‘Divisor de águas’, terceira edição do Rio Matsuri vê crescimento e mira 2021

Grupo Saikyou Yosakoi Soran de Maringá encantou o público do Rio Matsuri
Grupo Saikyou Yosakoi Soran de Maringá encantou o público do Rio Matsuri

Se ainda pairavam dúvidas sobre o sucesso do Rio Matsuri, a terceira edição do Festival da Cultura Japonesa do Rio tratou de dissipá-las. Realizado pelo grupo francês GL events e Tasa Eventos, com apoio do Ministério da Cidadania, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, de 17 a 20 deste mês – no Riocentro (zona Oeste do Rio) – o evento recebeu um público estimado pelo organizadores de cerca de 45 mil visitantes.

Este ano, além de ganhar uma área exclusiva para as modalidades que farão parte de Tóquio 2020  – como o karatê, skate, surfe e o beisebol – o festival deste ano apresentou algumas novidades, como a 1ª edição do Festival de Gastronomia Japonesa Rio Matsuri, que acontece até o próximo dia 2 com a participação de cerca de 30 restaurantes e com a parceria do SindRio – Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro. Outra atração que caiu no gosto do público carioca foi o Espaço Otaku, com ambientação e atrações da cultura pop japonesa para todas as idades.

Por ali desfilaram cosplayers, youtubers e dubladores. Os fãs do gênero também ganharam um dia só para eles, a Sexta Otaku, que acabou agregando um público diferente ao festival. A terceira edição do Rio Matsuri apresentou ainda vivências culturais, exposições, danças folclóricas, shows e jogos tradicionais. Já o palco principal reuniu atrações como o grupo de taikô Wakadaiko e o Saikyou – ambos da Acema (Associação Cultural e Esportiva de Maringá) – o Grupo Awa Odori Represa, de São Paulo, o recém-criado criado Kotobuki, grupo de bon odori de Maringá, o Danger 3, os cantores Diogo Miyahara, Jane Ashihara, Pâmela Yuri, Fábia Tanabe e Norton Miasake, Ricardo Cruz e Cintia Nishimura, além dos convidados internacionais Tsubasa Imamura e Kauan Okamoto.

Destaque também para o mago dos balões, Luciano Takeda, o DJ japonês Sunamori, e a seletiva do do WCS (World Cosplay Summit) – que classificou a dupla Thamyres Azevedo e June Cosplay para a grande final nacional que acontece no Geek Nation Brasil, em maio, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Outra atração bastante aguardada pelo público que frequenta os matsuris é o Concurso Miss Nikkey (leia mais à página 9). E no Rio de Janeiro não foi diferente. Este ano, os jurados elegeram Isadora Shinagawa, de 28 anos, como a mais bela descendentes de japoneses. Ela representará o Estado no palco da 23ª edição do Festival do Japão marcada para os dias 10, 11 e 12 de julho, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na capital paulista.

 

Sucesso – Para o CEO da Tasa Eventos, Sergio Takao Sato, a terceira edição do Rio Matsuri foi um “grande sucesso”. “A gente está se consolidando cada vez mais como um grande evento da cidade do Rio de Janeiro. Este ano tivemos novas atrações, incluindo um palco dedicado ao universo geek, que nós denominamos Palco Otaku, onde tivemos vários dubladores, paínéis, youtubers e pocket show de Djs”, disse Takao, lembrando que o espaço ficou lotado nos quatro dias.

Segundo ele, também merece destaque a exposição “DO: A Caminho da Virtude”, que foi apresentada na Japan House São Paulo e desembarcou no Rio através do Consulado Geral do Rio de Janeiro.

 

Takoyaki – “Também foram muito bacanas as atrações como o Grupo Represa Awa Odori, o Wakadaiko e o Bon Odori Kotobuki, que fizeram belíssimas apresentações e encantaram o público com esse lado mais tradicional da cultura japonesa, juntamente com a cerimônia do chá, exposição de ikebana e workshops, onde os visitantes tiveram oportunidade de interagir e com isso, vivenciar essas experiências da cultura japonesa”, disse Takao, que destacou ainda a praça de alimentação, “bem movimentada”, com as barracas das associações nikkeis de Papucaia, Tinguá e do Rio de Janeiro e “pratos que não são muito comuns na cidade”. “Foram muito procurados pelo público, especialmente o takoyaki e o okonomyaki”, explicou ele, acrescentando que o Rio Matsuri proporcionou um encontro inédito entre Kihachiro Uemura e Walter Jones, respectivamente o Green Flash e o Black Ranger, heróis de gerações.

