【Cultura Japonesa 9】 TRÁGICO PIONEIRO LÍDER=UNPEI HIRANO

TRÁGICO PIONEIRO LÍDER UNPEI HIRANO
Texto de masayuki Fukasawa

Referência: hIRANO NIJUNENShI (história dos 20 Anos da Colônia hirano) – Sociedade dos Japoneses da Colônia hirano – 1941; BRASIL NI yUME WO MOTOMETA GAIGO OB (Ex-alunos da Universidade de Línguas Estrangeiras que Buscaram Sonho no Brasil), Ex-alunos da Faculdade de Língua Portuguesa da Universidade de Línguas Estrangeiras de Tóquio, publicado em 90º aniversário da Fundação da Faculdade de Língua Portuguesa), 2006; BUkkOShA RESTUdEN (Coletânea de Biografi as dos Pioneiros Falecidos), Comissão da Comemoração dos 50 Anos da Imigração Japonesa, 1958; Outros. Foto: extraído de hIRANO UNPEI BUkkOShA RETSUdEN (Unpei hirano, Biografi a Póstuma), Comissão da Comemoração dos 50 Anos de Imigração Japonesa, 1958)

 

Em 18 de junho de 1908, um grupo de japoneses já aguardava no cais de Santos a chegada do Kasato Maru, com 781 imigrantes a bordo. O grupo havia chegado antecipadamente para preparar a entrada dessa primeira leva de imigrantes. Eram 5 jovens, todos eles recém-formados em universidades japonesas, e se fariam conhecidos posteriormente como o “grupo dos 5 intérpretes”. Entre eles, se achava Unpei Hirano, que mais tarde, viria a ser o “pioneiro da colonização”.

Unpei nasceu em 1888 na Província de Shizuoka, Distrito de Ogasa, de uma família de samurais. Segundo fi lho de Kenkichi Shinba e Naka, foi adotado pela família Hirano. Formou-se na Escola Secundária de Kakegawa (atual Colégio Kakegawa Oeste), estudou espanhol na Universidade de Línguas Estrangeiras de Tóquio, e recebeu aulas de português em curso intensivo nessa mesma universidade quando a sua vinda ao Brasil foi confi rmada, uma vez que o curso regular de português só foi criado em 1916.

Aos 22 anos de idade, o jovem Unpei foi admitido pela Companhia Colonizadora Imperial para integrar o “grupo de 5 intérpretes” que a empresa procurava formar tendo em vista a primeira emigração japonesa, e partiu de Tóquio em 27 de março de 1908. Chegou a Santos em 3 de maio via Europa, pela ferrovia transiberiana. Esse percurso atravessava a metade do globo terrestre e só em si, já era uma viagem e tanto para a época, mas ele buscava o Brasil

com a alma infl ada de sonhos.

Unpei ingressou na Fazenda Guatapará conduzindo 62 famílias de imigrantes das províncias de Okayama, Kōchi e Yamaguchi, ao todo 232 pessoas. Das 6 fazendas para onde os imigrantes do Kasato Maru foram distribuídos, Guatapará, ao encargo de Unpei, foi a única onde não ocorreram distúrbios e fugas de imigrantes à noite. Nas demais fazendas, esses incidentes aconteceram porque “as condições encontradas diferiam daquelas prometidas no Japão”, levando desânimo aos contratantes, fazendeiros brasileiros que os receberam.

A Fazenda Guatapará apresentou o maior índice de fi xação entre todas as fazendas. Depois de um ano, pelo menos 34 famílias ainda permaneciam na fazenda. Algumas delas lá continuaram por 7 anos. Esse desempenho, altamente apreciado, salvou por um triz a imigração japonesa, porque muito embora ela tenha sido iniciada por Ryō Mizuno, sua continuidade se deve à notável atuação de Unpei. Não seria exagero afirmar que sem Unpei, a imigração japonesa teria cessado há muito tempo.

