RECONSTRUÇÃO DE FUKUSHIMA 2: Descendentes nikkeis de Fukushima conhecem situação atual da província

 

 

Cenotáfio com os nomes das 458 vítimas da cidade de Soma

Reerguer-se da tristeza para narrar as futuras gerações sobre a catástrofe

“Por que será que não fugi naquela hora? Ainda guardo essa pergunta, mesmo nove anos depois”. Quando Hideko Igarashi, de 72 anos, narradora do Salão Memorial de Soma, começou a contar sua experiência durante a catástrofeem 11 de março de 2011, a repórter sentiu um repentino aperto no coração.
O ônibus parou em um local com vista para o mar, extenso e tranquilo. Caminhando um pouco, surgiu diante de nossos olhos uma grande placa em pedra negra com a inscrição “Cenotáfio pelas vítimas do Grande Terremoto do Leste do Japão da cidade de Soma”, com os 458 nomes de moradores que perderam suas vidas na catástrofe. Logo ao lado, foi construído um Salão Memorial.

Narradora Hideko Igarashi

Uma dessas 458 vítimas que perderam a vida no tsunami foi o marido de Igarashi. Na época, administrava uma hospedaria no litoral de Soma. Ela narrou vividamente: “Às 14 horas e 46 minutos, ouvi um estrondo muito forte e o tremor foi tão violento que não conseguia me mexer se não me segurasse em algo”.
Após o tremor cessar, ela não procurou refúgio imediatamente. Foi até a praia para verificar a situação. Mas um bombeiro que veio de carro disse: “Em Iwate e Miyagi está vindo um tsunami gigantesco, fuja logo!”. Ela começou os preparativos para procurar abrigo. Já havia se passado uma hora após o terremoto.
“Nessa hora, o céu tinha a cor de chumbo”. Apavorada, saiu de mãos dadas com o tio e o marido. Quando estavam na estrada, ela se virou para trás e viu que a água avançava.
Incapazes de se mover, os três foram engolidos pelo gigantesco e impiedoso tsunami. Seu corpo foi levantado pelas ondas e ela se agarrou ao pinheiro que havia ao lado da casa.
A tremenda força do violento tsunami fez com que ela soltasse a mão do tio e do marido.
“Hideko!”, o marido gritou três vezes enquanto era arrastado pelas ondas. Ela gritou por ele, mas também foi levada pela água.
Essa foi a última vez que viu o marido.
Enquanto era arrastada, ela se agarrou a um grande tronco de madeira, pensando: “Não, eu não quero morrer!”. Quando percebeu, seu corpo estava soterrado por entulho. Ela gritou por socorro com todas as forças e foi resgatada pelos bombeiros. Ao acordar, estava no hospital.
“Se naquela hora eu tivesse dito ‘Querido, vamos fugir logo. É perigoso.’”. Foi a partir desse sentimento de tristeza que ela começou a narrar a experiência e as lições que aprendeu dessa catástrofe.
Igarashi reforçou com gestos e pediu: “O que quero dizer a vocês é para protegerem suas vidas. Contem para seus familiares e amigos o que ouviram hoje”.
Por fim, ela sorriu e cumprimentou cada um do grupo com um forte aperto de mão. Participante da Argentina, Melissa Shu Terashima, terceira geração de 21 anos, sentiu o peso da realidade: “Foi a primeira vez que ouvi um relato com tantos detalhes. Fiquei chocada”.

Foto no J-Village

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➡“Fukushima está bem, venham nos visitar!” Depois do estágio na província, participantes fizeram palestra

Fukushima trilha o caminho da reconstrução

Deixando o Salão Memorial, o grupo visitou o J-Village, construído em 1997 como o primeiro centro nacional de treinamento de futebol do Japão.
A instalação é usada como local de treinamento da seleção japonesa de futebol e, durante a Copa do Mundo de 2002, realizada no Japão e na Coreia do Sul, a instalação foi utilizada pela seleção argentina e, em 2007 e 2009, pela seleção chilena.
As atividades foram interrompidas com o Grande Terremoto do Leste do Japão e o acidente nuclear, sendo utilizado como base de apoio do governo e da Tokyo Electric Power Company (Tepco), por localizar-se a apenas 20 km da usina Fukushima Daiichi. Em julho de 2018, o local retomou as atividades e conta agora com um hotel de luxo e um campo de futebol coberto.
Como símbolo da reconstrução de Fukushima, o J-Village será o ponto de partida para o revezamento da tocha olímpica.
Quem apresentou as instalações foi Hideo Imazato, responsável pela Seção de Energia da província de Fukushima. Ele disse, acenando com um sorriso: “A América do Sul é forte em futebol, então divulguem o J-Village”.

