SILVIO SANO > NIPÔNICA: Konfrontos & Konflitos Nikkeis, na inauguração de bustos

Pois é, Caro leitor, por ainda parecer inerente a muitos nikkeis é que mantenho o título de minhas palestras como “Konfrontos & Konflitos Nikkeis… mais de um século depois”, como se tratasse de algo duradouro, mas não incurável, até porque pela convivência com pessoas de outras etnias que só o Brasil propicia, é natural alguns se “soltarem” mais, outros “tanto quanto” e uns poucos… até mais, conforme presenciei no final da semana passada, no evento de inauguração dos bustos de dois dos pioneiros da imigração japonesa no Brasil, Unpei Hirano e Ryu Mizuno, no Largo da Pólvora. Ou seja, um evento específico!
No entanto, de repente, “surgindo do nada”, uma figura muito conhecida da comunidade que se autodenomina “deputado federal”, com sua fiel escudeira, toma o microfone do mestre de cerimônia e resolve, por sua conta, fazer uma homenagem a um dos presentes, com certificado e tudo. Mas o evento tinha outro fim! Não resisti. Com um conhecido ao lado, começamos a gesticular ao “mestre” para que lhe tomasse o microfone de volta. Conseguiu… só após a fala dele, mas evitou que o homenageado agradecesse evitando atraso maior à programação.
E teve consequência que, dessa vez, me agradou, por outra cena partindo de… não nikkeis! É que, como Ryu Mizuno é originário da Província de Kochi e o cantor japonês Hiroshi Miyama, que está no Brasil para shows, também o é, foi convidado a participar do mesmo. Como japoneses são rigorosos no cumprimento de compromissos, num certo momento, corretamente, os seguranças dele… não nikkeis, tiraram-no de lá impedindo-o de participar da outra homenagem, apesar da insistência dos organizadores.
Mas cá pra nós, não foi apenas o “deputado” a razão do atraso e consequente saída do cantor antes do final da cerimônia que incluía o kagamiwari (quebra do barril de sakê). A mania nikkei de se formar “mesa” numerosa para se fazer “média” foi a outra razão. Quase que a praça ficou curta para deixá-los perfilados ao lado das esculturas. Tudo em nome do tal Miê (aparência), de querer mostrar grandeza. Né, não?!

Comentários
Loading...