BAIRRO ORIENTAL: PL gera polêmica entre expositores da ‘Feira da Liberdade’

Impossibilitada de funcionar desde o inicio da pandemia, a Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Liberdade – mais conhecida como “Feirinha da Liberdade” – está sendo alvo de polêmica e de uma disputa travada não só presencialmente como também nas redes sociais. A discussão gira em torno de uma eventual descaracterização da feira que, por determinação da Prefeitura, só voltará a funcionar na fase verde do Plano São Paulo.
Enquanto isso, foram criados dois abaixo-assinados cujo foco é um só: o projeto de lei 789/2019 de autoria do vereador Aurélio Nomura.
De um lado, o grupo que contesta o projeto afirma que, se aprovado, o PL fará com que “muitas pessoas percam o emprego”. “Em época de coronavírus, esse é um projeto inadmíssivel. É uma lei extremamente prejudical ao exercício da democracia e a toda a população de São Paulo”, diz o texto criado por Edson Eiho Yamaguchi, que alega ainda que muitos expositores que atuam na feira há mais de 30 anos serão prejudicados.
“Muitos desses expositores que estão sendo ameaçados geram empregos para muitas pessoas, caso o projeto se confirme, muitos empregos serão destruídos”, diz o abaixo-assinado, que até a tarde desta terça-feira, 25, estava com 2.402 assinaturas de uma meta de 2500.
Já um outro abaixo-assinado que está circulando pede apoio ao PL 789/19 e a “valorização da cultura oriental”. Criado por Adriana Tabeta, o abaixo-assinado contava até a tarde desta terça-feira, 25, com 8.725 assinaturas de um total de 10 mil estabelecidas como meta.
O texto pede apoio “de todos que apreciam a cultura oriental, trabalhadores e frequentadores da Liberdade, para a conservação da funcionalidade original da mais antiga e tradicional feira de artes, artesanato e gastronomia oriental de SP, que ocorre nos finais de semana”.
“Desde 1975, esta feira vem contribuindo com o turismo e economia local. Sua diversidade de atrativos, que há muitos anos tem sido prestigiada pelos brasileiros e estrangeiros, pelas apresentações das festividades anuais relacionadas à cultura oriental”.

Projeto – Aprovada em primeira votação, o PL 0789/19 que “institui a Feira Oriental da Liberdade, para a valorização e difusão da cultura oriental”, deve passar por segunda votação nos próximos dias. Destinada à comercialização de produtos orientais e comidas típicas orientais, que “promovam a valorização da cultura oriental”, o PL veda a comercialização de produtos alimentícios que não sejam de origem oriental e estabelece ainda que em caso de comercialização de produtos artesanais não alimentícios, “o produto deve ter característica oriental”.
O texto cria também um Conselho Gestor da Feira Oriental da Liberdade, que deve reunir expositores da feira com mais de oito anos de feira e com competência para deliberar sobre a administração da Feira Oriental da Liberdade, “inclusive sobre a aprovação dos novos feirantes, quando houver, avaliação dos produtos, a organização das barracas, sem prejuízo da competência fiscalizatória da Administração Pública”.
O autor do projeto justifica que a ideia é “valorizar a cultura japonesa, que, em vista da imigração japonesa no Brasil, tornou-se parte importante das manifestações culturais paulistanas”. “Assim, preservar a Feira Oriental da Liberdade é preservar uma importante manifestação cultural da cidade”, alega Aurélio Nomura.

(Facebook/Aliber)

Aliber – Para o diretor da Aliber – Associação dos Expositores da Feira da Liberdade –, Edson Hamasaki, “meia dúzia de pessoas estão contra [o PL]”. “Alguns expositores não entenderam direito o projeto e por isso estão receosos. São pessoas que estão lá para transformar o nosso espaço em uma feira comum”, diz Hamasaki, destacando que, “o mais importante é que esse projeto, caso aprovado, vai proteger a feira da Liberdade “mantendo as características tradicionais que todos conhecem”.
Segundo ele, “transformar a tradicional feira da Liberdade em uma feira comum vai descaracterizar o próprio bairro da Liberdade”. “A feira foi fundada por um lojista [Tsuyoshi Mizumoto] com a intenção de agregar algo mais para o bairro e não para entrar em choque”, diz Hamasaki, que contesta a alegação de que alguns expositores antigos serão prejudicados.
“Será apresentado um adendo explicando que, o expositor que tiver mais de dez anos no local, não precisará fazer adequação nenhuma pois ele já faz parte da feira e da cultura do bairro”, conta Hamasaki, destacando que a preocupação é justamente com os expositores mais idosos.
O diretor da Aliber deixa claro que “o vereador Aurélio Nomura nunca quis prejudicar ninguém da feira”. “Ao contrário, foi o vereador que, em 2006 deu uma identidade à feira, que não era regulamentada, inserindo-a no Calendário Oficial da Cidade de São Paulo”, explica Hamasaki.

Comentários
Loading...