ELEIÇÕES 2020/SÃO PAULO: Candidato nikkei a vice-prefeito pelo PSTU na Capital luta por educação e contra o racismo e a xenofobia

Professor Lucas, candidato à vice-prefeito (divulgação)

Maior metrópole da America Latina com uma população de cerca de 12 milhões de habitantes e maior colégio eleitoral do país com mais de 8 milhões de eleitores, a capital paulista tem um candidato nikkei concorrendo a cargo majoritário nessas eleições. Trata-se de Lucas Antonio Nizuma Simabukulo (assim mesmo, sem o h e com l), de 38 anos, candidato a vice-prefeito pelo PSTU na chapa encabeçada por Vera Lúcia. Nascido no bairro de Vila Maria (zona Norte de São Paulo), Lucas Simabukulo é professor de História da rede pública municipal desde 2009 EMEF Synésio Rocha, na zona Sul de São Paulo, região do Campo Limpo. Graduou-se em História e é Mestre em Educação, Linguagem e Psicologia, ambos pela USP.
Desde 2011 é militante do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), e atua principalmente nas lutas das periferias da zona Sul, e por uma educação pública e de qualidade.
Professor Lucas – como é mais conhecido – defende um governo socialista, em que os trabalhadores, e não os ricos, governem através de conselhos populares. “Essa luta é internacional, e tem à frente os setores mais oprimidos da classe: negros, mulheres, LGBTs, e imigrantes – com minha família, que veio quase 100 anos atrás do Japão e de Okinawa”, disse o candidato a vice-prefeito de São Paulo pelo PSTU.
Filho de Kenso Simabukulo e Julieta Simabukulo – ele de origem okinawana e ela de família de imigrantes de Fukushima – Lucas é o terceiro de uma família de quatro irmãos. “Sempre tenho na memória os tempos de infância em que íamos visitar a batchan em Araraquara”, diz Lucas, explicando que recorda, principalmente, das comidas – que ainda são uma tradição na família – e dos enterros – “às vezes mais budistas, outras mais xintoístas”.

Lucas Simabukulo com a candidata à prefeita do PSTU, Vera Lúcia (divulgação)

Bairro da Liberdade – Em São Paulo, Lucas conta que era sócio do Nippon Country Club, em Arujá, e gostava muito de frequentar as festas e eventos do bairro da Liberdade. Depois que começou a frequentar o curso de História na USP, passou a se interessar particularmente pela história da imigração japonesa.
“O PSTU é um partido de esquerda e discute muito essas questões dos imigrantes. Aqui têm muitos hatianos, bolivianos cujas sagas lembram muito as dos nossos antepassados, desde as dificuldades de adaptação às dificuldades com a língua. Parece muito as histórias que minha avó contava”, diz Lucas, acrescentando que, com a pandemia do novo coronavírus, a questão do racismo se tornou ainda mais vísivel.
Segundo o candidato, declarações como a do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que associaram vírus à China, serviram para hostilizar ainda mais as comunidades asiáticas.
Para ele, aliás, hoje o eleitor está muito “desconfiado”.   “E o eleitor está certo em desconfiar dos políticos tradicionais, sejam eles de esquerda ou de direita. Nessas eleições queremos visitar e conversar mais com as comunidades não só com o intuito de garantir apoio para a nossa candidatura mas também como forma de conscientizar os tabalhadores para a necessidade de se organizarem”, conclui Lucas, que lamenta os recursos “modestos” do PSTU – “a divisão do fundo partidário é bastante desigual” – e o fato de o partido não ter direito ao horário eleitoral gratuito de rádio e TV.

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