CORRENTE DO BEM: Movimento TaikoUnit realiza primeira ação social e beneficia entidades assistenciais

Com o presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-No-Sono, Sergio Oda (divulgação)

Idealizado em maio deste ano por um grupo de pessoas ligadas a grupos de taiko de todo o país, o movimento TaikoUnit realizou sua primeira ação social no último dia 11, véspera do feriado de Nossa Senhora de Aparecida e do Dia das Crianças. Esta primeira ação fez parte da Corrente do Bem coordenada por Lucas Oishi, que já acontece há cerca de 15 anos e que em abril deste ano já havia beneficiado quatro entidades assistenciais: Enkyo Sakura Home (Campos do Jordão); Assistência Social Dom José Gaspar “Ikoi-no-Sono”, de Guarulhos; Sociedade Beneficente Casa da Esperança Kibô-no-Iê, de Itaquaquecetuba), e o orfanato Casa do Pequeno Cidadão, de São Paulo.
Desta vez, com apoio do TaikoUnit, foram entregues 5,4 toneldas de produtos – desde mantimentos a materiais de limpeza e itens de higiene, frutas e cestas básicas – para as entidades: Casa do Pequeno Cidadão, Kodomo-no-Sono, Beneficência Nipo Brasileira de São Paulo -Enkyo (Unidade de Guarulhos – Casa de Repouso Akebono), Kibô-no-Iê e Ikoi-no-Sono.
Desde o início da campanha até a compra, higienização, triagem e empacotamento dos produtos, foram quase dois meses de planejamento.
Segundo Lucas, esta ação, apenas seis meses depois da primeira, foi uma forma de amenizar o sofrimento das entidades que encontram dificuldades por conta do prolongamento da pandemia do novo coronavírus. “Sabíamos que, pelo curto espaço de tempo entre uma ação e outra, teríamos mais dificuldades quanto à captação de recursos”, conta Lucas.

Missão – Daí surgiu a ideia de envolver TaikoUnit, um movimento que nasceu durante a pandemia com a missão de “semear um futuro sustentável para contribuir na disseminação da cultura japonesa no Brasil, conectando pessoas através de valores e ações de impacto para a sociedade”.
A criação do Unit – Unir pessoas com Norte de Inspirar através dos valores do Taiko – aconteceu no dia 18 de maio e contou com a adesão de cerca de 45 grupos, incluindo do interior e de outros Estados, como o Paraná.
“O Brasil conta com vários grupos de taiko e a ideia é usar o taiko como ferramenta para aproximar as pessoas durante o distanciamento social para trocar de experiências”, explica Yohann Assay da Silva, do Nisshindaiko, de Itapetininga (SP), grupo que existe desde 2004.

Desafiador – Para ele, participar desta primeira ação social foi “desafiador” e “gratificante”. “No início não sabíamos como iríamos abordar nem como seríamos interpretados”, conta Yohann, destacando que, entre pessoas ligadas ao novo movimento e simpatizantes, a ação mobilizou cerca de 40 participantes.
“Acabei conhecendo muitas pessoas novas que até não conhecia. E o mais bacana é que cada pessoa tem uma habilidade e um talento diferente que precisam ser unidos”, diz Yohann, acrescentando que o movimento quer “unir as pessoas de vários grupos para discutir valores que levam consigo e como aplicar esses valores dentro dos diferentes grupos”.
Para o segundo Izumu Honda, vice-presidente do Ikoi-No-Sono – uma das entidades beneficiadas – a ação teve um significado especial. “Eles conseguiram unir o talento que têm para o taiko para promover uma ação. O mais importante foi este pontapé inicial tamanha a sinergia que a Associação Brasileira de Taiko tem e pode utilizar isso como instrumento de mudanças”, sugere Izumu. E ele fala com conhecimento de causa.
Ex-coordenador do Kyorakuza, de São Bernardo do Campo (Região do ABC) – grupo que conquistou o título do 1º Campeonato Brasileiro de Taiko promovido pela ABT, em 2004 – e ex-apresentador dos festivais da mesma ABT – Izumu conta que o “mais legal é que, no dia da entrega, tinha pessoas de Curitiba, de Londrina e de São Carlos, entre outras localidades.

Felicidade – “É diferente porque eles estão aplicando o que aprenderam no taiko e isso pode fortalecer ainda mais o desenvolvimento da prática e servir para inspirar e multiplicar outras ações como essas entre os jovens. Dava para ver a felicidade estampada no rosto de cada um deles”, disse Izumu, explicando que, “no final, ainda tivemos direito a um agradecimento especial que encerra as apresentações de todos os grupos de taiko”.

Correntes do bem – Segundo Izumu, são essas correntes do bem que ajudam a enfrentar e a superar as dificuldades. Entre os 58 residentes – hoje com idade média de 87 anos – que encontram-se na instituição, não houve nenhum óbito por Covid-19. “Tivemos apenas um caso que testou positivo em setembro mas a pessoa já está recuprada. Isso significa que os protocolos que nós adotamos foram seguros e eficazes”, disse Izumu, lembrando que, tão logo foi decretado a quarentena no estado de São Paulo, a diretoria do Ikoi-No-Sono liberou os residentes que tinham condições para retornarem para o convívio com seus familiares.
“O retorno está sendo feito gradativamente e com a ajuda do Hospital Santa Cruz, que está testando os residentes para o Covid-19, gratuitamente para que eles voltem com segurança”, diz Izumu, explicando que a equação diminuição de custos – com a dispensa temporária de alguns funcionários do grupo de risco – e a o aumento de doações, resultaram num balanço positivo para o Ikoi-no-Sono. “O volume de doações que estamos recebendo é algo inacreditável. Estamos conseguindo nos manter bem graças a essas doações e essas correntes do bem”, explica Izumu.

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