CANTO DO BACURI > Mari Satake: Esperança, São Paulo, esperança

Aleluia! Sim. Aleluia, alegria! Apesar das pesquisas anteriores a 15 de novembro, não nos apontarem a certeza de um segundo turno em São Paulo entre a esperança e o cansaço. Venceu a esperança. Temos aqui em São Paulo o que as pesquisas não evidenciavam, o segundo turno entre Boulos e Covas.
Nos canais da tv aberta vemos alguns debates, as campanhas eleitorais. Quase tudo conduzido nos velhos modelos.
De um lado, temos um prefeito que afirma categoricamente ser contra a reeleição e, no entanto, está aí pleiteando um novo mandato. Amparado no nome herdado do velho político, tenta posar de bom administrador, mas basta andar pela cidade para constatar que a cidade que ele diz administrar não é, nem de longe, a cidade real em que vivemos nestes últimos tempos. É verdade que temos uma ou outra ação, neste ou naquele ponto, visando alguma melhoria, mas nada que não evidencie seu objetivo eleitoreiro. Trata a população da cidade, como se fossem tolos úteis a lhe darem votos, apesar do desprezo com que a vem tratando nestes duros tempos de pandemia. Segue uma cartilha de modelo econômico que já está rota, ultrapassada. Já era ou melhor, nunca foi. Acredita que a cidade deve servir para uma minoria de pessoas que possam pagar para entrar nos parques, nas praças e outros bens públicos e não para o bem viver de todas as pessoas que nela vivem. No que diz respeito à educação, pergunta para quê construir uma escola se pode comprar vagas de alguma escola particular já existente. Trata a educação como se fosse uma mercadoria qualquer. Quanto à saúde pública, não é necessário ser profissional da área da saúde para saber que em tempos de pandemia como esta que estamos vivendo, as ações preventivas vão muito além da montagem dos grandes hospitais de campanha. O que a prefeitura atual fez?
De outro lado, temos Guilherme Boulos e sua vice Luiza Erundina. Luiza Erundina, dispensa comentários, seu exemplo de vida como ser que atua politicamente é inconteste. Como prefeita de São Paulo foi a melhor que a cidade já teve, apesar de todas as dificuldades que teve que enfrentar durante sua gestão. Guilherme Boulos, talvez seja um pouco menos conhecido pela maior parte da população brasileira. Como o atual prefeito também é jovem de idade. Porém, diferentemente de quem sempre usufruiu das benesses dos bem nascidos paulistas ou paulistanos, Guilherme Boulos muito jovem ainda optou por um estilo de vida diferente de seus colegas de classe social. Transferiu-se da rede privada de ensino para a rede pública. Depois, cursou Filosofia na USP e especialização em psicanálise. Assumiu como causa de sua defesa, a luta pelo direito à moradia e atualmente é um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores sem Teto, MTST. Nestes dias finais de campanha há quem tente utilizar a velha tática do medo, dizendo mentiras a respeito desta luta. Fiquem tranquilos, nem Boulos, nem Erundina farão a tolice de desejarem que a sua moradia seja compartilhada com algum sem teto.
O que Boulos e Erundina querem é devolver a cidade para os cidadãos. Não faz sentido a cidade mais rica do país, ter milhares de homens, mulheres e crianças viverem acampados nos espaços públicos, sem moradia, sem trabalho e sem comida. Não faz sentido o cidadão pagar os impostos e taxas que paga e ainda ter que pagar ingressos para frequentar os parques da cidade. Não faz sentido uma cidade que dispõe de um Sistema Único de Saúde como o existente atualmente no país, e seu atual prefeito fazer a defesa da privatização do mesmo.
Domingo próximo, dia 29 de novembro, é hora de dizermos basta a tudo isso e a muito mais que andam querendo nos impor. Vamos votar pela esperança. Vamos votar pela alegria de viver numa cidade progressista, onde possamos andar sem medo pelas ruas. É hora de retomar a cidade para os cidadãos. São Paulo pode e deve.

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