“O que é bacana é que cada vez mais o carioca está se familiarizando com a expressão matsuri e a nossa intenção é cada vez mais trazer atrações que mostrem o melhor da cultura japonesa para o Rio de Janeiro”, finalizou Takao Sato, explicando que “o mais importante é que todos [expositores e públicos] saíram felizes e querendo retornar em 2021”.

 

Divisor de águas – Diretora geral da operação da GL events no Rio de Janeiro, Milena Palumbo revelou ao Jornal Nippak que a terceira edição do Rio Matsuri foi uma espécie de “divisor de águas”. “Como produtores e organizadores de eventos, a gente sabe que as três primeiras edições são sempre de investimentos e, felizmente, esta terceira edição do Rio Matsuri nos mostra, até pelo volume de público e de expositores, que o festival terá vida longa”, observou Milena, explicando que o festival já faz parte do Calendário de Eventos do Rio de Janeiro. “A secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Barros, esteve presente na cerimônia de abertura e reconheceu a importância deste evento como incentivo à cultura do próprio Estado e, mais do que isso, a gente consegue agregar mais conteúdo e de mais interesse para o público”, destacou Milena, acrescentando que a “gastronomia será sempre uma âncora, mas adicionando um dia otaku você fortalece a vinda de jovens para este festival, que é uma das grandes apostas”.

 

Valores – Para Milena, mais que a cultura em si, o que atrai o público é a curiosidae e o desejo. “Diferentemente do Festival do Japão de São Paulo, nosso público é formado por 94% de não descendentes. Isso mostra o interesse e o desejo em conhecer uma cultura não só rica em termos gastronômicos mas, principalmennte em valores, ou seja, o que se ensina aqui em termos de respeito e de união transmitidos pela própria arte do taikô. O interesse maior não é só por ser uma cultura diferente da cultural ocidental, mas o que ela agrega em termos de valores e isso a gente deixa muito claro e presente durante toda a organização e durante todo o pensamento de construção da curadoria do evento, que é trabalhado com esse intuito”, disse ela, que pouco antes, na cerimônia de abertura, destacou em sua fala que “a cultura engrandece, a cultura instiga, a cultura gera cursiodade e nos trasnforma em pessoas mais entendedoras do mundo, daquilo que nos cerca e da nossa realidade”.

“É uma satisfação promover a cultura japonesa, que tem tantos diferenciais e é especial por conseguir unir o tradicional com o moderno e o tecnológico. Mais que um evento, é a cultura. Tenho certeza que todo mundo que visita este pavilhão sai daqui uma pessoa melhor, sai com um entendimento melhor de uma outra cultura de uma outra nação. E esse é o nosso intuito”, frisou

Já a secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Barros, destacou o significado do Rio Matsuri para o Estado do Rio de Janeiro. “Nós entendemos e celebramos nesse festival a relação pacífica e amigável do nosso pais, mas também do Estado do Rio de Janeiro com a cultura japonesa e com os japoneses. Nós ficamos muito felizes quando chegamos aqui e nos deparamos com lindas apresentações culturais que reafirmam essa interlocução entre os dois países”, destacou a secretária, afirmando que o Rio Matsuri também é uma oportunidade de promover o intercâmbio “trazendo os cidadãos fluminenses para que desfrutem e conheçam um pouco mais desta cultura”.

 

Resistência – Segundo ela, “num tempo em que a cultura está tão massacrada, o Rio Matsuri a fortalece e diz que ela [a cultura] está viva, faz um pronunciamento de liberdade, faz um pronunciamento de resistência e mostra que é possivel fazer cultura quando existe fraternidade, quando existe irmandade, quando existe boa vontade. Neste evento celebramos isso”, enfatizou Danielle Barros que, discursando em nome do governador, Wilson José Witzel, acolheu todos os todos os participantes e “todas aquelas autoridades que acreditaram no Rio de Janeiro para fazer este evento possível”.

E finalizou desejando “dias de cultura pulsante, dias de muito conhecimento e dias de muita alegria”. “E que o Estado do Rio de Janeiro e a cultura  japonesa possam caminhar lado para que tantos outros eventos como esse possam acontecer, fortalecendo a cultra e fortalecendo a economia criativa. Entendemos que por este pavilhão passarão 50 mil pessoas visitando o festival, mas temos aqui 150 expositores não só do nosso Estado mas também de Estados vizinhos. Vemos aqui a produção de goiaba e do shitake, além do potencial tecnológico entre tantas  outras coisas que essa interlocução trouxe para o nosso país. Nós queremos, de fato, que este evento possa acontecer por muitos e muitos outros anos no Rio de Janeiro”, destacou a secretária.