A libertação dos escravos no Brasil foi decretada em 1888. Os imigrantes japoneses haviam sido introduzidos para substituir os escravos negros que ainda trabalhavam 20 anos atrás. As condições de trabalho dos colonos (lavradores contratados) já eram suficientemente cruéis. Para piorar, eles deviam viver nas fazendas sem poder ir à cidade, embora distante, para realizar compras. O comércio nas fazendas vendia alimentos a preços incomparavelmente superiores aos da cidade, e os débitos dos imigrantes só cresciam. Unpei se colocou então ao lado dos imigrantes. Com afinco, adquiria produtos diretamente dos fornecedores para distribui-los a preços reduzidos entre os imigrantes, não só conquistando a total confiança deles como também a apreciação do fazendeiro. Tanto assim que, à juventude de 27 anos, foi até designado vice administrador da fazenda, liderando 500 famílias de colonos (inclusive de outras nacionalidades).

No entanto, o preço do café no mercado internacional entrava em declínio. Nessa época, as grandes fazendas de São Paulo se dedicavam exclusivamente em produzir café, levando a administração à crise. Por mais que trabalhassem, a situação não permitia aos colonos japoneses realizarem seu sonhado projeto de enriquecer e regressar vitoriosamente à pátria. Essa postura dos imigrantes japoneses, qual seja ganhar dinheiro e voltar em poucos anos ao Japão, rendeu, entretanto, críticas de Sadao Muramatsu, então cônsul geral em São Paulo. Ele advertiu que assim, jamais alcançariam o sucesso conseguido pelos imigrantes de outros países. Os japoneses deviam pensar em fixar residência permanente Convicto de que “a colonização era o caminho a ser seguido pelos imigrantes japoneses”, Unpei decidiu abrir mão do bom salário que recebia como vice administrador e investir as economias realizadas na concretização desse sonho.

Ele foi conversar com o cônsul Muramatsu, e em 1914, escolheu um terreno situado a 16 km ao norte da Estação Presidente Penna na Estrada de Ferro Noroeste (atual bairro de Três Barras, em Cafelândia), na margem oposta do Rio Dourado. Por fim, após diversas tratativas com o proprietário Vicente Guimarães, conseguiu adquirir dele 1624 alqueires de mata virgem. Em 3 de agosto de 1915, reuniu 20 japoneses robustos física e espiritualmente para formar um grupo de vanguarda e abrir caminho entre a selva, dando início à construção da “Colônia Hirano”.

Unpei Hirano é o 4º da esquerda. Tirada quando visitava a residência dos colonos, na Colônia Hirano (fonte: Me de Miru Burajiru Nihon Imin no Hyakunen (Os Cem Anos da Imigração diante dos olhos), Comissão Editorial da História dos Cem Anos, 2008)

A região da E.F. Noroeste era então uma área perigosa, um “inferno verde”. Bastava um passo ao interior para ingressar no domínio da malária, febre amarela e outras doenças endêmicas. Enfrentando sofrimentos, o grupo avançou desbastando e queimando a mata virgem. Nesse mesmo ano, 82 famílias ingressaram na colônia. no Brasil, e sugeria arregimentar aqueles que tivessem essa intenção para com eles construir uma colônia. Fato é que intencionados ou não, outra opção não havia para ganhar dinheiro senão adquirir terras próprias e se tornar agricultor independente.

Mas no ano seguinte, desde o início de janeiro quando o arroz começava a crescer e a produzir espigas, uma estranha febre começava a acometer alguns colonos. Só se deram conta de que era a malária quando ocorreram diversas mortes. O remédio indicado era a quinina, impossível de se obter por causa do preço elevado, e quase 70 pessoas morreram nesse ano apenas. Hirano visitava um por um os colonos adoecidos e procurava levar-lhes consolo.

As noções de higiene eram ainda pouco divulgadas na época. “Agricultura é cultivo do arroz” – esse era o preconceito arraigado entre os agricultores japoneses, e para cultivá-lo, nada melhor que ao lado da água. Assim, foram construindo barracas à margem do rio despreocupados, alguns até orgulhosos da sua “mansão sobre o rio”, exatamente no ninho dos mosquitos da malária.

Um violento tremor assalta as vítimas da malária, mas não havia medicação, tampouco médicos naquelas paragens inóspitas. As famílias perdiam seus membros um após outro. Em face dessa insuportável situação, alguns fugiam, para salvar suas vidas.

