Sensei Miguel Suganuma recebe Título de Cidadão Paulistano

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Em Sessão Solene realizada no último dia 22, a Câmara Municipal de São Paulo concedeu o Título de Cidadão Paulistano ao Sensei (mestre) Miguel Suganuma. A iniciativa foi do vereador George Hato (MDB). O evento, realizado no Plenário 1º de Maio, contou com as presenças do presidente em exercício da Federação Paulista de Judô (FPJ), Alessandro Puglia; do vereador de Mauá e presidente de honra da FPJ, Francisco de Carvalho Filho; do major da PM, Sergio Miranda (Comandante da Escola de Educação Fisica da Polícia Militar do Estado de São Paulo); dos professores Sadao Flemming Mulero e Yoshiki Matsumoto; da ex-atleta olímpica Soraia André e do voluntário da Ação do Bem Mil Tsurus por 1 Desejo, Cyro Yoshinaga, além de familiares e alunos de Educação Física da PM.
Filho de Suekiti Suganuma, nascido na região de Shizuoka, e de Tsustie Suganuma, da província Yamaguchi, o homenageado nasceu em 2 de março de 1937, na cidade paulista de Presidente Bernardes. Quando tinha 4 anos a família se mudou para Quatá e depois para João Ramalho. Com 12 anos foi para Indiana, onde passou a infância e a juventude. Aos 15 anos interessou-se pelo judô vendo filmes e foi treinar na academia do sensei Yoshimatsu Kussahara, na cidade de Presidente Prudente. Chegou a jogar beisebol sendo campeão infantil diversas vezes representando a região da Alta Sorocabana, de Alta Sorocabana, mas foi o judô a atividade que mais chamou a atenção.

O homenageado com o vereador e demais autoridades e convidados (Aldo Shiguti)
O homenageado com o vereador e demais autoridades e convidados (Aldo Shiguti)

Em 1958 concluiu a escola de soldados e por designação do então tenente Parreira, foi trabalhar na Escola de Educação Fisica da Força Pública – posteriormente Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Foi promovido a cabo em 1959, a sargento, em 60 e aposentou-se como tenente em 1986. Já na década de 70 formou-se em Educação Física pela Faculdade Integrada de Guarulhos.
Tem diversas condecorações, entre elas a Medalha Centenário da Escola de Educação Física e Homenagem da Alesp aos Destaques da Coporação. Como judoca, também coleciona vários títulos de destaque, como o de bicampeão Paulista (1960/61); tricampeão Brasileiro (de 1961 a 1963), Sul-Americano (1962), e Troféu Jornal Paulista como Melhor Judoca, também em 1962.

Ciro Yoshinaga (Aldo Shiguti)
Ciro Yoshinaga (Aldo Shiguti)

Perto de Tóquio – Discípulo do sensei Yoshio Kihara, da Associação Kodokan de Judô (no Parque Dom Pedro II), em 1963 chegou a participar da seletiva para os Jogos Olímpicos de Tóquio do ano seguinte, mas acabou perdendo a vaga para o lendário, Lhofei Shiozawa
Iniciou as atividades de sensei na década de 70, no então Grêmio Desportivo da Força Pública (atualmenteAssociação Desportiva da Policia Militar). Treinou alunos do Clube Taubaté, Tênis Clube de Campinas, Santos FC, Clube de Regatas Santista, Internacional Clube de Santos e Prefeitura de Guarulhos. Treinou também alunos nikkeis dos kaikans de Itaquera, Vila Maria e Ferraz de Vasconcelos.

Yoshiki Matsumoto (Aldo Shiguti)
Yoshiki Matsumoto (Aldo Shiguti)

Membro da Comissão Técnica e treinador da seleção paulista e brasileira das décadas de 70 e 80, ajudou o sensei Okano a implantar uma nova filosofia de treinnamentos no Brasil na década de 70 quando foi plantada a semente que começou a tornar os judocas brasileiros mais competitivos em torneios internacionais.
Vice-presidente da FPJ na década de 90, primeiro presidente e fundador da Liga Paulista de Judô, formou diversos campeões, entre eles a própria Soraia André. Foi da ex-atleta, aliás, o discurso mais emocionado da noite.

