Rio Matsuri 2019 confirma sucesso de público e se consolida como ‘grande evento’ do Rio de Janeiro

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

O Rio 40 Graus, cidade maravilha, como diz a letra da música “Rio 40 Graus”, de Fernanda Abreu, foi cenário, nos dias 25, 26 e 27 deste mês, da segunda edição do Rio Matsuri – Festival da Cultura Japonesa do Rio de Janeiro. Uma realização da GL events – grupo francês que também administra o São Paulo Expo, na capital paulista, onde todos os anos o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) organiza o Festival do Japão – e da Tasa Eventos, o festival reuniu, em três dias, o que há de melhor em cultura japonesa e se consolidou como um dos grandes eventos da Cidade Maravilhosa. Como costuma afirmar o diretor da Tasa, Sergio Takao Sato, “o nosso objetivo é tornar o Rio Matsuri uma referência em termos de qualidade e conteúdo para os visitantes”.
“Sem medo de errar, posso afirmar que o Rio Matsuri é o matsuri mais completo do país em se tratando de atividades”, diz Takao, que também produz outros grandes matsuris espalhados pelo país como como o Festival Nipo-Brasileiro (realizado pela Acema – Associação Cultural e Esportiva de Maringá), Indaiatuba Matsuri Japan Festival, Barueri Matsuri e Costão Matsuri, além de parcerias com a Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), que realiza o Toyo Matsuri – Festival Oriental e o Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas.
Segundo o produtor, nos três dias de evento passaram pelo Pavilhão 4 do Riocentro – o principal centro de convenções da América do Sul – na Barra da Tijuca (zona Oeste do Rio), cerca de 44 mil pessoas, um aumento de 30% em relação ao público do ano passado. “Poderia ter sido melhor, não fosse a chuva de sexta-feira, que acabou desanimando muita gente”, disse Takao Sato que, no entanto, comemorou o resultado “incrível” da festa.
“Realizamos uma pesquisa de avaliação depois do evento que apontou um índice de satisfação de 90% em relação a tudo do festival, seja workshops, alimentação ou atrações. Isso para nós é altamente positivo pois sabíamos que é um evento que veio para ficar e que a tendência é de crescimento a cada ano”, disse Takao, explicando que, “ganha a cidade do Rio de Janeiro e ganham as associações participantes, que saem mais fortalecidas”.

Zico – Quanto ao próximo ano, Takao Sato antecipa um projeto, no mínimo, ambicioso. “Queremos ocupar 2 pavilhões do Riocentro”, revela. A ideia, é ampliar algumas áreas que tiveram grande procura – como os workshops – e tornar outras mais confortáveis, como a do odori. Também está nos planos manter parcerias com a Fundação Japão e “melhorar a ambientação”, além de uma exposição do artista Carlos Kubo em homenagem ao ex-jogador Zico, que também deve ganhar um espaço na terceira edição.
Em abril, Takao Sato deve embarcar para o Japão em companhia da diretora local da GL events, Milena Palumbo, com o objetivo de “colher mais subsídios” para 2020. “O que é mais importante é que o Rio Matsuri atingiu plenamente seu objetivo, que era divulgar a cultura japonesa no Rio de Janeiro. A cultura japonesa nunca esteve tão evidência e nunca foi tão valorizada como nesses dias que antecederam o evento”, conta Takao, acrescentando que, por conta do sucesso, “fomos procurados por outras grandes empresas interessadas em serem nossas parceriras no ano que vem”.

Diretora da GL events, Milena entrega placa para Hirofumi Ikesaki em cerimônia no Rio Matsuri (Aldo Shiguti)
Diretora da GL events, Milena entrega placa para Hirofumi Ikesaki em cerimônia no Rio Matsuri (Aldo Shiguti)

