ELEIÇÕES 2020: Para Hatiro Shimomoto, ‘grande número de candidatos atrapalha quem têm mais chance’

Shimomoto com o então cônsul geral Yasushi Noguchi e o ex-presidente do Kenren, Yasuo Yamada (arquivo)

“Eu vejo com bons olhos que os nikkeis tentem se eleger para cargos públicos e devem ser pessoas dignas de nos representar e fazer boas leis, e cada vez mais, melhorar a qualidade de vida da nossa sociedade. A pulverização com grande número de candidatos atrapalha os que têm maior chance de serem eleitos”. A afirmação foi feita pelo ex-deputado estadual Hatiro Shimomoto durante apresentação do 8º Movimento Político Nikkei que, assim como o anterior, foi realizado de forma virtual por conta da pandemia.
Esta oitava edição contou com a participação do ex-deputado federal Junji Abe, do ex-deputado estadual Hélio Nishimoto e do presidente da Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui.
Para Shimomoto, idealizador do MPN, “observamos que na Capital têm 19 candidatos nikkeis a vereador”. “Por essa razão o eleitor deve escolher conhecendo cada um e escolher entre eles o de sua confiança, que tenha visão para, através da Câmara Municipal, melhorar a cidade de São Paulo”, disse o “sempre deputado”, que pede ainda para que os eleitores “analisar o passado do candidato para ver se ele merece o seu voto”.
“São quatro candidatos nikkeis que estão concorrendo para a reeleição nesta capital. Preferencialmente o lógico é reelegê-los, porque já contam com mais possibilidade de serem eleitos”, destacou Shimomoto, referindo-se aos parlamentares nikkeis que compóem a atual “bancada nikkei” na Câmara Municipal: Aurélio Nomura (PSDB) – “autor de 293 Leis aprovadas que beneficiam a cidade de São Paulo e, principalmente, a comunidade nikkei, como por exemplo, a preservação e manutenção do Pavilhão Japonês e do Ireihi (Memorial em Homegagem aos Imigrantes Pioneiros Falecidos), no Parque Ibirapuera, e também em defesa e prevenção da segurança e violência contra as mulheres em ambientes públicos; George Hato (MDB) – “que tem feito um bom trabalho na área da Saúde com o projeto “mais esporte menos remédio”, é autor da lei que obriga as locadoras a ter veículo adaptado para pessoas com deficiência e de outras leis que melhoram a vida das pessoas da comunidade”; Rodrigo Hayashi Goulart (PSD) – “que também tem feito um trabalho junto ao Pavilhão Japonês – e Massataka Ota (PSB) – “que tem como uma de suas leias provadas uma que se refere ao sentimento de proteção e respeito à memória dos injustiçados pela violência com a criação do Dia Nacional do Perdão em 30 de agosto, lei sancionada”.

Legado – Ex-prefeito de Mogi das Cruzes e ex-presidente do Sindicato Rural daquela cidade, Junji Abe destacou que, “nós que pertencemos à velha guarda de polítícos nikkeis, uma geração que já se encontra nos seus 70, 80 anos – como é o meu caso –, cujos pais e avós vieram antes da Segunda Guerra Mundial, guardamos um legado muito precioso”.
Um legado, segundo ele, repetido muitas vezes durantes as reuniões familiares e “que embasam a formação como homem, como mulher, enfim, como verdadeiro cidadão lá do Japão”. “São expressões gramaticais que guardo até hoje, como resiliência, resistência, gratidão, humildade, solidariedadade, credibilidade, honestidade e trabalhador. Essas palavras moldaram praticamente através da cultura o povo japoness. Dai a razão que a etica, a moral, a responsabilidade estão em todos os atos que praticamos”, disse Junji, lamentando o fato que, “pela influência do nosso ambiente, as novas gerações já não valorizem mais esses princípios”.
“Porém, entendo perfeitamente como essas palavras e a cultura que nós recebemos dos nossos antepassados são super importantes justamente para impulsionar esse movimento de valorização do politico nikkei”, disse Junji que lembrou uma visita feita em 2014 pelo então primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para destacar a importância de se eleger representantes.
“Ele [Shinzo Abe] dsse: ‘Ame o Brasil, façam tudo por este país e o Japão precisa de vocês, parlamentares.’ Em outras palavras, o primeiro-ministro disse na época sobre a importância dos parlamentares nikkeis em favor de fortalecer o intercâmbio entre o Japão e o Brasil e vice e versa. E disse mais. Disse para sempre valorizarmos as entidades como a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), a Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) e tantas outras entidades que representam genuinanente a base da comunidade nipo-brasileira neste nosso querido Brasil”, finalizou Junji Abe.

