BUNKYO RURAL LIVE: ‘Vamos sair fortalecidos desta pandemia’, diz secretário de Agricultura de SP, Gustavo Junqueira

Antes da abertura aconteceu a inauguração do Studio Bunkyo (Aldo Shiguti)

“O agronegócio deve muito à comunidade japonesa, não só na sua produção como também sua produção de tecnologia para o agro”. A afirmação, feita pelo secretário de Agricultura e Abastacimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, durante a abertura do Bunkyo Rural Live, no último dia 25, ilustra bem a contribuição japonesa para o desvolvimento do agronegócio no Brasil.

Renato Ishikawa, presidente do Bunkyo: “Tema oportuno e relevante” (Aldo Shiguti)

A abertura, que serviu também para inaugurar o Studio Bunkyo, contou ainda com a presença do presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, que lembrou a participação do governo japonês em programas agrícolas brasileiros, como o Prodecer (Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados), na década de 70.”Sinto um grande orgulho da contribuição dos nikkeis para o desenvolvimento da agricultura brasileira”, destacou Ishikawa, que considerou o tema deste ano “muito oportuno e relevante”, pois traz um olhar pós-pandemia do mundo para o setor agrícola.
Em depoimento gravado, o novo cônsul geral do Japão em São Paulo, Ryosuke Kuwana lamentou o adiamento do evento presencial que aconteceria em Presidente Prudente mas, em contrapartida, destacou sua felicidade pela realização do evento em formato online.
O Bunkyo Rural Live, que teve como tema “Agronegócio na Nova Era – Tendências e Soluções”, foi organizado pela Comissão do Bunkyo Rural em função do adiamento da 11ª edição do Bunkyo Rural, que seria realizada em abril deste ano, na cidade de Presidente Prudente (SP).

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (Aldo Shiguti)

Reflexão – Convidando os participantes a fazerem uma reflexão sobre a situação atual, Gustavo Junqueira disse que “momentos difíceis como esse que atravessamos nos fazem voltar na história e pensar como nós conseguimos superar as dores e dificuldades em outros momentos difíceis como esse que nós estamos vivendo agora”.
“E eu volto nas guerras, na Segunda Guerra Mundial, na Primeira Guerra Mundial, nos grandes conflitos do Oriente Médio, nos conflitos no Continente Africano e em todos eles nós passamos por um momento de reflexão sobre os suprimentos de alimentos, sobre a segurança alimentar do nosso povo e a segurança alimentar de outros povos que dependem do Brasil, que dependem da produção de São Paulo”, observou o secretário, afirmando que a crise “pode ter diminuído um pouco, mas continuamos em estado de alerta“.
Segundo ele, o país teve “perdas de vida”, “perdas econômicas” e “perdas financeiras”. “O Brasil e o seu agronegócio tem, de maneira geral, passado bem – acredito que o pior tenha ficado para trás – mas ainda temos um grande desafio”, explicou o secretário, acrescentando que, durante todo esse período [da pandemia], “o agro não parou”.
“O governador João Doria decretou o agro como uma atividade essencial – e de fato ela é, assim como os médicos que vão todos os dias para os hospitais doar o seu tempo, doar o seu conhecimento para salvar vidas – os produtores rurais, as empresas de insumos, os pesquisadores, as indústrias de alimentos, indústrias de biocombustíveis, enfim, tudo que é produzido no solo, essas pessoas também foram para o campo e continuam trabalhando, seja nas fábricas seja na distribuição de alimentos. E as prateleiras aqui em São Paulo, diferentemente de outros países, de outras nações que tiveram a infelicidade de terem suas prateleiras esvaziadas, nós aqui não tivemos”, lembrou Junqueira.

