Cultura Japonesa Vol. 8 – Conde Koma – disseminando a arte marcial japonesa no Brasil

Os pioneiros da história da imigração

Conde Koma

Lutador legendário


Texto original em japonês de Gôta Tsutsumi
Referência: “Fuhai no Kakutōō Maeda Mitsuyo Den” (Biografia de Mitsuyo Maeda, Lutador Invicto) – Norio Koyama; “Conde Koma Monogatari” (História do Conde Koma) – Kenji Sannohei; “Sekai Ōkō Judō Mushashugyō” (Cruzando o Mundo para Aperfeiçoar a Técnica do Judô) – Correspondências de Mitsuyo Maeda, Edição Zan’um Susukida); “Amazon Kaitaku no Senkusha Tachi” (Os pioneiros do desbravamento da Amazônia) Takeo Nagao; Jornal Folha do Norte; “Maeda Mitsuyo Conde Koma no Shōgai” (A vida de Mitsuyo Maeda, o Conde Koma) – Kinsaku Maeda, Ginji Yamamoto, Seiichi Takahashi; Revista comemorativa dos 70 anos do Atlético Rio Negro

Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8, de junho de 2018


 

 

                Mitsuyo Maeda – Conde Coma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os praticantes de judô e jiu-jitsu do Estado do Pará planejam realizar, no ensejo da comemoração dos 110 anos da imigração japonesa no Brasil (2018), um evento em homenagem a Conde Koma, lutador legendário que faleceu antes da guerra em Belém. Esse ano coincide também com o do aniversário de 140 anos do nascimento de Conde Koma.

Trata-se de Mitsuyo Maeda, que em 1904, saiu do Kōdōkan para ir aos Estados Unidos divulgar o judô. Depois, viajou pelo mundo enfrentando lutadores de diversas modalidades, registrando 2000 vitórias em sua vida. Lutador extraordinariamente forte, sua técnica apurada quando golpeava seus adversários lhe valeram o apelido de Conde, adquirido na Espanha. Finalmente, resolveu fixar-se em Belém onde dedicou integralmente os últimos anos da vida aos imigrantes japoneses.

A semente da arte marcial japonesa lançada por Maeda na Amazônia criou e estendeu raízes na forma do jiu-jitsu brasileiro (jiu-jitsu de Hélio Gracie). A fama do Conde Koma persiste ainda hoje entre praticantes de todas as formas de luta, tanto no Brasil como no exterior.

 

A decisão de fixar residência em Belém

 

Em 24 de outubro de 1915, 14 anos antes do início da imigração japonesa na Amazônia, o legendário Conde Koma – ou seja, Mitsuyo Maeda, faixa preta de 4º grau do Kodokan, veio parar em Belém, Estado do Pará, depois de perambular pelo mundo.

Nesse dia, a cidade de Belém, situada no estuário do Rio Amazonas, fervilhava por causa da comemoração do Círio de Nazaré, a maior festa religiosa da Amazônia. Pés verdejantes de manga se alinhavam a perder de vista nas principais avenidas da cidade, e prédios elegantes de construção europeia se erguiam em áreas próximas ao porto. Essa cidade tropical agradou Maeda à primeira vista, tanto que, tendo ido uma vez a Manaus competir, regressou imediatamente a Belém.

Alguns companheiros acompanhavam então o Conde Koma: Shinshiro Satake, faixa preta de 4º grau e colega do Kodokan e outros lutadores japoneses, Okura e Laku. Essa comitiva realizou a primeira luta em Belém três dias depois de chegar à cidade. O jornal Folha do Norte desses dias dá a entender que a fama de Conde Koma já era então conhecida em Belém. A reportagem se refere a ele como “o Hércules japonês”, quem sabe impressionado pela invencibilidade dele.

A Companhia de Navegação Booth inglesa mantinha naquela época rota marítima de Liverpool e Nova Iorque a Belém. Navios dessa companhia transitavam pelo porto periodicamente uma vez ao mês. Assim, essa cidade da Amazônia se achava ligada diretamente à Europa e ao continente norte-americano, e não é de se estranhar que a fama de Conde Koma tivesse chegado até Belém.

A luta seria realizada em um estádio denominado Bar Paraense. O organizador oferecia um prêmio de 5000 francos ao vencedor. A moeda no Brasil nessa época era o Real. O Franco era uma moeda de algum país europeu. Quem sabe essa moeda houvesse sido escolhida para premiar lutadores internacionais, por possibilitar câmbio em qualquer país. É de se notar também que o pôster anunciando a luta posterior em Manaus, logo depois de Belém, está escrito em inglês.

