YOSHIO MURAMATSU: Sobre o consentimento da instalação da estátua sul-coreana de mulher de conforto por filial da JACL americana

Estátua de "mulher de conforto" em Glendale, estado da Califórnia (Ka-cw2018, From Wikimedia Commons)
Estátua de “mulher de conforto” em Glendale, estado da Califórnia (Ka-cw2018, From Wikimedia Commons)

(Texto enviados dos colaboradores: Yoshio Muramatsu de Los Angeles, Califórnia, EUA)

Nos EUA, a era da primeira geração de migrantes japoneses às terras norte-americanas, que foi do final do século XIX até a década de 1930, já passou, e a era da segunda geração que se engajou na Guerra do Pacífico está envelhecida e prestes a chegar ao fim. A sociedade nikkei de lá está, atualmente, em transição, para a terceira, quarta e quinta geração. As pessoas desta geração em substituição se reconhecem como americanos e não se consideram japoneses. A organização JACL (Liga dos Cidadãos Nipo-Americanos) também atua em prol da sociedade norte-americana tendo grande interesse na “política, economia, bem-estar social, direitos humanos e questões ambientais” do país.

Dificuldades e progressos dos imigrantes norte-americanos da era Meiji até o pré-guerra.

A história da migração de japoneses aos Estados Unidos começou com a ida de um grupo de trabalhadores agrícolas ao Havaí em 1868. Até então, somente havia poucos casos isolados de viajantes indo às terras norte-americanas. No ano seguinte, em 1869, foi criada a Colônia Aizu Wakamatsu na região de Coloma, no estado da Califórnia. E ao longo de 1870 a 1880 muitos japoneses emigraram ao Havaí.
Em 1870, o Consulado do Japão foi fundado em São Francisco. Em 1872, foi a vez da fundação do Consulado do Japão em Nova York. Um Consulado do Japão também foi inaugurado no Havaí em 1884 dando início a uma emigração mais intensa rumo ao Havaí e ao continente americano.
Em 1880, “Kyuhachi Nishii” mudou-se de Yawatahama, província de Ehime, para Portland, estado do Oregon. Ele se destacou na agricultura, hotelaria e restaurantes na região de Tacoma, Washington, e fez fortuna no comércio durante a Corrida do Ouro no Alasca. Ele também instituiu o programa de bolsa de estudo na Universidade Estadual de Washington.
Em 1903, “Seito Saibara” foi bem-sucedido na fazenda de plantação de arroz na área do Rio Mississippi, no Texas. Em 1906, uma seita cristã japonesa chamada “Colônia Yamato” estabeleceu-se em grupo nas proximidades de Merced do Distrito Central, na Califórnia.
Em 1910 a migração japonesa aos Estados Unidos foi interrompida temporariamente depois do “Acordo de Cavalheiros”. Nesta ocasião, os imigrantes japoneses nos Estados Unidos ficaram proibidos de adquirir a cidadania americana, além de ter sido promulgada uma lei de proibição de propriedade da terra.
Em 1913, durante a vigência da lei de proibição da imigração, 15 jovens pescadores de Yawatahama, província de Ehime, tentaram entrar clandestinamente no país (chamados pelo sucesso de Nishii) cruzando o mar em um barco de pesca de 50 toneladas rumo a Seattle, na costa oeste, contando somente com uma bússola.
O grupo estava à beira da morte quando alcançou o norte de São Francisco. Depois de serem salvos pelos moradores locais, se dirigiram a Seattle, mas foram capturados pelos oficiais imigrantes. Graças ao empenho do Consulado do Japão de São Francisco os jovens foram apenas deportados de volta à terra de origem.
Em 1921, foi promulgada a “Lei de Quota de Emergência” que retomou a migração aos EUA dentro de um certo limite (dando prioridade aos possuidores de habilidades técnicas especiais). A vida dos nikkeis alcançou uma estabilidade por volta de 1930, e a segunda geração passou a se destacar como força principal.