Presidente da Associação Nikkei do Rio de Janeiro (Rio Nikkei) e da  (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro (Renmei), Minoru Matsuura lembrou que, “há quatro anos e por mais de dez anos nós realizamos a Festa do Japão no Aterro do Flamengo. “Lá, nós carecíamos de estrutura e não tínhamos segurança. Por ser um local aberto, ficávamos expostos a todos os tipos de intempéries, isto é, tínhamos que rezar para que não acontecesse nada de arnomal. Até que, no último ano, uma ventania muito forte derrubou todas as tendas e nos obrigou a repensar. Foi quando surgiu o convite do Takao Sato, da Tasa Eventos, para aque fizéssemos parte deste evento aqui no Riocentro e cá estamos, pelo terceiro ano consecutivo”, disse Matsuura ao Jornal Nippak, explicando que, além da Rio Nikkei e da Renmei, participaram este ano do Rio Matsuri as associações de Tinguá e Papucaia, além do Instituto Cultural Brasil-Japão (ICBJ), da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Rio de Janeiro e o Consulado Geral do Japão do Rio de Janeiro.

 

Contribuição – Quem também prestigiou a cerimônia de abertura do Rio Matsuri, realizada no sábado (18), foi o presidente da Associação Toyama Kenjinkai do Brasil e vice-presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Toshio Ichikawa. Ao Jornal Nippak, Ichikawa disse que sua relação com o Rio Matsuri “vem da GL, que administra tanto o Riocentro, no Rio, como o São Paulo Expo, em São Paulo”. “Estou conhecendo o Rio Matsuri pela primeira vez e dá para notar que trata-se de um matsuri muito forte”. Ichikawa, que presidiu o maior matsuri do país por três anos e atualmente é conselheiro da atual Comissão, “a ideia é fazer alguma aproximação entre o Festival do Japão e o Rio Matsuri, até porque o Rio Matsuri está crescendo a cada edição”.

“Não temos o Kenren aqui, mas os participantes, profissionais e empresários de São Paulo estão aqui, Podemos trocar experiências”, afirmou.

 

Sustentabilidade – Diretor de Relações Governamentais da Nissan do Brasil, Pedro Bentancourt, afirmou que “é um privilégio apoiar um festival que divulga a cultura japonesa, os valores culturais e a ciência e a tecnologia”. E destacou que, como empresa, a montadora japonesa tem uma presença significativa no Estado do Rio de Janeiro, com a geração de mais de 2,5 mil empregos diretos e mais de 5 mil indiretos.

“Temos aqui a produção de nossos produtos campeões, Nissan Kicks, crossover mais vendido na categoria pelo terceiro ano consecutivo, do sedã Versa e do veículo compacto March. Para Nissan, apoiar os valores e  a cultura japonesa faz parte da nossa integração e dos nossos programas de sustentabilidade. Especificamente no caso caso deste Matsuri, muito antes que ele se transformasse no festival deste tamanho e desta magnitude, nós iniciamos nosso apoio por volta de 2014-2015, quando este evento ainda era realizado no aterro do Flamengo sob a denomição de Festa do Japão”, lembrou Bentancourt.

Há menos de quatro meses no cargo de cônsul geral do Rio de Janeiro, o simpático Tetsuya Otsuru parabenizou os organizadores por se empenharem em aproximar as culturas dos dois países contribuindo para fortalecer os laços de amizade entre os dois povos. “Comemoramos este ano 125 anos de amizade entre o Brasil e o Japão e é uma alegria ver a realização de um grande evento como esse, que traz um pouco do Japão aos brasileiros”, disse o cônsul, aproveitou para convidar os visitantes a conhecerem o estande do Consulado, que estava presente no festival divulgando programas de bolsas de estudo do governo japonês, com a exposição DO, do acervo da Japan House São Paulo, e com a foca-robô Paro, além dos mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tóquio 2020.