J-Village
J-Village

Usando tecnologia de ponta para desativar a usina nuclear

A usina Fukushima Daiichi continua fechada, mesmo nove anos após o desastre. Os trabalhos para o descomissionamento da central nuclear, a recuperação do meio ambiente da província e o retorno dos moradores ainda continuam.

Explicação do vice-diretor Yoichi Kashima

Para isso, é imprescindível o desenvolvimento de tecnologia para controle a distância, pois o descomissionamento envolve locais com altos níveis de radiação. Essa tecnologia também pode ser usada em resposta a outros desastres.
Para isso, a Agência de Energia Atômica do Japão (JAEA) criou em outubro de 2015 o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia de Controle Remoto de Naraha, instalação de testes de dispositivos de controle remoto, como robôs. O local está em funcionamento desde abril de 2016.
O centro é composto por dois prédios: o de pesquisa e o de testes. O prédio de pesquisa possui um sistema de realidade virtual de última geração, utilizado para analisar projetos de descomissionamento e treinamento de pessoal, assim como um simulador de robôs.

Ambiente em realidade virtual com óculos 3D

Yoichi Kashima, vice-diretor do centro, levou o grupo para a sala de realidade virtual. Usando óculos 3D, eles puderam visualizar o interior do primeiro andar da usina Fukushima Daiichi, como se estivessem realmente no local.
Com a mudança de tela controlada pelo guia, a sensação que se tinha era de realmente andar pelo local e trombar nos objetos. Ao retirar os óculos 3D, os estagiários deixaram escapar um suspiro de alívio.
Em seguida, o grupo foi levado ao prédio de testes, onde parte do vaso de contenção de um reator foi reproduzido em tamanho real, além de haver outros dispositivos de testes.
Por exemplo, existe uma maquete em tamanho real das escadas no interior da central nuclear, além de dispositivos com tecnologia de ponta, como um robô de testes com 4,5 m de diâmetro e um tanque de grande porte com 5 m de profundidade. Essas instalações também são utilizadas por universidades e outras instituições que não têm relação com o trabalho de descomissionamento.

Foto com o prédio de testes ao fundo.

Os estagiários ficaram maravilhados com o desenvolvimento dessa tecnologia e fizeram muitas perguntas: “O robô não é afetado pela radiação?”, “Precisam obter dados todos os dias?”.
Dizem que será necessário de 30 a 40 anos para desativar a usina nuclear, mas o vice-diretor Kashima reforçou: “Estamos caminhando efetivamente para o descomissionamento”.
Levi fez várias perguntas ao vice-diretor sobre a tecnologia do centro e estava impressionado: “Realmente é uma instalação muito interessante”.
Na cidade de Iwaki, o grupo de estagiários conversou com estudantes da Universidade Internacional de Higashi Nippon e conheceu Stephanie Sanpei Choi, quarta geração de 25 anos e bolsista provincial, hospedando-se no hotel Hananoyu. Havia nevado na manhã do dia seguinte e Ágatha parecia contente: “É a primeira vez que vejo neve!”.

Casa onde nasceu Hideyo Noguchi, preservada como museu

Na manhã do dia 28, visitaram o Museu Memorial Hideyo Noguchi, sobre o grande cientista nascido em Fukushima. É conhecido também por estampar as notas de mil ienes desde 2004.
Noguchi foi um famoso bacteriologista, inclusive internacionalmente, conhecido por suas pesquisas com febre amarela e sífilis. Foi nomeado três vezes para o Prêmio Nobel, mas contraiu febre amarela durante as pesquisas e veio a falecer com 51 anos.
Em 1923, ele ficou por três meses em Salvador, na Fundação Oswaldo Cruz (atual Instituto Gonçalo Moniz), para pesquisas sobre a febre amarela. Dizem que a sala que ele utilizou possui um relevo escrito “Laboratório Prof. Noguchi”.
Durante sua estadia, visitou o Rio de Janeiro e ganhou uma rua com seu nome, “Rua Dr. Noguchi”, além de ter em Campinas um local com seu nome, a Praça Hideyo Noguchi, onde há um busto de bronze em sua homenagem.
O museu memorial preserva a casa onde Noguchi nasceu. Teppei Morita, responsável da Seção de Curadoria e guia do grupo, apontou para o irori (lareira) e disse: “Quando Noguchi tinha um ano de idade, ele caiu ali e sofreu uma grande queimadura na mão esquerda”.
A família era pobre e a mão de Noguchi não pode ser tratada imediatamente, por isso ele usava apenas a mão direita. Com ajuda do professor e dos amigos, ele foi operado aos 15 anos e ficou encantado com as maravilhas da medicina. Esse fato causou grande influência em sua vida.
Desejando seguir o caminho da medicina, Noguchi mudou-se para a capital com 19 anos, para prestar o exame de prática médica. Nessa época, ele entalhou no pilar da casa: “Se não me tornar um médico, não voltarei para minha terra natal”. Essa frase ainda é preservada com cuidado no museu memorial.