Personalidade do Ano – Pouco familiarizados com os matsuris, os cariocas puderam conferir um pouco mais sobre a cultura japonesa, como a gastronomia, workshops, demonstrações de artes marciais, música, dança, taiko, exposições, produtos e novidades tecnológicas – como a realidade virtual aumentada – e atividades para a garotada e fãs de mangás e animes, como a League Cup Pokemon, além do Concurso Miss Nikkey Rio Matsuri 2019 e o Concuro Cosplay WCS.
Como destaque, a segunda edição apresentou o prêmio Personalidade Nikkei do Ano. E o primeiro homenageado foi o empresário e presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade) Hirofumi Ikesaki, que recebeu o prêmio das mãos de Milena Palumbo. Quem fez a “apresentação” do homenageado foi o executivo Pedro Mizutani, que também se apresentou no palco do Rio Matsuri com o Grupo Todos Nós e foi um dos palestrantes do Fórum de Liderança Nikkei – que contou ainda com o fundador do Instituto Paulo Kobayashi, Victor Kobayashi, e Roberto Tuji.
Pedro Mizutani falou sobre o que Hirofumi Ikesaki representa para a comunidade nikkei. Contou sobre sua trajetória, desde que saiu da província de Kumamoto – onde o empresário nasceu – aos cinco anos de idade, para morar com a família em Bastos, até se tornar um dos empresários mais bem sucedidos no ramo de cosméticos – , foi Ikesaki que criou o primeiro supermercado de produtos de beleza do país e é o fundador da Beauty Fair, maior feira de beleza profissional das Américas. E revelou o “segredo” do empresário para se manter ativo aos 92 anos de idade: “Trabalhar muito e ter muita alegria”.
Acostumado a homenagear – e não ser o homenageado – Ikesaki, que foi ao Rio de Janeiro especialmente para a ocasião, ficou emocionado. Agradeceu e contou que a Acal é responsável por dois dos maiores festivais japoneses do mundo: o Tanabata Matsuri (Festival das Estrelas) e o Moti Tsuki Matsuri (Festival do Bolinho da Prosperidade) – que juntos atraem mais de 300 mil pessoas ao bairro da Liberdade.

Pavilhão do Riocentro decorado com os tanabatas da Acal (Aldo Shiguti)
Pavilhão do Riocentro decorado com os tanabatas da Acal (Aldo Shiguti)

Parceria – A diretora da GL events disse que “é uma honra poder homenagear um grande incentivador da cultura japonesa não só em São Paulo como também agora no Rio de Janeiro”. Milena Palumbo, aliás, em entrevista ao Jornal Nippak, explicou porque uma multinacional francesa decidiu bancar a realização de um evento sobre a cultura japonesa onde a comunidade nikkei não passa de 16 mil membros em todo o Estado.
“Acho que essa fusão de culturas, no Rio, é prova que, primeiro, o povo brasileiro sabe acolher todas as culturas, sabe valorizar acima de tudo e, mais do que isso, a empresa GL tem uma relação com o país Japão muito grande. Nós somos parceiros do Festival do Japão em São Paulo porque nós somos o gestor do São Paulo Expo, e o mesmo conceito do Festival do Japão de lá nós estamos trazendo para o Rio. Além disso, a GL esse ano fez um investimento com a Prefeitura de Aichi, na província de Nagoya, o que nos torna a primeira empresa francesa a fazer uma concessão pública no Japão”, explicou Milena, acrescentando que o grupo GL também realiza festivais do Japão em outros centros de convenções espalhados pelo mundo – além do Riocentro e do São Paulo Expo, a GL administra outros 40 centros de convenções no mundo inteiro. “Ou seja, nossa relação não está restrita ao Rio de Janeiro, ela é global, é uma atividade da GL, que à baseada na Lyon, mas ela é global”, conta Milena, destacando que o formato do festival “tem tudo a ver com as comunidades locais”.

Alma carioca – “Esse evento não existiria sem o engajamento, o desejo e o orgulho da comunidade nikkei do Rio. São elas que dão a alma, o conceito, a curadoria, e o conteúdo. Quem procura um evento como o Rio Matsuri está atrás, principalmente, de cultura e a comunidade japonesa é o embasamento de todo o nosso festival”, afirma Milena, destacando que o Festival do Japão de São Paulo é uma “referência”. “A gente está falando de mais de 20 anos de festival, mas não podemos nos esquecer que nós estamos no Rio. Por isso, trata-se de um festival japonês, mas que também tem uma alma carioca”, diz ela, referindo-se às ações com o baterista japonês Masa, que veio ao Brasil a convite da Fundação Japão e tocou aos pés do Cristo Redentor e com os alunos do Projeto Funk Verde na Comunidade Roquete Pinto.
“Foi uma troca imensa. Além disso, fizemos uma atividade na orla de Copacabana com o grupo de taiko Ryukyu Koku Matsyri Daiko e com o Jya Odori, juntamente com uma ação de conscientização sobre a necessidade de cada cidadão ser o responsávelo pelo seu lixo”, disse Milena, antecipando que, para a terceira edição, o foco será na tecnologia. “Como é um festival que traz mais da metade dos visitantes de não nikkeis, você tem que se superar a cada ano em termos de conteúdo”, avisa.

