SILVIO SANO > NIPÔNICA: Qualquer caminhada é sempre proveitosa!

Quando jovem, quando ainda desenhava tiras e HQ, sob efeito de Gita (1974, Raul Seixas), esbocei algo, como um painel, só para contar, assim como Raul, o quanto perdemos por não prestarmos atenção a tudo que nos rodeia, por mais simples que possam parecer.
Até por isso, no ano seguinte, quando estava no Japão como bolsista, mesmo não dominando a língua, uma música japonesa, Oyoge Taiyaki Kun, na parada de sucessos, chamou-me a atenção pela mesma razão. Até hoje é o single mais vendido na história discográfica daquele país e poucos nipo-brasileiros sabem disso.
Antes, Cotidiano (1971, Chico Buarque) já me atraíra também por isso. As três foram inspiradoras de meu olhar às coisas banais. Com certeza, nasceram daí as Nipônicas que, na origem, trazia temas do cotidiano para mostrar as posturas cidadãs (?) de japoneses e brasileiros diante de mesmas situações. Curti-as muito!
Por isso, agora, mais porque minha esposa me cobra, retomei as caminhadas… mas sempre de olho em tudo pelo caminho… rs.
Por ela não querer caminhar por avenidas devido à quantidade maior de pó no ar (coisa de mulher… rs), sempre buscamos ruas pouco movimentadas. Na última, numa dessas, uma pequenina oficina de carros chamou-nos a atenção. Aliás, pequenos negócios são os que mais têm nesse tipo de rua, ainda mais em tempo de crise… e de não (adiante, explico).
Pois é, no teto dessa oficininha havia uma pequena réplica de um carro de corrida vermelho. Marketing? Funcionou. Mais adiante, uma pracinha circular que, de tão pequena, mais parecia uma rotatória. Mas nela havia moradoras locais e crianças, o que me remeteu à minha interiorana cidade. Só faltou um coreto. Na esquina seguinte um boteco com pessoas, também “daquele pedaço”…jogando conversa fora.
A seguir, mais uma das inúmeras pequenas lojas, daquelas de uma portinhola só. Nessa, à frente, a dona, de braços cruzados… “esperando o primeiro cliente chegar”. Aqui, a explicação do… “e de não”, acima. Ou seja, mesmo em tempo “de não crise, ela sempre esteve lá… aguardando o primeiro cliente. Né, não?!

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