No decorrer dos períodos pré e pós-guerra, cerca de 250 mil imigrantes japoneses vieram ao Brasil. Contudo, nem 10 dentre eles teve a história de suas vidas transmitida à posteridade através do rōkyoku (narrativas cantadas ao som do shamisen), e Hirano é um deles. Em 1968, por ocasião da comemoração dos 60 anos da imigração, Mangetsu Tenchūken compôs e gravou em um disco o rōkyoku “Hirano Unpei – Namida no Burajiru Kaitakushi” (Unpei Hirano – Triste História do Desbravamento do Brasil), cujas cópias foram postas à venda. A emoção toma conta do artista enquanto canta:

“Três ontem, hoje cinco, quantos amanhã? Juntos no leito homens se contorcem de febre nos braços das mulheres, famintos e impotentes. Erguem-se, mas não conseguem andar. Bebês se agarram aos seios das mães mortas e assim morrem. Enterros se sucedem, não há mais madeira para caixões…“

Não há como ouvir o rōkyoku sem lágrimas.

A calamidade prossegue

Depois de tudo isso, como se não bastasse, uma nuvem de gafanhotos de cobrir o céu atacou a colônia devorando toda a plantação sobre a terra. O episódio se acha registrado em “Hirano Nijūnenshi” (História dos 20 Anos da Colônia Hirano – Sociedade dos Japoneses da Colônia Hirano, 1941) como segue:

“Com a chegada do 6º ano da Era Taisho (1917), todos se entregavam com diligência às suas atividades. Alguns poucos plantavam café. Porém, em 13 de novembro, inesperadamente, uma nuvem de gafanhotos nos atacou. Em um instante as plantações, frutos do nosso suor, foram devoradas e destruídas, transformadas em terras áridas. O céu escureceu, a E.F. Noroeste ficou intransitável, e o mundo mergulhou em trevas.”

O ataque da enorme nuvem de gafanhotos escureceu o dia. Gafanhotos mortos se empilhavam sobre os trilhos, as rodas das locomotivas patinavam detendo os trens. Um cenário impossível no Japão. Ninguém sequer imaginara uma ameaça como essa da natureza. A nuvem passou finalmente, os gafanhotos restantes foram extintos, mas de repente, os ovos que eles haviam depositado sob a terra germinaram. As plantações foram novamente atacadas. Coisas inimagináveis se repetiam sem parar.

Outros desastres vieram em seguida. O café, finalmente cultivado, secou em uma só noite atacado por uma forte geada. E para piorar, a grande seca…

O rōkyoku descreve o clímax:

“Desiludidos com os desastres contínuos, colonos emudecidos se retiram hoje um, outro amanhã, sem trocar palavra de despedida. Hirano os observa, inconformado e compadecido. É o fim, tudo se acabou. Mata a dor em seu peito com um gole de pinga, e se dirige às trinta famílias ainda restantes:

– Senhores, com que bravura lutaram até hoje, isso é espantoso! Hirano lhes agradece de todo coração. Não quero sacrificá-los mais ainda. Eu lhes peço, não digam mais nada, regressem à Colônia de Guatapará e continuem trabalhando lá!

– E você, o que fará doravante, senhor Hirano?

– Senhor Hatanaka, eu aqui me manterei para sempre, a zelar pela alma daqueles que sacrificaram suas vidas por esta comunidade.

– Então é isso. Escutaram, todos vocês? Eu proponho ficarmo s nós também junto com ele, e lutar!

– Professor Hirano, eu fico até morrer! – Senhor Hirano, também eu, Hatanaka, vou trabalhar aqui por toda minha vida!

– Eu também, professor!

– Eu também!

– Obrigado, obrigado! Belas respostas! É isso que vocês sentem, por este Hirano… obrigado! Obrigado! Sensibilizado e agradecido, os lábios lhe tremem, é impossível articular uma palavra. Diante da plateia de trinta e poucos, Unpei se rompe em pranto convulsivo, pranto de homem.”