“Quero dizer a todos que Fukushima está bem”

Foto vestido como Hideyo Noguchi

Hideyo Noguchi nasceu na província de Fukushima e atuou internacionalmente, tendo como base o Instituto Rockefeller de Pesquisa Médica, nos Estados Unidos. Na época, a febre amarela deixava muitas vítimas na América Latina e, para pesquisar sobre a doença, visitou o Equador, o México, o Peru e o Brasil, produzindo resultados.
Por causa desse trabalho, ainda hoje são realizadas cerimônias nesses países como reconhecimento de seu esforço e existem locais e prédios memoriais por onde ele passou.
No ano retrasado, no Equador, e no ano passado, no México, foram comemorados os 100 anos da visita de Hideyo Higuchi nesses países, sendo realizadas comemorações. Este ano, será a vez do Peru e está previsto eventos comemorativos no Centro Cultural Peruano Japonês. No Equador existe a rua Noguchi e a Escola Primária Hideyo Noguchi. Em Lima, no Peru, há o Colégio Hideyo Noguchi e no México, o Instituto de Pesquisa Médica Dr. Hideyo Noguchi.
Não existe outro japonês que tenha deixado tantas marcas pelos países da América Latina. É um provinciano de Fukushima com estreitos laços com a América Latina.

Stephanie, Rie e Ágatha mostram o que produziram com a técnica maki-e.

“Mal posso esperar para levar de volta para casa!”, com um sorriso no rosto, Ágatha olhou para o desenho que fez no objeto laqueado. Na Kinomoto, loja de artigos de laca, o grupo participou de uma oficina de maki-e, técnica artesanal tradicional. O maki-e consiste em pulverizar pó de ouro ou prata em desenho feito com laca. A técnica é transmitida há mais de 400 anos na região de Kitakata.
“Podem fazer o desenho que quiserem”, disse o funcionário que entregou amostras. A maioria dos estagiários escolheu desenhos tradicionais, como o pinheiro, mas Ilihia Pilialoha Emiko Tawney, quinta geração de 17 anos, queria usar muitas cores e finalizou um maki-e colorido.
No almoço desse dia, o grupo saboreou um lámen de Kitakata no restaurante Makoto. E pela tarde, no hotel Listel Inawashiro, onde se hospedaram, andaram de trenó na neve. Foi um dia repleto de cultura da região de Aizu. O grupo se despediu de Stephanie, bolsista provincial vinda do Peru, que disse contente: “É a primeira vez que vejo tanta neve”.

