CONFRA BRASIL HONDA 2020: Com vice-ministro do Japão e recordes, 24ª Confra tem elogios e domínio brasileiro

(Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Passava das 21 horas de domingo, 16, quando Joe Hirata entrou no ginásio da instituição religiosa Perfect Liberty (PL), em Arujá (SP), acompanhado de tocadores do Requios Gueinou Doukoukai, das alunas da academia Omine Hatsue Ryubu Dojo e das dançarinas da academia Cecilia Zeminian para interpretar a música tema da Confra Brasil Honda 2020. Foi, como se costuma dizer, a “cereja do bolo” de uma programação que teve início no dia 13, com a realização dos Congressos dos Dirigentes e o Técnico.
O Brasil sediou a Confra, como é conhecida a Confraternização Desportiva Internacional Nikkei – que este ano chegou a sua 24ª edição – pela sétiva vez. A última vez que isso aconteceu foi em 2008, quando a 18ª edição integrou calendário oficial de comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.
Este ano, foram cerca de 1180 atletas de oito países participantes – Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, México, Paraguai, Peru e Japão, que participou como país convidado. Destes, mais de 500 eram estrangeiros que disputaram 13 modalidades: atletismo, beisebol, boliche, futebol de salão, golfe, gueitebol, judô, karatê, natação, taekwondo, tênis de mesa, tênis de campo e vôlei.
Como explica o presidente da Comissão Organizadora da Confra 2020 e chefe da delegação brasileira Valter Sassaki, um recorde tanto em quantidade de atletas participantes – e de estrangeiros presentes em uma única competição – e também de modalidades esportivas.
Fora das quadras, o destaque foi a presença do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Keisuke Suzuki na cerimônia de abertura. Foi a primeira vez que uma autoridade japonesa deste escalão prestigia a Confra em 52 anos de história.Ele esteve acompanhado do chefe da Divisão da América Latina e Caribe do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, Norifumi Kondo; do oficial Jiro Takamoto e do secretário Masaysu Yoshida.

Abertura – Realizada na noite de sexta-feira, 14, no ginásio da instituição religiosa Perfect Liberty, a cerimônia de abertura contou também com a presença do cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi, da cônsul do Japão para Assuntos Políticos e Gerais, Reiko Nakamura, do vice-cônsul Kenji Iwashima, do prefeito de Arujá, José Luiz Monteiro; do presidente da Associação Pan-Americanca Nikkei, Fernando Suenaga, do presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikawa; do presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui; do presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio; e do presidente da Associação Pan-Americana Nikkei-Brasil, Noritaka Yano, além de diretores do Nippon, entre eles, Koitiro Hama, Rubens Kamoi e Sadao Kayano, e mebros da Comissão Organizadora.

Valter Sassaki (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Olmpíada – Em seu discurso de abertura, Valter Sassaki destacou “a feliz coincidência que, no mesmo ano que a comunidade nikkei pan-americana esteja promovendo uma Confra, o Japão esteja sediando uma Olimpíada, o maior evento esportivo do mundo”. “Com certeza, os valores da cultura japonesa estarão sendo divulgados e valorizados com estes dois importantes eventos esportivos”, disse Sassaki, lembrando que o esporte tem o grande poder de promover a paz, o bem estar e a saúde e proporcionar alegrias, empolgação, além de ser captalizador dos melhores sentimentos do mundo, como arma para combater a intolerância”. “E é o instrumento mais eficaz para se construir um mundo melhor. E as Confras propiciam exatamente esse ambiente, onde o importante não é só competir, mas se confraternizar e estreitar as relações de amizade, principalmente entre os jovens nikkeis de diferentes países”, explicou Sassaki, que agradeceu o presidente da instituição religiosa Perfect Liberty, Tsuguo Kumahara, “pela parceria e cessão das magníficas instalações, como o ginásio – palco da abertura e do encerramento – e o alojamento, que hospedou mais de 800 atletas.

Keisuke Suzuki – Ele estendeu um agradecimento aos patrocinadores, em especial a Honda e a Fundação Kasuga, do México – patrocinadores masters que viabilizaram a realização da Confra 2020 e finalizou sua fala com uma frase famosa dita pelo Barão de Coubertin de que “o importante não é ganhar, mas sim participar. E participar com garra e determinação, sobretudo com lealdade e dignidade”.

