ELEIÇÕES 2020/SÃO PAULO: Reeleitos, vereadores nikkeis priorizam ações contra a covid-19, retomada da economia e Plano Diretor

Três dos quatro vereadores nikkeis que buscavam a reeleição à Câmara Municipal de São Paulo nas eleições deste domingo (15) tiveram êxito nas urnas: Aurélio Nomura (PSDB), George Hato e Rodrigo Hayashi Goulart (PSD) – somente o vereador Ota (PSB) não conseguiu se reeleger.
Com 25.599 votos, George Hato foi o segundo mais votado do MDB – ficou atrás do Delegado Palumbo, que obteve 118.395 e à frente de Marcelo Messias (23.006) – e o 35º entre os 55 eleitos. Em 2016, George teve 26.104 votos.

George Hato

Em sua primeira eleição sem o pai, o deputado estadual Jooji Hato, George disse ao Jornal Nippak que sua votação não foi maior por causa da pandemia do novo coronavírus. “Muitos eleitores idosos que votavam no meu pai e continuaram votando em mim não foram votar porque os filhos não deixaram”, disse ele, acrescentando que seu pai esteve presente “olhando lá de cima” e “me orientou em todas as decisões”.
Para ele, as eleições municipais deste domingo (15) deixaram um recado muito claro nas urnas, “que devemos nos adaptar à nova era e à tecnologia”. “Mas, no meu ponto de vista, o mais importante é que sempre falei a verdade. Não usei meu tempo de campanha para atacar ninguém. Aliás, nem tenho formação de caráter para isso”, diz Hato, lembrando que sofreu preconceito por apoiar o skate, uma de suas bandeiras dentro do esporte.

Aurélio Nomura

Eleito para o seu sétimo mandato, Aurélio Nomura conta que o número de abstenções, que atingiu 26,29% – ou 2,6 milhões de eleitores que deixaram de votar – já era esperado. “Muita gente preferiu mesmo se preservar. Se você somar o número de votos brancos (9,09%) e nulos (10, 40%) terá então praticamente metade dos eleitores. Para se ter uma ideia, o quociente eleitoral nessa eleição foi de 95 mil e na anterior foi de 140 mil”, disse Nomura, que no pleito do último dia 15 obteve 25.316 votos contra 41.954 em 2016.

Radicalização – Para ele, estas eleições municipais mostraram uma radicalização da esquerda e uma diminuição do PT “bastante sensível”. “O que está claro é que precisamos fazer uma reforma política o mais rápido possível. Tem sempre alguém em uma das extremidades e isto não é muito bom para o eleitor, que acaba votando no candidato mais próximo daquele que gostaria de eleger. O que nós precisamos é de uma carta de princípios – que já existe no caso dos prefeitos – que deve ser colocada à mesa. Até porque com o voto distrital misto a eleição se torna mais atraente para eleitor, com um representante por distrito ou região, o que acabaria com esse número astronômico de candidatos que temos hoje e que só confunde os eleitores”, diz Nomura, destacando que no próximo mandato que começa no dia 1º de janeiro pretende focar em três ações principais.

Plano Diretor, covid, economia – Uma delas é a revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE), lei municipal que orienta o desenvolvimento e o crescimento do município até 2030, composta por um conjunto de diretrizes que impacta a vida dos cidadãos. A segunda ação que Aurélio Nomura considera urgente é “ficar atento a uma possível segunda onda de Covid-19 em São Paulo e a terceira é trabalhar para reativar a economia na cidade de São Paulo. “A ideia é criarmos estruturas para que surjam novos empreendedores para geração de novos empregos”, concluiu Aurélio Nomura, explicando que a próxima gestão terá que enfrentar uma redução no orçamento, “apesar de um aquecimento recente na área imobiliária”. “Mas não sabemos até quando vamos ter fôlego”, avisa Aurélio Nomura.

