BAIRRO ORIENTAL: Com protocolos, expositores da Feira da Liberdade se preparam para retomarem atividade ao público

Aurélio Nomura, Eiko Tabeta, Ricardo Naraki (tesoureira e vice-presidente da Aliber) e o secretário (Aldo Shiguti)

No próximo dia 15, a Feira de Arte, Artesanato e Cultura da Liberdade vai comemorar uma data nada especial: sete meses de paralisação por conta da pandemia. No entanto, já este final de semana pode marcar a volta parcial dos cerca de 300 expositores ao trabalho – caso o governador João Doria (PSDB) anuncie, nesta sexta-feira, 9, que a cidade de São Paulo, enfim, avançou para a Fase Verde do Plano São Paulo.
Com isso, a Feirinha da Liberdade – como é carinhosamente conhecida pelos frequentadores – já estaria apta a voltar a funcionar no dia seguinte, se for o caso. Para o presidente da Aliber (Associação dos Expositores da Feira da Praça da Liberdade), Tsuguo Kondo, a ideia é voltar gradativamente. “Alguns expositores podem voltar já no dia seguinte, outros, como os de alimentação, devem voltar na semana seguinte. E têm aqueles que pertencem ao grupo de risco e que preferem voltar apenas quando tiver uma vacina”, disse Kondo.
Segundo ele, uma reunião entre os expositores foi marcada para ontem na sede da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Libedade) e hoje (quinta), deve acontecer um encontro na Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil entre os expositores, o vereador Aurélio Nomura e o subprefeito da Sé, Roberto Arantes.
O protocolo para a reabertura foi assinada no último dia 1º com a presença do secretario Orlando Lindório de Faria, do vereador Aurélio Nomura, do vice-presidente da Aliber, Ricardo Naraki e da 1ª secretária, Eiko Tabeta.
A cerimônia, reservada, aconteceu uma semana depois de o prefeito Bruno Covas (PSDB) liberar a volta de cinemas, teatros, espetáculos, bibliotecas, museus, galerias e equipamentos multiculturais também na fase verde.
Na ocasião, o setor de feiras de artesanato ficou de fora da cerimônia e os protocolos foram assinados separadamente. O da Feira da Liberdade foi o primeiro do setor a ser assinado. Conforme explicou o secretário da Casa Civil, o setor foi “enquadrado” em outro setor, o de eventos.
“O protocolo de feiras de artesanato é um pouco mais genérico porque aproveitamos a intepretação do setor de eventos, que é mais amplo e complexo”, explicou Lindório, acrescentando que “nada impede que vocês apliquem o que acharem mais conveniente”. Segundo ele, a “adaptação” ocorreu para “ganhar tempo”.

Medidas – Conforme já publicado pelo Nippak, o protocolo determina que todos os ambientes seja submetidos a um intenso processo de desinfecção prévia, especialmente as áreas de processamento ou venda de alimentos,; o afastamento de todos os funcionários considerados suspeitos com sintomas de covid-19; distanciamento social de 1,5 m; evitar aglomerações; garantir a obrigatoriedade do uso de máscaras por todos funcionários; disponibilizar álcool em gel 70% para higienização das mãos e, caso os locais sirvam alimentos, deverão observar os protocolos sanitários para bares, restaurantes e similares.

Bolsões – O Nippak apurou que a Aliber pretende adotar ainda outras medidas adicionais, como disponibilizar luvas descartáveis para os frequentadores manusearem peças e objetos nas barracas de artesanatos e, no caso das barracas de alimentação, as vendas serão somente para viagem.
Os próprios funcionários das barracas devem avisar para os   consumidores sobre a proibição de comer nos balcões. Para isso, foram criados dois bolsões para atender ao público Um deles será na escadaria que dá acesso ao metrô enquanto outro ficará na calçada da Avenida Liberdade.
De acordo com Eiko Tabeta, a Aliber também apresentou dois croquis com o novo layout para as barracas, que passarão a ocupar parte da Rua Galvão Bueno, no trecho entre a Rua dos Estrudantes e o torii (portal).
Apesar de algumas dificuldades que podem surgir nesta retomada, Ricardo Naraki celebrou a assinatura do protocolo. “Era o momento que todos nós estávamos aguardando desde que fomos obrigados a interromper nossas atividades”, explicou o vice-presidente, lembrando que cerca de 90% dos expositores dependem única e exclusivamente da feira da Liberdade. “É um alívio muito grande podermos voltar”, disse.

Expositores da Feira da Liberdade quase sete meses sem trabalhar contagem regressiva (Edson Hamasaki)

Retroceder jamais – Para o vereador Aurélio Nomura, que acompanhou o processo da volta dos expositores desde o início, “o grande perigo é retroceder de fase”. “Com a desaceleração de óbitos e novos casos no Estado de São Paulo, muitas pessoas estão achando que a doença já está longe, mas, ao contrário, ela está muito perto”, observou o vereador, que destacou o trabalho do prefeito no combate à pandemia.
Já Orlando Lindório de Faria lembrou que São Paulo é uma das poucas capitais no mundo que podem se orgulhar de não retroceder de fase. “Paris, por exemplo, está com índice de contaminação pior que no pico inicial”, comparou o secretário, destacando que, se os números continuarem favoráveis, “será uma questão de tempo para que possamos voltar “à normalidade”.

Consciente – Ao Nippak,o secretário disse que a retomada das feiras de artesanatos na cidade de São Paulo está sendo feita de forma consciente e com segurança sanitária. “A gente tem bastante a agradecer a paciência e a ajuda da sociedade durante este processo da pandemia. O pessoal foi muito consciente em ajudar, aguardando o momento certo da reabertura”, disse o secretário, acrescentando que, no caso específico da Feira da Liberdade, “o sucesso” da feira mereceu uma preocupação especial por causa da aglomeração que ela provoca.
Para Aurélio Nomura, “o mais importante era voltar”. “Eles já estavam parados há sete meses e ninguém aguenta ficar parado todo esse tempo. Para os expositores é algo extremamente importante pois acaba de vez com toda essa angústia”, obvservou o vereador, explicando que o PL que “institui a Feira Oriental da Liberdade, para a valorização e difusão da cultura oriental” foi retirado da pauta de votação para um “reestudo”. “Vamos por etapas. Avançamos em algumas coisas e outras ainda precisam ser melhoradas”, afirmou o vereador.

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