Renato Ishikawa (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa deu boas vindas às delegações participantes enquantro o prefeito José Luiz Monteiro destacou o orgulho do município em receber a competição e por abrigar o Nippon Country Club, o maior clube nikkei das Américas, e a instituição religiosa Perfetct Liberty
Já o presidente da Associação Pan-Americana Nikkei, Fernando Suenaga, felicitou o Nippon Country Club e a Comissão Organizadora da Confra Brasil Honda 2020 lembrando que o objetivo do evento é promover a união, a amizade, a integração e a cooperação mútua entre os países participantes.

Vice-ministro Keisuke Suzuki (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Por fim, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Keisuke Suzuki, lembrou que a primeira edição da Confra foi realizada em 1968, em São Paulo, mesmo palco da 24ª edição. Ele destacou que os imigrantes japoneses que vieram para a América Latina enfrentaram muitos obstáculos mas que no ano passado o Japão deu início a Era Reiwa e espera que esta nova era traga harmonia para os povos. E concluiu esperando que a Confra fortaleça os laços entre os países participantes.

Favoritismo – Nos três dias de competição, o que se viu nas dependências do Nippon foi um intenso movimento de atletas. No final, confirmando o seu favoritismo, a equipe brasileira mais uma sagrou-se campeã geral da competição ao conquistar a primeira colocação em 11 das 13 modalidades – só não venceu no karatê e no taekwondo, que tiveram vitórias peruanas. O Peru ficou com a segunda colocação na contagem geral.
No futsal, uma bonita homenagem póstuma a Toshiaki Tamae pelos 11 anos de dedicação e empenho na Diretoria de Futebol da Confra. A placa, assinada pelo presidente da Liga Nipo-Brasileira de Futsal, Yoshio Imaizumi; pelo presidente da Confra, Valter Sassaki e pelo coordenador geral, Wagner Vilela, foi entregue a víúva, Sônia Tamae, em clima de muita emoção.

Balanço – Em seu balanço ao Jornal Nippak, Valter Sassaki disse que o domínio brasileiro é “satisfatório”, mas, em contrapartida, não é muito “confortável” para competição “porque pode tirar a motivação dos outros países participantes”.
No entanto, Sassaki admite que o resultado não poderia ser outro pelo tamanho da comunidade nipo-brasileira em comparação às demais comunidades estrangeiras. “O Brasil é o pais que concentra a maior comunidade de japoneses e seus descendentes fora do Japão e em alguns esportes, principalmente os coletivos, conseguimos montar até duas equipes enquanto outros países tem dificuldades em montar um time”, diz Sassaki, explicando que, deste ponto de vista, torna-se até uma “obrigação ganharmos em alguns esportes”.

Diferenciada – Segundo ele, a organização – perfeita na opinião dos representantes das delegações participantes – também era uma questão de honra. “Esta foi a melhor Confra nos 52 anos de história da competição. E não sou eu que estou dizendo, mas os representantes das delegações. Não vejo isso como um mérito pessoal da nossa Comissão Organizadora – que, claro, trabalhou com muito afinco e dedicação nesses dois anos –, mas o Brasil tem uma condição diferenciada, tem o Nippon Country Club, que oferece uma estrutura que possibilita acolher melhor todos os participantes porque das 13 modalidades dez foram realizadas dentro do Nippon. Além disso, contamos com o nosso parceiro, a instituição religiosa Perfect Liberty, que tem um alojamento para mil pessoas e fica bem pertinho do Nippon”, disse Sassaki, lembrando que apenas o atletismo (Arena São Bernardo do Campo), golfe (Arujá Golfe Clube) e boliche (Internacional Shopping de Guarulhos) foram realizados fora do clube.

Omotenashi – “Somando as duas infraestruturas é lógico que a gente sai na frente do que qualquer outro país, sem contar a participação de voluntários – cerca de 250 nesta edição. Alguns países, em que a comunidade é pequena, não se consegue mobilizar mais que 20 voluntários”, observa Sassaki, acrescentando que “a sensação é dever bem cumprido”.
“Tínhamos obrigação de fazer um evento melhor e saímos exatamente com essa sensação, não só em termos competititvos como fora das quadras também. Ou seja, nossa preocupação, desde o início, foi quanto à acolhida das delegações estrangeiras, em como receber bem os dirigentes e atletas – ou o que chamamos na cultura japonesa de ‘omotenashi’. Esse foi o lema que adotamos desde o início, tão logo terminou a Confra realizada no Chile, em 2018. Trabalhamos para que as pessoas fossem bem atendidas e retornassem aos seus países de origem com uma impressão positiva do Brasil e da comunidade nikkei”, disse Sassaki, destacando que “até porque não é exatamente um evento barato”.
“Para um estrangeiro vir até aqui tem que desprender um valor bastante alto. Isso mostra que o evento tem atratividade e nos motiva mais porque você tem obrigação de atender bem essas pessoas”, conta o presidente, afirmando que outro motivo de orgulho é manter essa longevidade sendo fiel às raízes. “Por enquanto ainda conseguimos manter um evento cem por cento nikkei, mas é claro que chegará um dia, mais lá para frente, que teremos que abrir também para os não descendentes”, antecipa.