Karen Rie Fukumoto

“Quando voltar, quero dizer a todos que Fukushima está bem”, disse Karen Rie Fukumoto, terceira geração de 25 anos e membro do grupo seinenbu da Associação Fukushima Kenjin do Brasil. Assim ela finalizou a entrevista sobre sua experiência como bolsista provincial.
Ela está desde maio do ano passado na cidade de Koriyama, aprendendo computação gráfica na Universidade Internacional de Arte e Design. Por influência de animes e mangás, que Rie adora, ela fala um japonês fluente.
No início, Rie disse que a imagem do terremoto era forte, mas essa impressão mudou: “Na cerimônia em comemoração ao centenário de fundação da Associação Fukushima Kenjin do Brasil, em 2017, o governador Uchibori falou sobre a atual situação da província em palestra na Japan House e mostrou a foto de uma linda flor, dizendo que estava tudo bem”.
Quando passou a morar na província, gostou da cidade, que é segura, limpa e tranquila. Ela também pode apreciar os pêssegos amados pelos provincianos e eventos culturais, como o maior festival da cidade, o Festival Uneme de Koriyama: “Ultimamente, sinto-me encantada pelos fatos simples do cotidiano, como uma cafeteria elegante ou a beleza do céu quando olho por algum motivo qualquer”.
No início do intercâmbio, ela teve dificuldades com as aulas em japonês, mas ao se acostumar, viu que o conteúdo era aquilo que ela queria. No Brasil, trabalhava como programadora e ilustradora: “Posso usar esses conhecimentos no trabalho”. Rie contou seus planos ao retornar a Brasil: “Quero desenhar um mangá ou jogo sobre Fukushima para dizer a todos que está tudo bem agora”.
Chovia no dia 29 de janeiro, oitavo dia do estágio. Aizu foi o local mais frio dentre as visitas do grupo e os estagiários que vieram da América Latina em pleno verão tremiam de frio. A propósito, Yoshinori Yasuta, vice chefe da Seção de Assuntos Internacionais da província, surpreendeu a todos ao dizer: “Este ano, o inverno foi ameno e nevou pouco”.
O grupo se dirigiu em meio a chuva gelada ao Nisshinkan, escola para guerreiros do domínio de Aizu. No período Edo, era considerada a melhor em tamanho e conteúdo, dentre as 300 escolas que existiam pelo Japão, formando muitos alunos de excelência. Kenjiro Yamakawa, reitor da Universidade Imperial de Tóquio (atualmente, Universidade de Tóquio), é um exemplo famoso.
Na época de Katanobu Matsudaira, quinto senhor do domínio de Aizu, o conselheiro Harunaka Tanaka recomendou: “A educação é um trabalho importante, que vale a pena levar 100 anos”. Assim, cinco anos depois, em 1803, a escola foi criada.
Os filhos de guerreiros mais graduados entravam na escola aos dez anos de idade. Aprendiam a ler as escrituras confucionistas e praticavam artes marciais como arco, lança, espada e equitação. Antes de entrarem para a escola, dos seis aos nove anos, participavam de um grupo de educação infantil, o “Jyu” e aprendiam as “Regras do Jyu”, ensinado pelo líder, aprendendo o espírito de “não transgredir as regras”.

A prática de kyudo diz que “a formação da personalidade é importante”.

Os estagiários participaram de uma oficina de kyudo. “A prática do arco e flecha consiste em acertar o alvo, mas o kyudo é uma arte marcial. Mais importante do que acertar o alvo, é treinar o psicológico e a formação da personalidade”. Eles se concentraram e atiraram a flecha. Por fim, agradeceram com uma reverência e deixaram o local do treinamento, dojô.
Ka’ena Lee Tokairin Ewaliko, quarta geração de 26 anos vindo do Havaí, estava bastante interessado: “A história dos samurais é realmente interessante”, fazendo muitas perguntas aos funcionários durante a visita.

Ponte de amizade entre os países e a província natal

Foto com o castelo Tsurugajo ao fundo

O castelo Tsurugajo, construído há 630 anos, antes mesmo dos portugueses chegarem ao Brasil, foi o que mais instigou a curiosidade dos estagiários. É uma construção histórica que pode ser considerado o símbolo da cidade de Aizuwakamatsu.
Observando a torre, construção central do castelo, eles soltaram exclamações de admiração pela grandiosidade. O interior do castelo é um museu local e, do quinto e último andar, tem-se uma vista magnífica da cidade e da paisagem de Aizu.
O local foi palco da batalha mais violenta do nordeste do Japão durante a Guerra Boshin, em que o domínio de Aizu lutou ao lado do Xogunato, no final do período Edo. Os guerreiros de Aizu se abrigaram no castelo por um mês, suportando os intensos ataques do exército do novo governo. Foi assim que a construção ganhou o título de “castelo inexpugnável”. Contudo, o castelo foi destruído pelo governo Meiji e o que se vê hoje é a torre, reconstruída em 1965.
Do monte Iimoriyama pode-se ver a cidade ao redor do castelo Tsurugajo. Durante a guerra civil, 19 membros do Byakkotai (Unidade do Tigre Branco, grupo formado por jovens guerreiros de 16 a 17 anos) que não queriam ser pegos pelo inimigo e viviam com vergonha decidiram suicídio, cortando sua própria lâmina no monte Iimoriyama para esclarecer a identidade do guerreiro, ao ver a cidade em chamas. Muitas pessoas visitam o monte para depositar flores em seus túmulos.
No almoço, os estagiários saborearam a especialidade da cidade, o Sauce Katsudon (tigela de arroz coberta por filé de porco à milanesa e molho), e o famoso saquê da fábrica Suehiro Kaeigura, sendo um dia de grande satisfação. Partindo de Aizu, o grupo retornou à cidade de Fukushima, despedindo-se da bolsista Rie.
“Os senhores são a ponte de amizade que liga seus países natais a sua segunda casa, Fukushima. Visitem a província novamente com seus familiares e amigos”, assim disse o governador Masao Uchibori aos estagiários durante a visita na prefeitura provincial. O grupo, que visitou vários locais, viu os esforços de reconstrução após o terremoto e aprendeu sobre a rica história e cultura da província, visitou o governador no dia 30, nono dia do estágio.
Em tom cordial, o governador Uchibori perguntou ao grupo sobre as impressões mais marcantes que tiveram durante o estágio. Levi respondeu: “Antes de vir eu tinha medo, mas tranquilizei-me ao ver os esforços de reconstrução no Centro de Desenvolvimento de Tecnologia de Controle Remoto de Naraha”. O governador comentou: “No exterior ainda persiste essa imagem do acidente nuclear, mas, assim como Levi viu na prática, Fukushima está se recuperando. O J-Village será o ponto de partida do revezamento da tocha olímpica. Gostaria que se lembrassem do estágio quando assistirem esse momento pela televisão”.