Alerta – Para ele, o setor precisa celebrar essas “pequenas vitórias que levam à grande vitória”. “Temos que celebrar o esforço de muitos para que a gente realmente conseguisse passar e deixar o pior para trás. No entanto, isso nos traz um alerta. Muitos países dependem do Brasil. A nossa produção é maior que o consumo. O que o país produz aqui, 80% vai para o mercado interno e 20% vai para abastacer outros países para que a gente possa fazer a segurança alimentar de outros países. Ou seja, nós temos um compromisso com 210  milhões de brasileiros e temos um comproimisso com vários outros milhões, eu diria bilhões, de pessoas que nós alimentamos mundo afora”, disse ele, destacando que “os dois contratos são importantes”.

Preços em alta – “Um leva ao sucesso da outra. Nós conseguimos ter alimentos com baixo custo e com alta qualidade porque nós temos sim, outros mercados outros parceiros que compram nossos alimentos e, portanto, nós temos escala, nós temos qualidade, nós temos tecnologia para produzir da maneira que nós prduzimos”, explicou Junqueira, garantindo que o Brasil tem interesse em honrar todos os seus compromissos.
Segundo ele, os preços de alguns alimentos têm aumentado nos últimos dias em função de eventos climáticos em algumas regiões do país e também por conta de uma demanda maior de determinados produtos em outros mercados. E também está mais caro – e às vezes, “menos disponivel” – conta o secretário, “porque há uma ruptura lojística que precisa ser endereçacada”.

Carlos Fukuhara, George Hiraiwa, Gustavo Junqueira, Renato Ishikawa e Tomio Katsuragawa (Aldo Shiguti)

Fortalecidos – Junqueira, que participou de um evento do Bunkyo Rural pelo segundo ano consecutivo – no ano passado ele também esteve presente na abertura do 10º Bunkyo Rural realizado na cidade de Adamantina ao lado do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues – disse que o Brasil sairá fortalecido desta pandemia, “levando essa reflexão para que a gente aumente a nossa produção de maneira responsável, que a gente possa fazer esse aumento de produção com tecnologia, trazendo ganhos de produtividade, produção sustentável para que a gente possa fazer do Brasil o mesmo que São Paulo faz”. “São Paulo tem hoje 23% de seu território coberto por vegetação nativa e isso vem aumentando gradativamente, ao mesmo tempo nossa produção também tem aumentado de maneira contudente nos últimos anos”, destacou o secretário, afirmando que isso é possível porque atualmente “há mais tencologia no campo”.

Tecnologia – “O Brasil tem investido em tecnologia e tem poupado terras porque se nós tivéssemos a mesma tecnologia de 10, 20 anos atrás, com certeza teríamos que sacrificar ainda mais nosso meio ambiente, os nossos ecossistemas”, explicou Junqueira, acrescentando que “é momento de pensarmos  no novo, pensarmos o novo momento de investimento no agro para que o agro seja a grande força motriz”.
“Pensar nesse agro moderno, nesse agro competitivo, nesse agro de escala e nesse agro inclusivo, que traz todos os produtores, sejam eles pequenos médios ou grandes, sejam eles empresariais sejam cooperativas ou  de empresas integradas para trabalharmos todos juntos nesta retomada do Brasil, nesta retomada do nosso estilo de viver e que possamos novamente, viajar, visitar os países estabelecendo uma nova dinâmica para a construção e o desenvolvimento da sociedade”, concluiu o secretário.

Nelson Kamitsuji com George Hiraiwa (E), ex-secretário do PR (Aldo Shiguti)

Apoio – A primeira edição do Bunkyo Rural Live contou ainda com participações do diretor Geral da FAO de 2012 a 2019,  José Graziano da Silva e do ex-secretário de Agricultura do Paraná e coordenador do Polo de Inovação Agro, George Hiraiwa. O  Painel da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo reuniu Diógenes Kassaoka e Gabriela Redona Chiste.
A live contou com apoio da Hansoro – Associação Nipo Brasileira da Alta Sorocabana –, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e Consulado Geral do Japão em São Paulo.

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