Shimabukuro vibra com a segunda colocação do Peru (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Extraordinário – Se depender do presidente da Aelu (Asociación Estadio La Unión) e chefe da delegação peruana, Jimmy Shimabukuro, e do chefe da delegação argentina, Lucas Coscarelli, o esforço valeu a pena. Coscarelli, que trouxe uma delegação com 160 atletas e dez dirigentes, a organização foi “perfeita”. Com uma comunidade de 65 mil nikkeis, ele explicou que a Argentina – sede da Confra em 2022 – vai trabalhar desde já com muita dedicação, energia e coração para receber bem todos os participantes “como fomos bem recebidos aqui no Brasil”.
Jimmy Shimabukuro também não poupou elogios à organização. “Foi extraordinário e estamos muito agradecidos ao Nippon Country Club e a coletividade nipo-brasileira pela organização perfeita deste evento, feito, sobretudo, com muito carinho, preocupação e amizade por parte dos organizadores”, disse Shimabukuro, destacando que o Nippon e a Aelu são entidades irmãs e mantém um intercâmbio há muitos anos.
“Assim como o Nippon, a Aelu também tem condições de sediar uma competição deste porte já que oferecemos 25 modalidades esportivas”, disse ele, explicando que a delegação peruana foi formada por 305 pessoas, sendo 200 atletas.

Recepção na Residência Oficial do Cônsul Geral contou com a presença do embaixador do Japão (Jiro Mochizuki)

Encerramento – Já no domingo, 16, na cerimônia de encerramento, o cônsul Yasushi Noguchi agradeceu a recepção ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, afirmando que Keisuke Suzuki ficou impressionado pela enorme presença de nikkeis presentes no evento. “Estou certo que ele vai levar essa experiência vivida na cerimônia de abertura aqui neste mesmo espaço”, observou Noguchi, esperançoso que todos tenham concretizado novas amizades.
Valter Sassaki agradeceu, primeiramente a Deus, “por ter nos proporcionado quatro dia maravilhosos, com muito sol, depois de uma semana inteira de muita chuva e inundações em São Paulo”. Agradecendo a todos que colaboraram e participaram direta ou indiretamente para a realização da 24ª Confra, Sassaki se despediu com outra frase, desta feita do ex-jogador de basquete Michael Jordan: “as derrotas fazem parte dos percalços que todo atleta tem que percorrer até atingir as vitórias. São elas que nos motivam a treinar mais e a melhorar. A vida é assim: a gente tem que utilizar as experiências de hoje para tentar ser melhor amanhã”. E concluiu com um “hasta luego, nos vemos em Argentina daqui a dois anos”.
Após a cerimônia de premiação, Valter Sassaki passou a bandeira da Confra para a presidente do Comitê Organizador de 2022, Jenifer Oshiro. Em um breve discurso, ela agradeceu a hospitalidade e disse que a Argentina está pronta para receber a todos de braços abertos.

RESULTADO FINAL

AtletismoCampeão: Brasil; Vice: Peru
BeisebolCampeão: Brasil; Vice: Peru
BolicheCampeão: Brasil; Vice: Peru
Futsal Masculino Campeão: Brasil; Vice: Bolivia
Futsal FemininoCampeão: Brasil; Vice: Argentina
GueitebolCampeão: Brasil; Vice: Bolívia
GolfeCampeão: Brasil; Vice: Bolívia
JudôCampeão: Brasil; Vice: Peru
KaratêCampeão: Peru; Vice: Paraguai
NataçãoCampeão: Brasil; Vice: Peru
TaekwondoCampeão: Peru; Vice: Brasil
Tênis de CampoCampeão: Brasil; Vice: Peru
Tênis de Mesa Masculino Campeão: Brasil; Vice: Argentina
Tênis de Mesa FemininoCampeão: Brasul; Vice: Peru
Vôlei MasculinoCampeão: Brasil; Vice: Peru
Vôlei Feminino: Campeão: Brasil; Vice: Paraguai
Total Geral Campeão: Brasil; Vice: Peru

QUADRO DE MEDALHAS

Campeão: Brasil (14 medalhas de ouro e 1 de prata); Vice: Peru (2 medalhas de ouro e 8 de prata); 3) Bolívia (3 medalhas de prata)

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