Muitos dos descendentes que se tornaram cidadãos americanos não se reconhecem como japoneses

A Guerra do Pacífico eclodiu em 1941 depois do ataque a Pearl Harbor. Em 1942, 120 mil nipo-americanos que viviam a 400 quilômetros da costa oeste (assim como os nikkeis dos países que se uniram aos Aliados na América Latina) foram presos como estrangeiros inimigos em 10 “campos de concentração” localizados a oeste da região Centro-Oeste e ficaram lá até a derrota japonesa, em 1945.
No período final de 1942, o “Grupo Nikkei Nissei Leal aos EUA” desses campos se juntou ao Exército dos EUA como soldados voluntários. Uma parte dos “Nisseis Vitoristas” foram transferidos à força para Prisões de Vigilância Especial. Em 1945, a unidade dos nikkeis se destacaram nos fronts da Europa e do Pacífico, mas foi à custa de dolorosas baixas. Após a guerra, foram homenageados como soldados americanos, o que colaborou para que os nikkeis fossem aceitos pela sociedade americana.
“Daniel Inoue”, nascido no Havaí em 1956 como filho de imigrantes, tornou-se deputado da Câmara dos Representantes pelo estado do Havaí. Em 1963 tornou-se senador. Em 1988, o Congresso norte-americano considerou os “campos de concentração de japoneses” como inconstitucionais, e o então presidente Reagan pediu desculpas e prometeu compensações.
Segundo anúncio do censo populacional dos EUA de 2005, a população nikkei naquela época era de 1,25 milhão de pessoas. A maior parte dos japoneses isseis (nascidos no Japão) do pré-guerra, assim como mais da metade dos nisseis (filhos de japoneses) já tinha falecido nessa época, e quem continua vivo está envelhecendo rapidamente.
Os isseis e parte dos nisseis lutaram na justiça pela inconstitucionalidade da “lei dos centros de relocação (campos de concentração)”. E agora estamos na era da terceira, quarta e quinta geração, e as pessoas dessas gerações já são bons cidadãos americanos que juram lealdade à bandeira americana e não se consideram japoneses.
Depois da guerra, as quotas de migrantes japoneses aos Estados Unidos foram reservadas àqueles que tiveram de abandonar a Manchúria ou outras terras estrangeiras com o fim da guerra, às noivas de guerra que se casaram com soldados americanos, aos detentores de habilidades técnicas especiais e às quotas por sorteio para o público em geral.
Desde então, alguns executivos e funcionários japoneses que vieram aos EUA representando suas empresas durante o progresso econômico do Japão, optam por permanecer no país permanentemente após a aposentadoria, mas tratam-se de residentes permanentes. Poucos solicitam a cidadania americana.

As mulheres de conforto que também existiam entre as forças aliadas e o exército Sul-coreano, porque só o Japão é condenado?

Existem cinco estátuas de mulheres de conforto e uma estátua de trabalhador forçado instalados nos Estados Unidos com a escrita: “200.000 meninas foram levadas pelo exército japonês e forçadas a serem mulheres de conforto acompanhando o exército”.
Estas estátuas foram autorizadas pelas câmaras legislativas e receberam a aprovação dos moradores locais. A JACL possui filiais em diversos locais. A filial distrital de San Fernando Valley (SFV), na Califórnia, reconheceu pela primeira vez, que a estátua simboliza um caso de violação dos direitos humanos e aprovou sua instalação. Estou surpreso com a transformação da sociedade nikkei conforme o tempo.
No final da Guerra do Pacífico, o exército norte-americano, representando as forças de ocupação, autorizaram por meio do GHQ (Quartel General do Comandante Supremo das Potências Aliadas) que as mulheres de conforto fossem instaladas nos acampamentos militares. Claro que as mulheres de conforto eram prostitutas. As casas eram iniciativas civis que ficaram sob a vigilância do exército norte-americano no aspecto higiênico e do controle da criminalidade. Era uma época em que mulheres jovens de origem pobre da cidade e do interior eram chamadas de “Panpan”, atendiam soldados americanos para conseguir garantir o envio de dinheiro para sustentar suas famílias.
Ao iniciar a Guerra da Coréia, a luta armada entre a força combinada das tropas norte-coreanas e chinesas, e os Aliados, principalmente Estados Unidos e Reino Unido fez com que os soldados ocupassem a região. A Coreia do Sul levou mulheres de conforto atribuindo-lhes o nome de “mulheres de conforto especiais”. Mercadores sul coreanos as dividiram em mulheres de conforto fixas e mulheres de conforto itinerantes para atenderem os soldados.
Nesse período, a Coreia do Sul era pobre, e as mulheres eram aliciadas por intermediadores para serem enviadas a um centro de conforto (prostíbulo) e atender os militares. O sustento das famílias humildes dessas mulheres dependia desses serviços. Durante este período, a Coréia do Sul voluntariamente estabeleceu centros de conforto para servir as Forças Aliadas e o Exército Coreano, e chamavam abertamente por aquelas que quisessem trabalhar como mulheres de conforto (prostitutas).

