SILVIO SANO > NIPÔNICA: Ainda é alto o índice de suicídio no Japão

Por esses dias minha atenção foi atraída, novamente, ao ainda alto índice de suicídios no Japão, reforçada por números relativos da Agência Nacional de Polícia daquele país, mas também por não me sair da cabeça que, em 2003, devido aos mais de noventa suicídios por dia, o governo japonês chegou a declarar a situação como caso de “saúde pública”. De lá para cá melhorou, mas ainda são mais de cinquenta por dia!
Já afirmei inúmeras vezes que não me agrada “invadir praia alheia” e que sou a favor do “cada macaco no seu galho”, mas de tantas vezes deve ser porque também não resisto em dar minhas “pitadinhas” em “praia alheia”, né…
Se bem que sempre deixo claro não se tratar de opinião técnica… induzidora, mas baseada nas observações “in loco”, formadoras das “minhas teorias”.
Pois bem, a primeira vez que essa questão me tocou foi há mais de 30 anos, quando retornei ao Japão para estudar na Universidade de Nagoya. Nesse período, mais precisamente em 1986, o suicídio de uma jovem cantora, muito popular no país, causou forte comoção e uma onda de suicídios, inclusive coletivos, entre fãs. Foi impressionante!
Desde então isso ficou impregnado em mim. Por isso, via Nipônica, de quando em quando, mesmo contra vontade, como agora, acabo trazendo-o de volta.
Li muitas teorias de especialistas tentando elucidar esse mistério no país, inclusive a da relação senpai (veterano) vs kouhai (calouro), extremamente forte naquele país (tal qual um bullying permanente, na escola, no trabalho… e além), com a qual concordo a ponto de tê-la usada até para justificar as longas permanências de japoneses no Brasil que tinham vindos, inicialmente, para curtos períodos… por aqui não existir essa relação.
Mas a que defendo mesmo, que engloba todas, é o fato de ocorrer em país desenvolvido, onde o cidadão comum, tendo de tudo na mão, tem sua criatividade prejudicada às adversidades inesperadas, fazendo-o perder suas referências de vida e, por isso, não sabe como se defender… do bullying, do hikikomori (isolamento social), etc., e também do… suicídio!

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