Poster do torneio em Manaus

Aparentemente, assim foi feito porque em Manaus de então, existiam diversas empresas estrangeiras como a “Companhia Amazonense de Navegação a Vapor”, a “Companhia de Telecomunicações da Amazônia”, a “Empresa de Bondes e Iluminação Elétricos de Manaus”, além da empresa americana “Companhia Ferroviária Madeira-Mamoré”. A propaganda seria dirigida aos empregados residentes dessas empresas de capital estrangeiro.

As disputas de luta corporal constituíam então evento festivo da sociedade elegante, daí porque, quem sabe, o invencível Maeda tivesse sido admirado como “Conde”. Tendo conquistado vitória esmagadora em dezembro desse ano em Belém, a comitiva de Maeda se dirigiu a Manaus, 1600 km rio Amazonas acima. O palco da disputa foi o Estádio Politeama, nessa cidade outrora rica em virtude da economia da borracha. O edifício desse estádio pode ainda hoje ser visto. Maeda permaneceu nessa cidade por 20 dias, aproximadamente, e se despediu da comitiva para regressar a Belém. Okura e os outros foram para Inglaterra para enfrentar novas lutas, e Satake permaneceu em Manaus. Satake e Maeda não apenas haviam sido colegas de estudo na Universidade de Waseda, no Japão, como também tinham vivido juntos dias difíceis em Nova Iorque.

Satake passou depois a ensinar jiu-jitsu no famoso clube desportivo Atlético Rio Negro de Manaus. Ao mesmo tempo, abriu um consultório de massagens nas dependências de uma farmácia localizada no centro comercial da cidade. E, fato curioso, fundou um time de beisebol no clube. Como dissemos atrás, residiam muitos americanos em Manaus, e ao que parece, Satake, aficionado do beisebol, fundou o time com americanos.

Pode-se dizer que esse foi o time de beisebol pioneiro no Brasil. (Consultando os registros, foi Setsuo Yazaki, imigrante do Kasato Maru, quem incentivou a criação do time. Em setembro de 1916, esse time realizou sua primeira partida em São Paulo). Mitsuyo Maeda voltou sozinho para Belém. Resolvera fixar residência na cidade e buscar sustento ensinando jiu-jitusu e exercendo quiropraxia. Naturalmente, subia para o ringue sempre que houvesse quem o desafiasse.

Local onde realizavam torneios de combate em Belém

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aos Estados Unidos,
para divulgar o jiu-jitsu

 

Maeda deixara o Japão 12 anos antes, em 1904, aos 25 anos de idade. Cumpria a importante função de assistente de Tsunejiro Tomita, 5º grau, discípulo graduado de Jigoro Kano, mestre do Kodokan, de quem recebera a missão de divulgar o Kodokan nos Estados Unidos. Para essa viagem, Tomita fora promovido a 6º grau e Maeda, a 4º grau. Nessa época, Maeda já era lutador excepcional, e integrava o famoso “trio de Kodokan” com mais outros dois lutadores do seu porte. Mostrava predileção particularmente pelo tsurikomigoshi e pelo haraigoshi, seus golpes preferidos.

Aprendera a lutar sumô na infância com o pai, e na fase de estudante de escola primária, exibia força física excepcional: segundo dizem, era capaz de carregar duas sacas de arroz. Natural do município de Nakatsugaru (atual cidade de Hirosaki), Província de Aomori, Maeda buscou a capital para ingressar na Escola Secundária de Waseda, e progredir depois para a Escola Especializada de Tóquio (atual Universidade de Waseda), ingressando na academia de Kodokan aos 19 anos, em 1897. Nessa academia, Maeda emergiu da condição de lutador anônimo ganhando notoriedade instantânea ao vencer na competição mensal dos principiantes sem graduação no ano seguinte ao do ingresso.

Inicialmente, Maeda entrou no grupo dos portadores de faixa branca e derrubou 5 ou 6 adversários. Nesse mesmo dia, competiu contra veteranos de faixa violeta e venceu-os a todos. No dia do Ano Novo do ano seguinte, em 1899, foi promovido a faixa preta do 1º grau. Derrotou 14 ou 15 oponentes em um só dia em competição de três lutas, marcando sua iniciação com um desempenho impressionante.