 Os militares eram responsáveis por assegurar a segurança e a higiene desses lugares. É um fato histórico.

Da mesma forma, durante a Guerra do Vietnã, as tropas sul coreanas se juntaram às forças dos EUA, e um centro de conforto (prostíbulo) foi estabelecido no Vietnã. Além disso, o governo vietnamita repreendeu o comportamento do exército sul-coreano na frente de batalha por ter queimado aldeias rurais, raptado e estuprado mulheres e meninas.
Como resultado, muitas crianças mestiças nasceram, e atualmente dizem estar estudando uma forma de indenizá-los. Os vietnamitas não ficam presos ao passado e possuem uma índole pacífica.
O japonês também preza a paz. A Guerra do Pacífico foi uma decisão de autodefesa e de busca pela independência dos países asiáticos. Mesmo que centenas de milhares de civis tenham sido mortos indiscriminadamente pelos bombardeios aéreos e bombas atômicas das forças americanas, os japoneses não buscaram indenizações ou pedidos de desculpas aos EUA ou os Aliados apesar da pobreza que enfrentaram no pós-guerra, olham para o futuro e desejam um mundo em paz e sem armas nucleares. Há poucas nações iguais na Terra.
Os nativos da América e do Canadá e os índios da América Latina também deveriam poder viver tranquilamente no meio da natureza.
A Coreia do Sul, nosso colega asiático, ficam quietos em relação às mulheres de conforto existentes durante a Guerra de Coreia e a Guerra do Vietnã nas quais lutaram ao lado dos EUA, e somente polemizam o caso das mulheres de conforto do exército japonês diante dos EUA e do mundo. Também não param de erguer estátuas de mulheres de conforto e de trabalhadores forçados em diversos locais. Essa postura é incompreensível.
Mesmo após a comprovação da falsidade da matéria sobre as mulheres de conforto do Jornal Asahi Shinbum e da apresentação de evidências históricas que levou os dois países a firmar um acordo oficial sobre o assunto, o Governo Sul-Coreano rompe o acordo para novamente trazer a questão à tona. Os pedidos de desculpa dos primeiros-ministros japoneses do passado e promessas de indenização entre os países, tudo é esquecido depois da troca do presidente. É difícil compreender qual seria o propósito desses atos.
Mesmo no caso dos trabalhadores alegadamente recrutados à força, eles receberam uma ocupação e trabalharam sob as mesmas condições de trabalho e remuneração que os operários japoneses, mas alegam que foram submetidos a trabalhos forçados e até mortos. Trazem acusações infundadas e exigem indenizações das empresas que os contrataram. Ao ver a atitude do país que, depois da Segunda Guerra Mundial, repetem requisições ignorando acordos pré-firmados entre o Japão e a Coréia, só podemos concluir que se trata de uma nação que não sabe cumprir uma promessa.
Parece que a postura da JACL, ao aceitar irrefletidamente a justificativa sul-coreana e aprovar as estátuas de mulheres de conforto pelo ponto de vista da defesa dos direitos humanos, nos faz crer que a organização não está à par das opiniões corretas dos historiadores.

O Ministério das Relações Exteriores do Japão precisa se pronunciar mais.

O Ministério das Relações Exteriores do Japão precisa se esforçar seriamente em se pronunciar através dos Estados Unidos e das Nações Unidas e explicar a lógica correta sobre a questão.
No passado e no mundo todo, não somente o Japão, mas os EUA, a Coreia do Sul e os países aliados também utilizaram as mulheres de conforto sob as mesmas condições de guerra.
Os países asiáticos e os países africanos foram colonizados e controlados pelo Ocidente. Os nativos também tinham seus direitos. Tanto o continente norte-americanos quanto o continente latino-americanos possui uma história de invasão, colonização e exploração pelo Ocidente. A escravidão idem.
Trazer questões do passado para exigir pedidos de desculpa e indenizações não nos leva a lugar nenhum. O mundo será extinto se as pessoas não refletirem seriamente em proteger o futuro do planeta, dar continuidade a uma sociedade pacífica e agir em nome de nossas futuras gerações. (7 de junho de 2019, publicado no Jornal Nikkey Shimbun)


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Desvendando o mistério por trás da Guerra do Pacífico – Fatos Verídicos da História, escrita pelo professor Koichi Mera, Sadao Imamori e Yasuo Inoue. O intuito do livro consiste em rever as realidades históricas da época, analisar a conduta da nação japonesa no contexto de direito internacional e das atividades desenvolvidas por outras nações.

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