 

Abertura – Estiveram presentes na cerimônia de abertura, entre outros, a secretária estadual de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Christian Ribeiro Barros; Felipe Michel, secretário Municipal do Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida e Eventos; Sohaku Bastos, presidente do ICBJ; Toshiya Asahi, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Rio de Janeiro; Masaru Suzaki, diretor geral da Fundação Japão; Pedro Bentancourt diretor de Relações Governamentais da Nissan; Nobuyuki Nagata, presidente do Governo da Província de Hyogo no Brasil; Toshio Ichikawa, vice-presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil); Diego Kurokawa, supervisor institucional da Japan House São Paulo; e Henry Nakaya, diretor da Sakura, entre outros.

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(Aldo Shiguti)

 

Kobe e Rio de Janeiro são cidades-irmãs desde 1969

Nobuyuki Nagata (c) e autoridades no estande Rio-Kobe

Localizada na província de Hyogo, com uma população estimada em cerca de 1,5 milhão de pessoas e considerada a sexta maior cidade do Japão, Kobe mantém um convênio de cidade-irmã com o Rio de Janeiro desde 1969. No Rio Matsuri, a cidade japonesa se fez presente com um estande onde os visitantes puderam conhecer um pouco mais as belezas naturais e pontos turísticos como a torre do porto de Kobe, localizada no Parque Meriken, com 108 metros de altura e que oferece uma vista panorâmica em 360 graus, além de especialidades locais como o apreciado kobe beef e o saquê de Nada.

Diretor-presidente do escritório do Governo da Província de Hyogo para o Brasil e América Latina, Nobuyuki Nagata lembrou ainda que a equipe de futebol da cidade, o Vissel Kobe, que conta em seu elenco com o talento do meia espanhol Andres Iniesta, conquistou recentemente a Copa do Imperador. O título histórico, que veio após 25 anos, foi conquistado após o time bater o Kashima Antlers na final por 2 a 0 no novo Estádio Nacional de Tóquio.

Em seguida, Nagata leu uma mensagem do prefeito de Kobe, Kizo Hisamoto, na qual o chefe do executivo da cidade japonesa parabenizava a cidade do Rio de Janeiro pela realização do evento. Hisamoto lembrou que a relação entre Kobe e Rio de Janeiro teve início com os primeiros imigrantes japoneses que partiram do porto de Kobe rumo ao Brasil, em 1908. Em 1928 foi construido o Centro de Emigração de Kobe, onde os imigrantes passavam os últimos momentos antes de partir em direção ao Brasil e demais países da América Latina. Atualmente está é a única instalação relacionada à imigração no Japão, sendo mantida e reformada.

Dentro deste centro há um museu da imigração, onde são apresentados os laços entre Kobe, no Japão, com o Brasil e países da América Latina. “Através de uma solicitação realizada pela cidade do Rio de Janeiro, por intermédio do Consulado Geral do Brasil em Kobe, firmamos acordo de irmandade entre as cidades de Kobe e Rio de Janeiro em 1969. Desde então foram realizados diversos intercâmbios entre as cidades e celebramos 50 anos de irmdande no ano passado”, assinalou o prefeito em mensagem lida no palco pelo apresentador Kendi Yamai.

Hisamoto lembrou ainda que, por ocasião do grande terremoto de Hanshin-Awaji, em 1995, foi realizada uma partida de futebol beneficente na cidade de Kobe entre o Vissel Kobe e uma seleção de jogadores do Rio de Janeiro e todo dinheiro arrecadado foi doado à cidade de Kobe para auxiliar na recuperação.

Segundo ele, a paixão pelo futebol não é a única coisa em comum entre as duas cidades. O samba também é amplamente difundido na cidade de Kobe. “Essa história começou quando um japonês aprendeu a sambar através de um tripulante de um navio brasileiro fundando o primeiro grupo de samba do Japão na cidade. Atualmente diversos grupos de samba participam do Kobe Matsuri. De 1997 a 2001, recebemos grupos de samba do Rio de Janeiro que particparam e alegraram o Kobe Matsuri”, destacou o prefeito, acrescentando que, no ano passado, em comemoração aos 50 anos de irmandade, “além de convidarmos um artista que atua no Rio de Janeiro e relizarmos um show musical, também organizamos uma exposição de fotos no Centro de Emigração de Kobe, apresentando o carnaval do Rio de Janeiro e seus pontos turísticos, sendo apreciado por um grande público”.

E finalizou desejando que, através do Rio Matsuri, os laços de amizade entre o Japão e o Brasil, e entre Kobe e Rio de Janeiro, se tornem ainda mais fortes.

(Aldo Shiguti)

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