Em outubro desse mesmo ano, em uma competição entre equipes, conquistava o 2º grau. A promoção a 2º grau em um ano era caso raríssimo. E a partir de 1901, quando promovido a 3º grau, ele passara a desempenhar a função de instrutor de judô na Universidade de Waseda, Escola Infantil do Exército, Gakushū-in, Escola Superior de Ensino e no Colégio Ikkō, por instância de Jigoro Kano, fundador da academia Kodokan. O momento decisivo do futuro de Maeda chegou em 1904.

Jigoro Kano decidia enviar aos Estados Unidos Tsunejiro Tomita, membro mais antigo da sua academia, para suceder Yoshitsugu Yamashita, 6º grau, que lá se achava para divulgar o judô naquele país. Tomita estava com 40 anos nessa época e se retirara já da frente das atividades. Vivia em Nirayama, sua terra natal, onde se tornara professor de inglês e ao mesmo tempo instrutor de judô. Kano decidia designar o valente Maeda para acompanhar Tomita como assessor.

Assim, partiram de Yokohama em 16 de novembro desse ano para cruzar o Pacífico a bordo do Iyo Maru, navio do Nippon Yusen. Entre fevereiro de 1904 a outubro do ano seguinte, o Japão decidia a sorte nacional enfrentando a poderosa Rússia em uma guerra sem precedentes. É de se supor que Tomita e Maeda estivessem particularmente exaltados nesse período, quando receberam a missão de divulgar o judô em terras completamente estranhas.

A primeira luta de Maeda após chegar aos Estados Unidos se deu em janeiro de 1905, na Academia Militar de West Point em Nova Iorque – uma luta de apresentação do judô. Os acontecimentos desse dia estão registrados no livro “Sekai Ōkō Judō Mushashugyō” (Viagem de Adestramento do Judô pelo Mundo) editado em 1912, do qual reproduzimos uma passagem:

“Nesse dia, a convite do coronel representante do diretor da Academia, compareciam em uma carruagem Uchida, cônsul geral em Nova Iorque, Tomita, 6º grau e Maeda, 4º grau. Tiros de festim foram disparados em saudação aos convidados no momento em que a carruagem chegava ao portão da Academia. A comitiva tendo à frente o cônsul geral Uchida desembarcou da carruagem envergando fraques e cartolas. Foram saudados por gritos de viva dos estudantes enfileirados diante do portão”.

O exército japonês havia então tomado a cota 203 e dominado Port Arthur na guerra russo-japonesa. Presumivelmente, a Academia pretendia demonstrar máximo respeito pelo bom desempenho do Japão, país minúsculo, na guerra contra a Rússia, potência mundial.

Mas a exibição realizada nesse dia teve um desenvolvimento imprevisto. Tomita e Maeda realizaram uma demonstração de técnicas e posturas, mas os estudantes não gostaram. Achavam que se tratava de imitação de acrobacia, e protestavam. Decidiu-se assim que se faria uma demonstração real da técnica lutando contra alunos.

O adversário de Maeda era um estudante campeão de luta-livre, com mais de 1,80 m de altura. Maeda, com 1,64 m, não era tão baixo assim para os padrões dos japoneses por volta da Era Meiji, mas perante o adversário, parecia criança lutando com adulto. O adversário recorria à força bruta e atacava às cegas. Maeda o derrubava com koshinages e ashibarais, mas ele se erguia de imediato e voltava a atracar.

Maeda tomou proveito do ímpeto do adversário para aplicar tomoenage, e em seguida, entrou em luta de chão, mas foi subjugado pelo adversário que girou o corpo e o dominou por cima. Maeda então procurou partir para o estrangulamento com as golas do quimono, mas nesse instante, a plateia irrompeu em aplausos e começou a se agitar.

Maeda se ergueu intrigado, pensando que o estrangulamento desagradara o público. E então decidiu de vez a luta arremessando o adversário e o imobilizando com os braços em cruz. Entretanto, pelas regras do juiz, perdia quem encostasse as costas no tablado. Assim, a luta já havia sido decidida no instante em que Maeda estivera sob o adversário. Maeda não conhecia essa regra, e prosseguira lutando, levando a plateia a agitar-se.

