SILVIO SANO > NIPÔNICA: Não é bem assim… as “coisas do Japão”!

Sem querer ser chato, e não o sendo… visto que há muito pretendo abordar o assunto sobre desmistificar certos conceitos da relação Japão com o Ocidente, por isso me contive até agora.
Antes, relembro que o Japão fechando as portas ao Ocidente por mais de dois séculos e quando as abriu, com até a revolução industrial já ocorrida, o país de história milenar e seus cidadãos, tiveram de “engolir” milhares de informações de uma só vez!
Como na época da abertura a principal referência era a Inglaterra, pelo também esquema de realeza, até hoje, por exemplo, o Japão mantém “engolidas” as mãos de trânsito e, acredite, até o bullying escolar… rs.
O que me trouxe ao tema foi rever, nas redes sociais, o post sobre crianças japonesas fazerem tarefas de faxina nas escolas pela alegação de aprenderem a valorizar o patrimônio. Alguns até associam os recolhimentos de lixo, por torcedores japoneses, nos estádios na Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil, como consequência disso. Para mim é outra “história”. Sujou… limpou!
No caso das crianças nas escolas, considero o que sempre falei ao meu filho ainda pequeno que… “papai lavava pratos e passava roupas não porque gostava, mas porque precisávamos dividir nossas tarefas em casa”. Funcionou com ele… e dele ao meu netinho (quase 3 anos) que, depois do banho, leva suas roupas sujas até o cesto ao lado da máquina de lavar.
No Japão 100% alfabetizado, faltam faxineiros! Ou seja, foi uma boa solução por essa alegação, porque alguém tem de fazer a faxina.
Da mesma forma, desmistificando o “japonês não joga sujeira na rua”. Quando um amigo japonês veio me visitar no Brasil, ao jogar seu pacote de cigarro vazio em plena Av. Paulista, adverti-o de que era japonês. Sua reposta: “Aqui, pode!”… e jogou! Culpei o fato de “todo mundo querer cometer um pecadinho”. Aqui, pôde.
Igualmente ao “japonês é respeitoso no trânsito”, de novo… no Japão! A resposta, testemunhei lá, é a mesma de nossos motoristas usarem aplicadamente o cinto de segurança, aqui. Multa! Lá é grande e não há impunidade!
Assim por diante…

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