.100.000,00. Isso será um problema para a nova Diretoria?
Toshio Ichikawa: O Festival do Japão é um projeto muito caro, que requer capital de giro bastante alto, e um controle orçamentário profissional. Caixa será sempre uma preocupação e foco de controle. O contrato de aluguel do espaço deveremos cumprir os pagamentos, apesar de caso fortuito do Covid-19 que suspende temporariamente a execução, mas tudo isso são pontos a serem negociados entre as Partes, de forma equilibrada e satisfatória.

Jornal Nippak: Como vocês negociaram o adiamento com os kenjinkais e os patrocinadores?
Toshio Ichikawa: Quanto ao dimensionamento material das consequências do adiamento não é tão simples, porque temos diversas entidades envolvidas, algumas querem rescisão de contrato e outras têm dificuldades de garantir sua participação no evento de 2021. Há necessidade de se negociar, deixando de lado o fator emocional deste momento e encontrar uma solução de equilíbrio. O momento é difícil devido as restrições de isolamento social, o que nos impede de diálogo pessoal.

Jornal Nippak: Uma de suas características é saber motivar e tentar extrair o máximo de cada voluntário/colaborador. Como você pretende implantar essa filosofia no Kenren?
Toshio Ichikawa: Para facilitar os diálogos com os Kenjinkais, as entidades oficiais do governo japonês, em relação aos governos das províncias, os jovens, apresentamos nas quatro propostas, o que a nova Diretoria do Kenren deseja promover. Assim, esperamos mostrar o caminho que a Diretoria do Kenren quer trilhar JUNTOS! para o desenvolvimento da sociedade nikkei, independentemente das gerações.

Jornal Nippak: Para finalizar, o senhor acha que o adiamento pode “arrefecer” os ânimos dos voluntários? O que fazer para que isso não aconteça?
Toshio Ichikawa: Com o adiamento do 23ºFJ para 2021, não podemos “deixar cair a peteca” com o risco de arrefecer os ânimos dos voluntários, das entidades, dos Kenjinkais etc., e criar dificuldades na retomada das atividades. Com certeza, cabe a Diretoria e membros dos Kenjinkais planejar algumas atividades de manutenção dos ânimos. É mais um desafio para os membros da Diretoria.

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