Durante a reunião

Como representante dos estagiários, Levi recebeu do governador Uchibori um presente da província e, logo após, cada estagiário entregou um presente. Ao final, tiraram uma foto em grupo. Na reunião para troca de ideias, além de funcionários da Seção de Assuntos Internacionais, participaram também Koichi Ooshima, gerente do Departamento do Meio Ambiente, e Katsuzo Niizeki, supervisor de políticas do Departamento de Vida e Meio Ambiente.
Ágatha respondeu com surpresa sobre sua impressão do estágio: “Eu tinha ouvido falar sobre a reconstrução [da província], mas os grandes esforços de cada local que visitamos foi maior do que imaginava”. Gabriel Cristian Kase, terceira geração de 24 anos vindo da Argentina, descreveu sua satisfação: “Foi um excelente estágio, pois vi os esforços de reconstrução sob vários ângulos”.
A administração provincial espera que os boatos sobre Fukushima sejam esclarecidos nos países de origem dos estagiários. Indagado sobre a divulgação de informações ao retornarem a seus países, Levi respondeu com entusiasmo: “Pretendo divulgar nas redes sociais e em palestras sobre o estágio”.
Durante a troca de ideias sobre as atividades das associações provinciais de cada país, a do Brasil relatou intenso trabalho. Por outro lado, muitas associações de outros países relataram o envelhecimento e a diminuição dos associados e poucas atividades. Ágatha disse que pretende pôr em prática o que aprendeu durante o estágio: “Os piqueniques da associação provincial do Havaí parecem divertidos”.
Após a visita ao aquário Aquamarine Fukushima no último dia de estágio, no dia 31, o grupo dirigiu-se para o Aeroporto de Narita. Tristes pela despedida com os colegas com quem conviveram por dez dias, eles trocaram informações de contato e retornaram para seus países.
Levi relembra a impressão negativa que tinha antes: “Antes de vir a Fukushima, tive medo porque meu amigo sempre me perguntava porque eu estava indo para lá. Na internet, só se via notícias ruins”.
Mas agora é diferente. Ele disse, com brilho no olhar: “Foi muito bom participar deste estágio. O governo e a população de Fukushima estão unidos e mantêm seus esforços para reconstruir a província, além de avançar no desenvolvimento tecnológico. Também foi bom porque descobri minhas raízes. Mesmo depois de retornar ao Brasil, quero divulgar informações positivas e visitar novamente o Japão”.
Ágatha também relata, com um sorriso no rosto: “Fukushima é muito mais bonita e fácil de se viver do que imaginava. O que mais me marcou foi a região de Aizu. Vi neve pela primeira vez e andei de trenó. O Brasil tem suas dificuldades para responder a desastres, então foi maravilhoso ver que, em Fukushima, o governo está trabalhando para reconstruir a província. Quero divulgar a todos sobre esses esforços após retornar ao Brasil”.

A pedido da província de Fukushima, esta série de reportagens será traduzida para o português e publicada no Jornal Nippak. Além disso, está prevista a publicação de parte dela no jornal Estado de São Paulo, divulgando amplamente na sociedade brasileira o que foi visto neste estágio.
Certamente, até o próximo 11 de março, os olhares para Fukushima, tanto da comunidade nikkei quanto da sociedade brasileira, serão mais gentis.
(Repórter Akiko Arima)

 

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Site Estação de Revitalização de Fukushima
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