CANTO DO BACURI > Mari Satake: Dezembro de 2020

Sempre gostei do mês de dezembro, talvez pelo fato de ter nascido neste mês. Mas também, porque sempre restou em mim o gosto das fantasias infantis. No final do mês, teríamos as festas de Natal e Ano Novo, a família, apesar de minúscula, se reuniria. Apesar de há anos, achar que não havia a necessidade da troca de presentes entre todos, nunca deixei de cumprir a minha parte na brincadeira, sempre há as crianças. E as crianças esperam pelo momento. Não seria a desmancha alegria dos pequenos. Ir atrás dos presentes era tarefa árdua, sempre deixava para a última hora quase. E depois de adquiridos os objetos, munida dos materiais para embalar os mesmo s, fazer os embrulhos ou pacotes era tarefa bem divertida. Está certo que muitas vezes, acabava entregando com a embalagem da própria loja. Mas em casa, sempre havia o momento de juntar tudo para conferir se ninguém havia sido esquecido.
Este ano, será diferente. Parte da família não virá, outra parte cogita se reunir em local diferente, mais espaçoso e arejado. Mentalmente, fiz as contas. Não. Não me agrada este encontro. Acho mais seguro me manter afastada. Como será? Veremos. Mas estou achando bem sem graça.
Como sem graça, tem sido quase todos os meses, semanas e dias, desta triste era brasileira. No mês passado, tivemos em São Paulo um alento, uma lufada de esperança, mas não foi suficiente. A máquina instalada no poder conseguiu falar mais alto. Com seu tom monótono e invariável, conseguiu iludir a população e vencer a eleição. Imagino que uma parcela da população esteja tão anestesiada e descrente dos poderes instalados que acreditaram nas mentiras das campanhas eleitorais ou talvez nem isso, por inércia, optaram por manter o já estabelecido. É triste andar pelas ruas da cidade e ver o abandono, o pouco caso com a mesma. Tamb&eacut e;m é triste pensar que entre os que fizeram esta escolha estão conhecidos nossos com capacidade intelectual capaz de discernir melhor o que é bom e o que é ruim para o conjunto da população. Optaram pelo ruim. Infelizmente não foi desta vez que aqui em São Paulo conseguimos reverter a história mal contada destes últimos anos.
Mas, enfim, os dias passam, teremos Natal e Ano Novo. Datas habituais para as confraternizações entre os familiares, amigos e colegas. Este ano, será necessário fazer de um novo jeito. Pedir que seja mantido o mesmo nível de isolamento mantido pelas pessoas mais responsáveis e que tiveram condições de mantê-lo, talvez para alguns, seja pedir muito. Mas, se for para se reunir que seja em agrupamentos menores e, principalmente evitando os ambientes fechados, dando preferência aos abertos. Sem esquecer da máscara, é claro!
De qualquer forma, façamos deste mês de dezembro o melhor que nos for possível. Dias melhores viveremos!

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