Ainda hoje, algumas pessoas regam com cachaça o túmulo de Hirano, e se recordam: “É disto que Hirano- -san gostava.” A lápide tumular original estava marcada com as seis letras: “ 平野運平之墓” (Jazigo de Unpei Hirano), caligrafadas pelo diplomata Kumaichi Horiguchi. Seu filho primogênito Daigaku Horiguchi é poeta famoso

Nessa situação infernal, mais de trinta pessoas se adiantaram para acompanhar Hirano e com ele viver ou morrer, sem arredar um só passo da Colônia.

 

Animado, Hirano procurou inicialmente cuidar das condições sanitárias. Desistiu de cultivar o arroz na baixada e transferiu os habitantes para o planalto apostando seus destinos no cultivo do café. Entretanto, aos poucos, ele se entregou ao vício da pinga. Afogou-se na bebida, em prejuízo da saúde. Finalmente, ele próprio acometido por malária, terminou a trágica existência de pioneiro desbravador à juventude de 34 anos, em 6 de fevereiro de 1919.

 

O tiro de partida da colonização pelos japoneses da região litorânea de São Paulo foi dado pela Colônia Katsura de Iguape, fundada com os recursos do capital bem definido, formado por contribuições de membros influentes do governo japonês e assim, sob condições relativamente afortunadas. Em comparação, a Colônia Hirano se formou com imigrantes comuns, já escolados nas durezas da vida de colono no Brasil, que se agruparam para tentar reconstruir suas vidas por esforço próprio.

As inscrições da lápide (ao fundo) erguida na Colônia Hirano em 1928 são devidas a Akira Ariyoshi, embaixador plenipotenciário no Brasil nessa época, que as redigiu em reverência às virtudes de Hirano e do cônsul geral Matsumura, e também, em condolência às almas das vítimas da colonização. Em frente e à direita, o busto de Hirano

O “Bukkosha Restuden” (Coletânea de Biografias dos Pioneiros Falecidos – Comissão da Comemoração dos 50 Anos da Imigração Japonesa – 1958, pags. 27 ~28) assim registra o mérito do trabalho de Hirano:

“O sentido e o mérito do trabalho está em ter ele despertado o interesse pela colonização. Mais ainda, o objetivo dele é diverso da assim chamada colonização surgida anos mais tarde, que visava comercializar terrenos. Em outras palavras, Hirano não fundou sua colônia com o intuito de ganhar dinheiro. Tentou antes de tudo construir a felicidade do colono, e empenhou a vida nesse trabalho. A dignidade de Hirano como desbravador, seu carinho e sofrimento constituem a preciosa herança que se destaca na história da nossa imigração. (…) Quem sabe o café desapareça da face da terra, e a Colônia Hirano se desfigure com o correr dos tempos. No entanto, as sementes espirituais lançadas sobre a história jamais serão destruídas, pela eternidade. Por assim acreditar, mantemos nossa esperança na disciplina da vida e na existência futura.”

A amarga experiência da Colônia Hirano serviu de base a Shūhei Uetsuka para selecionar em 1918 o sítio da 1ª Colônia Uetsuka. Promissão, onde se acha a Colônia, está a 50 km adiante da Colônia Hirano na E.F. Noroeste. Em dezembro de 1908, quando o Kasato Maru chegou ao Brasil, o trecho Bauru ~ Araçatuba da ferrovia havia sido aberta ao tráfego. Muitos imigrantes do Kasato Maru fugidos das fazendas participaram das obras de construção do trecho seguinte até Mato Grosso. E a partir dos arredores das estações dessa linha, a imigração japonesa começou gradativamente a se expandir para o interior, como aconteceu em Aliança.

Sucessor herdeiro espiritual

Uma das realizações de Hirano foi o preparo do sucessor,Senjirō Hatanaka (1888 ~ 1965, Província de Hyogo), formado em turma posterior na sua universidade. Hatanaka concluiu o curso de Espanhol na Universidade de Línguas Estrangeiras de Tóquio e veio para o Brasil em 1912, ingressando na Fazenda Guatapará. Participou da abertura da Colônia Hirano a partir de 1918, adquirindo, nessa oportunidade, know-how da construção e administração de colônias. Esses conhecimentos lhe serviram na abertura da colônia de Bastos, à qual dedicou a vida para desenvolvê-la no cargo de administrador. Atualmente, Bastos é o “império dos ovos”, responde por 15% da produção nacional e por 45% do Estado de São Paulo.