A ex-atleta olímpica Soraia André “Cidadão do meu coração” (Aldo Shiguti)
A ex-atleta olímpica Soraia André “Cidadão do meu coração” (Aldo Shiguti)

Professor diferente – Primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro em uma edição de Jogos Pan-Americanos, em Indianápolis (1987), Soraia André também foi uma das pioneiras do judô feminino no Brasil. Ao ser convidada para discursar na homenagem ao sensei, que conheceu na década de 80, Soraia André disse que começou a refletir “se iria falar do sensei Suganuma ou para o sensei Suganuma”. Na dúvida, fez os dois. “Conheci o sensei Suganuma em alguns treinamentos na federação. Para mim, chamou muita a atenção porque eu via um professor de judô, porém, um professor diferente de todos que já havia conhecido. Ele ensinava essa modalidade com tanto amor que transbordava do coração dele. Todos sabem que vim de uma comunidade onde faltava amor, faltava afeto, onde éramos submetidos a todos os tipos de violência. E quando o encontrei, senti um amor tão verdadeiro, que não sabia se estava gostando muito do judô ou se naquele momento estava sendo presenteada com uma presença paterna”, explicou Soraia, afirmando que, mais tarde viria a perceber que “era essa a presença [paterna]”.

Sadao Flemming Mulero (Aldo Shiguti)
Sadao Flemming Mulero (Aldo Shiguti)

“Na minha vida ele fez o papel de pai mesmo, no sentido da palavra, de ser protetor, de ser provedor e de ser promotor. Ele conseguia entender o que eu tinha de potencial e desenvolver não apenas o judô, mas o potencial humano”, esclareceu Soraia, que, agora, falando “para o Sensei Suganuma”, agradeceu.

‘Obrigada’ – “Muito obrigada pela oportunidade, pelo que o senhor representou na minha vida. Não sei se o senhor consegue dimensionar a importância que teve não só ensinando judô mas transmitindo o amor ao próximo. Com essa modalidade eu consegui ter um lugar à sociedade. Uma menina que nasceu à margem da sociedade, conseguiu, através deste esporte, ter um lugar na sociedade, ser campeã e conhecer alguns países. Num dia tão solene, em que o sensei Suganuma recebe o titulo de Cidadão Paulistano, eu quero te dar mais um título. Além deste título, de Cidadão Paulstano, no dia de hoje, eu quero te dar o título de Cidadão dos Céus e, acima de tudo, Cidadão do Meu Coração”, finalizou Soraia, emocionada.

Diálogo – Proponente da homenagem, George Hato lembrou que o título de Cidadão Paulistano é a mais alta honraria qua a Câmara Municipal de São Paulo pode outorgar. “Uma grande honra para São Paulo recebê-lo como filho, uma homenagem que enriquecerá ainda mais a nossa cidade ao torná-la mãe de um homem honrado, inteligente, sensível, sagaz e de uma modéstia que só encontramos em seres humanos realmente muito singulares”, disse o vereador, que falou ainda sobre a vida e as conquistas do homenageado.
Segundo ele, “se hoje temos no judô a modalidade individual que mais medalhas olímpicas deu para o Brasil, devemos essa conquista – 4 de ouro, 3 de prata e 15 de bronze – à dedicação e comprometimento de mestres como o sensei Suganuma. Me sinto honrado em prestar essa homenagem às vésperas da Olimpíada de Tóquio”, disse George.

Com a esposa Keiko, os filhos Ricardo e Roberto, noras e netos (Aldo Shiguti)
Com a esposa Keiko, os filhos Ricardo e Roberto, noras e netos (Aldo Shiguti)

Durante seu discurso como o mais novo Cidadão Paulistano, sensei Miguel Suganuma não conteve as lágrimas e chorou. Lembrou que enfrentou problemas de saúde e agradeceu a todos que o ajudaram. “Quero dividir essa conquista com a turma de judô de Guarulhos, com a turma de judô de São Paulo e também com os alunos de Educação Física da Polícia Militar”, frisou o homenageado que, ao Jornal Nippak, revelou que pretende continuar contribuindo com a Federação Paulista de Judô para tentar “reerguer” o judô brasileiro. “Hoje o judô está na base da força bruta, sem técnica nenhuma. São Paulo sempre foi o grande centro deste esporte e agora não é mais”, explicou o sensei, acrescentando que “falta mais diálogo”.
“Conversando a gente consegue resgatar a verdadeira filosofia do esporte. Não pode separar o judô de suas origens japonesas. É preciso preservar essa filosofia, se não vira bagunça”, explicou o mestre.o “como se deve treinar”.

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