SILVIO SANO > NIPÔNICA: É… REIWA!… e não HEIWA, pô!

Desculpem por minha falta de educação acima, mas é que depois de alertar sobre a possibilidade de não descendentes de japoneses de nossa grande mídia pronunciarem de forma incorreta o nome da nova era imperial japonesa (Reiwa, Nippak 04/04/2019) como ocorreu… e ainda ocorre, com a palavra tsunami (não é tisu-na-mi, mas tsu-na-mi), acabei de flagrar um… nissei pronunciá-la erradamente, como no exemplo do título.
Até aí tudo bem, porque a maioria dos descendentes, no Brasil, não conhece a leitura correta do romaji (escrita em caracteres romanos da língua japonesa). O problema é que quem flagrei pronunciando errado, além de ser pessoa pública, tem forte vínculo com o Japão! E não foi apenas essa palavra, nesse dia!
Ah! E daí?!”, ainda o defenderiam alguns com a desculpa de um descuido provocado por nossa leitura natural da escrita japonesa via caracteres romanos, no que concordaria, ou melhor, aceitaria… se tivesse partido de um cidadão comum. Até porque já ocorreu comigo, no sentido contrário, no Japão.
Explico, a partir de exemplos banais do nosso dia-a-dia, como nossa pronúncia natural de “tudo” (tudu), “porque” (purque), “sobre” (sôbri), “ligado” (ligadu), etc., e que foram as causas de eu ter passado vexame no Japão onde a pronúncia correta é fundamental.
Certa vez, em conversa com amigos japoneses falei-lhes que… “iria para Hakodati!” Como estranharam, imaginando não terem identificado a cidade, completei: “Em Hokaidu!” Piorou! Foi quando percebi a razão: pronúncias incorretas!
Aliás, já me reclamaram por mesma situação, mas… olha só!, com a alegação de a japonesada não ter percepção por associação. “Ao contrário”, respondi… “têm mais do que nós!”, e a razão é porque a leitura mental japonesa não é por caracteres romanos, mas por hiragana. Ou seja, se minhas pronúncias do parágrafo anterior tivessem sidos, Hakodate e Hokkaido, não teria passado por aquele mico.
E não adianta virem com a desculpa de que, por estarmos no Brasil, devemos adequar essas palavras à nossa fala. Não cola! Senão… passarei a chamar Hitler de Itoler. Aceitam?

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