Rodrigo Hayashi Goulart

Sinalização – Com 31.472 votos, Rodrigo Hayashi Goulart foi o 22º vereador mais votado entre os 55 que vão compor a nova Câmara Munipal de São Paulo nos próximos quatro anos.Apesar da campanha vitoriosa, Rodrigo Goulart considerou “preocupante” o número elevado de eleitores que deixaram de votar.
Para ele, foi uma “sinalização” dos eleitores. “Teve a pandemia também, é claro, mas não foi só isso”, conta, afirmando que o “próximo prefeito que entrar, independente de quem seja, terá uma dificuldade muito grande”.”Com uma composição como essa [da Câmara Municipal], as discussões serão muito acalordas”, prevê Rodrigo, que não esconde um certo descontentamento com parte do eleitorado.

Prioridades – “Muita gente reclama que os políticos só aparecem nessas horas [em período eleitoral para pedir votos], mas muitas pessoas não costumam acompanhar o trabalho do seu vereador, até cobrando, se for o caso. Muitas pessoas sequer lembram em quem votou na eleição passada”, desabafa Rodrigo, acrescentando que não ficou surpreso com o crescimento da bancada do PSOL, o mesmo de Guilherme Boulos – que disputará o segundo turno com o prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), que elegeu 6 vereadores – em 2016 foram apenas 2.
Para ele, não foi propriamente um crescimento da esquerda. “O crescimento do PSOL foi natural até pelo desempenho do candidato à prefeito, mas o PSOL reúne também intelectuais e profissionais da área da saúde”, destaca Rodrigo Goulart, que elege como prioridades para o próximo mandato a retomada da economia em um cenário pós-covid e a revisão do Plano Diretor.

Giro – Se na capital paulista o desempenho dos nikkeis não foi dos piores – com apenas “uma perda” na Câmara Municipal, do vereador Masataka Ota, que não se reelegeu – em Ibiúna (SP) a situação foi um pouco melhor com a eleição de Paulinho Sasaki (PTB) à Prefeitura. Em Belém (PA), o Delegado Federal Eguchi (Patriota) vai disputar o segundo turno com Edmilson Rodrigues. Em Suzano (SP), Rodrigo Ashiuchi (PL) foi reeleito para mais um mandato. Mesmo desempenho não teve Jamil Ono (Pode), em Andradina (SP), que acabou derrotado por Mario Celso, do PSDB. Em Sinop (MT), o ex-senador Jorge Yanai ficou em terceiro na corrida à Prefeitura e em Maringá (PR), a esposa do deputado federal Luiz Nishimori (PL-PR), Akemi Nishimori foi apenas a quinta colocada.
Em Diadema, na região do ABCB paulista, Taka Yamauchi vai disputar o segundo urno com Filippi (PT). Continuando no ABCD, em Santo André, Jorge Kina (PSDB) foi reeleito com 3.523 votos, e em São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami (PSDB) também conseguiu se reeleger com 3.445 votos. Em Mogi das Cruzes foram eleitos Pedro Komura (PSDB), Vitor Emori (PL), Mauro do Salão (PL) e Professor Eduardo Ota (PL). Em Registro (SP), a Prefeitura será ocupada pelo Professor Nilton Hirota (PSDB).


Confira como ficou a votação dos nikkeis em São Paulo

Aurélio Nomura (PSDB) – 25.316*
Caio Japa Morfo (Patriotas) –   1.709
Dilza Muramoto Shiroma (PRTB) – 775
Doutor Tanaka (PSB) – 5.535
George Hato (MDB) – 25.599*
Helena Suzuki (PTC) – 414
Ushitaro Kamia (PODE) – 9.255
Japa (PMB) – 30
Léo Onoda (PSDB) – 1.233
Luis Sato (PTC) – 232**
Marcela Itokazu (PP) – 142
Maria Saito (PSDB) – 3.044
Masataka Ota (PSB) – 9.427
Patricia Kiyomi Tani (DC) – 40
Professor Igarashi (PSDB) – 837
Professor Maeda (PODE) – 1.769
Rodrigo Goulart (PSD) – 31.472*
Sergio Shigeeda Ambientalista (PODE) – 1.489
Silvia Nakano (Republicanos) – 590
Yudi Watanabe (DEM) – 5.797
*Reeleitos – **Anulado subjudice

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