Nesse dia, Tomita não devia participar de lutas de demonstração. Mas diante da indefinição na luta de Maeda, os estudantes, insatisfeitos, arrastaram-no para a luta, já que ele era mais graduado que Maeda. Tomita conseguiu de alguma forma derrubar o primeiro adversário, mas o segundo, um aspirante a oficial jogador de futebol americano, lhe deu muito trabalho.

Era um gigante com quase o dobro da sua estatura. A custo, Tomita conseguiu arrancar um empate, mas a luta se transformou em uma demonstração de força do adversário, deixando má impressão. Maeda acabou passando por um amargo batismo em uma luta contra adversários de outra modalidade que o judô. É de se supor que o cônsul geral Uchida que os acompanhara tivesse ficado bem decepcionado.

Por sinal, esse cônsul Uchida, de Nova Iorque, viria se envolver posteriormente com a emigração japonesa no Brasil. Tratava-se do diplomata Sadakichi Uchida, transferido em dezembro do ano seguinte à legação japonesa no Brasil. Não existia ainda embaixada japonesa no Brasil. A legação japonesa foi instalada em 1897, tendo Sutemi Chinda por primeiro diplomata nomeado. Uchida foi o quarto diplomata.

Uchida tomou posse em 1906, quase um ano ates da chegada ao Brasil dos imigrantes do Kasato Maru. Esse histórico personagem que recebera a primeira leva dos imigrantes japoneses no Brasil fora testemunha da primeira luta do lendário lutador conhecido por Conde Koma. Curiosa obra do destino.

 

Enfrentando lutadores
de diversas outras modalidades

 

Maeda abrira academia em Nova Iorque e procurava divulgar o judô na cidade, mas a vida não lhe era nada fácil. Talvez premido pela necessidade de ganhar vida, ou quem sabe para provar suas habilidades reais em judô, Maeda ingressou no mundo das lutas premiadas contra lutadores de outras modalidades.

Academia de Maeda em Boston

O primeiro adversário que enfrentou em julho de 1905 foi um gigantesco lutador de luta livre, conhecido por Butcher, com 1,80 m de altura e pesando 112 kg. Maeda venceu-o na primeira luta com um arremesso e na segunda, com uma chave de braço. Nessa luta, Butcher teve o ligamento do braço ferido pelo golpe de Maeda. Ganhando confiança com a vitória, Maeda enfrentou sucessivos valentões que vinham desafiá-lo. Arremessava lutadores de boxe e de luta-livre ao tablado, e se viu transformado em herói em um instante. Dizem que os japoneses residentes em Nova Iorque acorriam para torcer por ele, incentivando-o com gritos de entusiasmo.

Maeda voltou então os olhos ao mundo, procurando disputas na Inglaterra, Bélgica, Espanha, Cuba e México. Já em 1910, dirigiu seus passos para as Américas Central e do Sul. Passando pela América Central, buscou o sul indo para Peru, Bolívia e Argentina.

Retornando ao norte, desembarcou em Santos, no Brasil, em 14 de novembro de 1914. Depois disso, deixou Santos e por via marítima seguiu para as cidades litorâneas de Salvador e Natal, para chegar enfim a Belém, cidade principal da Amazônia, um ano após desembarcar em Santos.

 

A energia dos últimos anos
dedicada integralmente à colonização

 

Em Belém, Maeda ficou conhecido como Doutor Conde Koma e foi recebido com respeito por todos. O falecido Hajime Ōtake (falecido em setembro de 2009 aos 97 anos), que conheceu Maeda, disse, recordando a época:

– “O senhor Conde costumava frequentar o escritório do Nantaku, sempre com chapéu Panamá sobre a cabeça e envergando terno de linho branco impecável. Mesmo depois que se aposentou das lutas, quando caminhava pela rua, costumava sempre dobrar as esquinas em curva bem larga, por precaução. Nunca deixou de ser o cultor de artes marciais que era a vida inteira.”

Escreveu também sobre Maeda Takeo Nagao, funcionário residente do Consulado Geral de Belém enviado pelo Ministério da Colonização do Japão do período pré-guerra:

– “Quando o senhor Conde passava pela cidade de Belém, todos o cumprimentavam, nem tinha tempo de deixar o chapéu na cabeça.”

As damas dessa época, ao que parece, não tinham o hábito de trabalhar, e de costume, permaneciam à janela observando os transeuntes. Essas damas cumprimentavam o senhor Conde sempre que o viam passar, e ele respondia ao cumprimento descobrindo-se cavalheirescamente. O episódio permite constatar a personalidade e a popularidade do senhor Conde.

