Campanha em prol da reconstrução do Castelo de Shuri prossegue e ganha adesão do Bunkyo

Primeiro Jantar pelo Castelo de Shuri realizado no último dia 5 no Rancho Rio Doce (Jiro Mochizuki)

A campanha em prol da reconstrução do Castelo de Shuri, em Okinawa, consumido pelo fogo que praticamente destruiu 500 anos de história em um trágico incêndio no dia 31 de outubro do ano passado, não só prossegue a todo vapor como vem conquistando cada vez mais adesão da comunidade nipo-brasileira. No último dia 5, dois importantes acontecimentos marcaram uma nova etapa da ação.
À tarde, uma comitiva formada pelo presidente da Associação Okinawa Kenjnin do Brasil (AOKB), Milton Sadao Uehara, pelo vice, Tério Uehara e pelo diretor de Assuntos Internacionais, Eiki Shimabukuro, visitou o presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Renato Ishikawa, para consultar sobre a possibilidade da cessão do Grande Auditório para a realização de um evento nos mesmos moldes do “Chibariyoo Uchiná”, realizado no dia 8 de dezembro, na sede da AOKB, no bairro da Liberdade, em São Paulo.
Sadao Uehara lembrou que o Castelo de Shuri, sede do reinado de Ryukyu antes de sua anexação ao Japão, foi construído há cerca de 500 anos e reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial da Humanidade em 2000.
“Tão logo soubemos da tragédia, imediatamente começamos uma campanha com o objetivo de arrecadar fundos para a sua reconstrução que mobilizou toda a comunidade okinawana residente no Brasil”, lembrou Tério Uehara, destacando que a mobilização das subsedes foi algo marcante e emocionante. “Com certeza, a sua reconstrução representará também todo o espírito de de união, de luta e solidariedade dos uchinanchus do mundo todo”, destacou ele, lembrando que, além do espetáculo, foi aberta uma conta bancária para essa finalidade.

Show será no dia 29 – Outra ação foi a realização de dois jantares, um no mesmo dia 5 e outra nesta quarta-feira, dia 12 – mesmo dia em que o governo japonês anunciou o início das obras de restauração – , no Rancho Rio Doce, de propriedade de Koji Sakaguchi que, aliás, também abraçou a causa.
Consultado, Renato Ishikawa não só disponibilizou de imediato o dia 29 de março como também se mostrou solidário e manifestou total apoio à causa. “O Bunkyo, como principal entidade representativa da comunidade nikkei, não poderia ficar fora de uma campanha tão importante como essa. Afinal, somos todos nikkeis e temos que somar forças, nos irmanarmos em prol de uma única causa. Acredito que o evento será muito bacana e terá um significado simbólico para todos que participarem”, disse Renato.
Eiki Shimabukuro lembrou que esta é a quinta vez que o Castelo de Shuri pegou fogo. Totalmente destruído na Segunda Guerra Mundial e restaurado em 1992, o local abrigava réplica do reino Ryukyu, maquete e fotos. Eiki explicou que a meta do governo japonês é reconstruir o castelo até 2022, quando se comemora os 50 anos da devolução de Okinawa ao Japão.
Com relação a conta aberta pela AOKB para arrecadar contribuições, Tério Uehara disse que se encerrou no dia 10 de fevereiro, já que o governo japonês estipulou que os valores sejam entregues até março. “Mas todas outras campanhas prosseguem normalmente”, conta.

Espetáculo realizado no final do ano passado na sede da AOKB arrecadou recursos para a reconstrução do castelo (arquivo)

Chibariyoo Uchiná – Apresentado no dia 8 de dezembro do ano passado na AOKB para cerca de 800 pessoas, o espetáculo Chibariyoo Uchiná (Força Okinaw, no dialeto okinawano), contou com a participação de cerca de 250 artistas e foi dividido em dois blocos. Na primeira parte foram apresentados números variados com os grupos da Associação Kenko Taissô do Brasil, alunos da academia Okinawa Shorinyu Karatê-Do Jyureikan Kobudo Jinbukai – Filial do Brasil, Requios Gueinou Doukoukai, Ryukuyu Kokum Matsuri Daiko, Okinawa Social Dance, Tamaguskuryu Gyokusenkai Shiroma Kazue Ryubu Dojo, Tamaguskuryu Teda Hakuyonokai Gushiken Yoko Ryubu Dojo, Ryukyu Minyo Kyokai. Tamaguskuryu Hananokai Tengan Sueko Ryubu Renjo, Tamaguskuryu Tedanokai Gushiken Shigeko Ryubu Dojo, Tamaguskuryu Kotarokai Omine Hatsue Ryubu Dojo, Ryukyu Minyo Hozonkai, Takaryu Hananokaui Izu Juliana Ryubu Renjo e Tamaguskuryu Kotarokai Senbu Chibana Chieko Ryubu Dojo.
O segundo bloco foi inteiramente dedicado em homenagem ao Castelo de Shuri. Dirigido pelo coreógrafo e dançarino Satoru Saito. O grand finale ficou por conta dos dançarinos dos Seinens de Santa Clara e Santo André.
No espetáculo a ser apresentado no dia 29 de março, às 14 horas, a ideia é manter um bloco dedicado ao Castelo Shuri e convidar também outras províncias.
Também participaram da reunião realizada na Sala da Presidência os vice-presidentes do Bunkyo, Jorge Yamashita; Carlos Kendi Fukuhara e Gioji Okuhara, o assessor da Presidência, Akira Obara, e o secretário administrativo, Eduardo Goo Nakashima

Jantar – Outra ação em prol da reconstrução do Castelo de Shuri foi realizada na noite do mesmo dia 5, no Rancho Rio Doce, na Aclimação, com a realização do primeiro “Jantar pelo Castelo de Shuri” e que reuniu cerca de 70 pessoas, entre eles o cônsul geral adjunto, Akira Kusunoki; o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa; o presidente do Conselho Deliberativo da AOKB, Akeo Yogui e o vice-presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Jun Suzaki, além de colaboradores, professoras e imprensa.

Pirarucu – Tanto Milton Sadao Uehara como Tério Uehara, respectivamente, presidente e vice da AOKB, destacaram a sensibilidade do proprietário do Rancho do Rio Doce, Koji Sakaguchi, que cobrou apenas o custo do jantar – com direito a dois pirarucus com mais de 18 quilos cada um.
Já o cônsul adjunto Akira Kusunoki destacou que “para mim, o Castelo de Shuri não é só um símbolo de Okinawa”. “É também uma das atrações mais visitadas por turistas do mundo inteiro. Visitei o local há cerca de cinco anos e fiquei impressionado pela beleza e grandiosidade do castelo”, disse Kusunoki, que manifestou respeito pela AOKB.
“A comunidade japonesa no Brasil mostrou solidariedade ao povo japonês em vários momentos difíceis, como nos recentes desastres naturais. Tais atitudes nobres unem ainda mais a comunidade nikkei no Brasil e o povo japonês. Em nome do povo japonês agradeço mais esta iniciativa”, finalizou Akira Kusunoki.

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