União – Já Hélio Nishimoto lembrou que atualmente está trabalhando na coordenação do MDB no Vale do Paraíba. Ele parabenizou o idealizador do MPN “pela iniciativa de criar este movimento para a valorização desta atuação poltica dos nikkeis e a colaboiração que a nossa comunidade pode dar ao nosso Estado de São Paulo e ao nosso país, com os valores e os princípios que norteiam a nossa cultura”.
E deixou um recado aos eleitores. “Dia 15 estaremos elegendo prefeitos, vices e vereadores, e nosso Estado precisa ter bons representantes. Acredito muito que a nossa comunidade nikkei pode contribuir colocando pessoas nos cargos eletivos municipais e isso se faz com união. Às entidades que já tem trabalhado pra iso, parabéns. É fundamental que essa parceria continue para que a gente eleja pessoas idôneas e e honestas”.

Comprometimento – Para o presidente da Enkyo, Akeo Yogui, “falar de politica é sempre muito dificil pelos inúmeros casos policiais envolvendo diversos politicos de todas as esferas do poder”. No entanto, ele enfatiza que “temos muitos politicos honestos, que trabalham com seriedade visando construir um Brasil melhor para todos”. Para ele, uma das maneiras de “combater os maus políticos é “prestigiar e apoiar os bons, dando respaldo e incentivo para que contianuem nessa luta em defesa dos interesses da população, principalmente da camada mais humilde”.
“ A chama da esperança de dias melhores não pode ser apagada, muito pelo contrário, deve ser propagada”, disse ele, lembrando que, ao longo dos 112 anos de imigração japonesa no Brasil, os japoneses e seus descendentes conquistaram respeito e admiração do povo brasileiro e são conhecidos como pessoas honestas e trabalhadoras e contribuíram positivamente em divesos setores da sociedade brasileira.;
“Mais do que nunca precisamos eleger candidatos comprometidos com as boas práticas que defendam o interesse público acima de qualquer intersse pessoal. Devenos trabalhar para eleger o maior número de nikkeis que possam levar para o serviço público os bons ensinamentos recebidos dos imigrantes japoneses que trabalharam com honestidade, com respeito e dignidade.”.
E ressaltou que a Beneficência Nipo-Brasileiar de São Paulo presta serviço em duas áreas bastante sensíveis e extremente carentes de serviços publicos: na área de saúde e na área de assistência social. “Os usuários dos nossos serviços são predoninantemente de não descendentes de japoneses, pois o nosso foco desde o início foi de prestar serviços à população brasileira sem nenhum tipo de distinção”, conta Yogui, acrescentando que, “infelizmente o serviço público no Brasil fica muito aquém das necessidades da população, principalmente das camadas mais necessitadas”.
Segundo ele, para amenizar essas carências, a Enkyo, “dentro das suas possilbildades, mantém diversos convênios de prestação de serviços com órgãos públicos, mesmo arcando com grandes déficits”.

Sensibilidade – “A manutenção deste trabalho só é possível graças à sensibilidade dos parlamentares federais, como Vitor Lippi, Kim Kataguiri e Keiko Ota, dos deputados estaduais Coronel Nishikawa e Helio Nishimoto, que destinaram importantes verbas de emendas parlamenbtares que são utilizados para cobrir parte deste deficit”.
“Manifesto a nossa gratidão e agradecimento a esses parlamentares que, conhecendo e acreditando no nosso serviço,   destinaram aportes financeiros. Tenho a certeza que com um maior número de nikkeis no parlamento, que conhecem os trabalhos das entidades da comunidade e contando com o apoio dos outros, poderemos ampliar e levar o nosso serviço para um número maior de pessoas”, concluiu o presidente da Enkyo.

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