Maeda encontrou a Amazônia e acreditou ter descoberto a terra prometida dos japoneses, e decidiu fixar residência nessa terra. Isso porque a discriminação aos imigrantes japoneses que encontrou nos Estados Unidos quando lá esteve, bem como a tese do perigo amarelo que crescia entre os americanos, haviam ferido sua sensibilidade. Coisas como essas eram particularmente insuportáveis a Maeda, patriota orgulhoso da raça japonesa.

Diz ele em uma carta dirigida a Ryozo Sado, um amigo no Japão, em abril de 1931, dois anos após o início da imigração japonesa na Amazônia:

– “A decisão que tomei, de partir em viagem de adestramento, se deve à revolta que senti pela discriminação contra japoneses, o que me motivou a descobrir em algum lugar uma terra onde nossa raça pudesse se desenvolver.”

No período final de sua vida, Maeda se envolveria com a imigração japonesa à Amazônia, promovida por Dionísio Bentes, governador do Estado do Pará.

Maeda nos últimos anos de sua vida

Em 1926, Maeda foi receber, como membro do governo paraense, a primeira missão de levantamento da Amazônia promovida pelo governo japonês, chefiada por Hachiro Fukuhara, para acompanhá-la posteriormente nas viagens de inspeção. E em 1929, foi até Rio de Janeiro receber a primeira leva de imigrantes japoneses à Amazônia. Estava determinado. Dedicaria o restante da sua vida ao progresso do Japão e da imigração japonesa, e ao desbravamento da Amazônia. Na colônia de Acará (atual Tomé Açú), os trabalhos de desbravamento promovidos pela Companhia Nipônica de Plantação (Nambei Takushoku Gaisha – Nantaku) se achavam em crise. Ela havia sido provocada por causas entre outras como o desconhecimento da agricultura tropical e o surgimento de doenças tropicais. A insatisfação dos colonos com a Companhia se degenerava em disputas.

Em dezembro do quarto ano da chegada dos colonos, a malária contaminava mais de 3000 colonos. O número de pessoas que abandonavam a colônia crescia de ano para ano, atingindo o pico de 70 famílias ou 465 pessoas em 1939. Maeda, que participava dos trabalhos de imigração como inspetor da Companhia, se afligia diante desta inesperada situação. Viajava com frequência de Belém até o sítio da colonização para animar os colonos e dar-lhes conselhos, e procurava trabalho para aqueles que vinham a Belém.

Em 1931, a imigração se iniciava também no estado vizinho do Amazonas em sequência à de Acará, promovida pelo Instituto de Pesquisa Industrial da Amazônia (Kōtakusei). Nessa oportunidade, o Senado brasileiro questionou a doação do terreno de 1 milhão de hectares pelo estado ao Centro. Maeda resolveu politicamente o problema conversando diretamente com o governador do estado, de quem era amigo próximo.

Na Colônia de Acará, de onde a Companhia de Colonização se retirara, brotos de pimenta começavam a criar raízes e a juta cultivada pelos kōtakusei e outros obtinha sucesso. E Mitsuyo Maeda, o Conde Koma, encerrava a sua vida agitada aos 62 anos de idade, em 28 de novembro de 1941. Como que tranquilizado por esses resultados.

Túmulo de Maeda em Belém do Pará

 

 

 

 

 

 

 

 

“O povo em geral participou do funeral. O trajeto entre sua casa e o cemitério foi tomado por enorme quantidade de automóveis que vieram acompanhar o Conde Koma.” (Folha do Norte, edição de 29 de novembro de 1941) ❁

 


Capítulo extraído do livro Cultura Japonesa Volume 8.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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CULTURA JAPONESA 8
Os pioneiros da história da imigração

Edição: Editora Jornalística União Nikkey Ltda. – Jornal Nikkey Shimbun
Publicação: Biblioteca Jovem de São Paulo, de Junho de 2018

Biblioteca Jovem de São Paulo
Diretora: Lena Maki Kitahara
Colônia Pinhal, CxP 80- CEP 18230-000
São Miguel Arcanjo, SP

Redator-chefe: Masayuki Fukasawa
Autores: Koichi Kishimoto, Gota Tsutsumi, Masayuki Fukasawa, Shinji Tanaka
Tradução: Shintaro Hayashi
Revisão de tradução: Mitiyo Suzuki
Revisão português: Aldo Shiguti
ISBN: 978-85-66358-06-3

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