Os ex-alunos da Faculdade de Língua Portuguesa da Universidade de Línguas Estrangeiras de Tóquio publicaram, em comemoração aos 90 anos de criação da Faculdade, uma edição histórica: “BRASIL ni Yume wo Motometa Gaigo OB” (Ex-alunos da Universidade de Línguas Estrangeiras que Buscaram Sonho no Brasil – 2006). O primeiro capítulo, dedicado à história da imigração, fala de Hatanaka em Bastos. Consta (pág. 9) que:

“Em 1928, quando o “Burajiru Takushoku Kumiai” (Sociedade Colonizadora do Brasil Ltda.) abriu a colônia nesse sítio, Hatanaka foi designado para ser seu primeiro administrador. Desde então, ele nunca mais quis deixar Bastos até falecer em 1965. Hatanaka participou de todas as fases da construção da cidade, desde o primeiro passo, o desmatamento da floresta virgem. (…) Entretanto, o que prendeu Hatanaka à terra não foram os anos. Ele sempre acreditou que, para levar avante o sonho de Unpei Hirano, seu veterano na Universidade, restava-lhe fazer de Bastos uma colônia japonesa bem sucedida.”

Quando Tsunesuke Tomita (falecido), um antigo colono, visitou Japão, teve um pensamento: “Unpei morreu jovem. Sem dúvida, sentiu saudades da mãe”. Assim, procurou e descobriu o túmulo da mãe de Unpei na Província de Shizouka, e dele recolheu um punhado de terra, que trouxe para o Brasil. Depositou-o em 2005 ao lado do jazigo de Unpei. Ali erigiu uma lápide, junto à de Unpei. As duas lápides lá estão, lado a lado.

Ag osto de 2015, comemoração do Centenário

Foto comemorativa com todos presentes após a cerimônia de celebração do Centenário da Colônia Hirano
(Masayuki Fukasawa)

“Estou emocionado, me faltam palavras!” – foi o que disse Hideo Hirakawa (96, nissei) com a voz embargada em 2 de agosto de 2015, durante a celebração do Centenário da Colônia Hirano. Nascido na colônia no ano em que Unpei Hirano faleceu, ele continua desde então residindo nela. A Comissão do Centenário da Colônia Hirano de Cafelândia (presidente Kiyomi Ikeda) reuniu nesse dia 500 participantes para a missa budista e cerimônia de comemoração, realizadas em grande estilo. A colônia, que no auge dos anos 40 ~ 50 aglomerava mais de 300 famílias, abriga atualmente apenas 23 pessoas, de12 famílias. Um novo salão foi construído com o dobro da capacidade do velho kaikan e a ele conectado, onde se instalou uma mesa para acomodar diversas pessoas.

Na cerimônia comemorativa, o presidente da comissão Ikeda agradeceu: “Graças às obras dos nossos pioneiros falecidos, podemos realizar esta cerimônia de comemoração com este pequeno número de famílias.” Depois, o representante Munekado Yano leu em voz alta o histórico da colônia (autoria do embaixador Akira Ariyoshi) gravado na lápide memorial. Segundo Shigeru Shigematsu (61, nissei), “foi um dia maravilhoso. Viemos preparando desde janeiro. Felizmente, terminou bem.”

Atualmente, nas cercanias da Colônia Hirano, as plantações de café quase desapareceram transformadas em canaviais. É espantoso como o “Bukkosha Restuden” (Coletânea de Biografias dos Pioneiros Falecidos) publicado 60 anos atrás já previa esta situação. Consta ali:

”Quem sabe o café desapareça da face da terra, e a Colônia Hirano se desfigure com o correr dos tempos. No entanto, as sementes espirituais lançadas sobre a história jamais serão destruídas, pela eternidade.”

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