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Adesão – Presidente da Associação Nikkei do Rio de Janeiro (Rio Nikkei), Minoru Matsuura explicou ao Jornal Nippak que o Rio Matsuri conta com o apoio das quatro principais associações nipo-brasileiras sediadas na capital, que além da Rio Nikkei conta ainda com a Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro –Renmei, que congrega 23 associações – Instituto Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Rio de Janeiro, além do Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro.
“Até 2017, realizávamos o nosso festival no Aterro do Flamengo, mas como era um local aberto, enfrentávamos alguns problemas, como as intempéries da natureza, falta de infraestrutura e de segurança e a circulação de ambulantes. Mas aí surgiu o Takao e a GL e decidimos abraçar este evento”, conta Matsuura, lembrando que o festival no Flamengo reunia cerca de 12 mil pessoas em dois dias.
Para o presidente da Renmei, Takashi Mori, o Rio Matsuri não pode parar. “É um evento que está crescendo a cada ano e já está consolidado entre os moradores da cidade”, destaca Mori, acrescentando que este ano a praça de alimentação teve a adesão de outras associações do interior, como a de Tinguá, Papucaia e Niterói.

Patrocínio – Diretor da Nissan do Brasil. Pedro Bentancourt explicou que a montadora japonesa está há 18 anos no Brasil e desde 2014 marca presença no Rio de Janeiro. “Para nós, apoiarmos atividades que envolvam a cultura japonesa é algo natural. Pelo segundo ano consecutivo somos patrocinador master do Rio Matsuri e ficamos muito mais que honrados podermos espalhar um pouco mais da cultura japonesa ao povo do Rio de Janeiro”, observou Bentancourt, lembrando que a Nissan é uma das empresas “mais brasileiras entre as japonesas” instaladas no Rio de Janeiro. “Nós empregamos mais de 1500 pessoas no Estado e geramos renda, tributos, lucros, além de trazermos valores da cultura japonesa, características que também estão presentes nos nossos produtos”, afirmou.

Parceiros – Presente na cerimônia de abertura, o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Ruan Lira – que esteve representando o governador Wilson Witzel, disse à reportagem do Jornal Nippak que aideia é estreitar cada vez mais a parceria com a comunidade nikkei “não só através do Consuilado do Rio, mas também através de institutos, fundações e da própria comumndade nipo-fluminense”. “Nosso objetivo é intensficiar cada vez mais esse intercâmbio cultural entre os cidadãos fluminense e japonês para que possamos não só na capital mas também nas 92 cidades estar intenfisicando essa cadeia produtiva cultural que é muito importante para a economia criativa do estado, que é por onde a gente vai conseguir transformar a cultura de bens em vetor de desenvolvimento não só humano mas, a partir de agora, também econômico e social. Ou seja, com essa parceria queremos chegar daqui a alguns anos num patamar diferente do que a gente se encontra hoje. E tenho certeza que a comunidade japonesa caminhará do nosso lado através da cultura para que possamos alcançar esse objetivo”, finalizou o secretário.
Já o subsecretário de Promoção de Eventos do Rio de Janeiro, Rodrigo de Castro, destacou que o evento “cresceu” em relação à primeira edição. Segundo ele, apesar da distância geográfica que sepraram os dois países, o Rio Matsuri conseguiu aproximar duas culturas tão distintas e afirmou que o evento fará parte do Calendário de Eventos Oficiais do Rio de Janeiro.

Takao, Bentancourt, Sohaku, Milena, Minoru e Mori (Aldo Shiguti)
Takao, Bentancourt, Sohaku, Milena, Minoru e Mori (Aldo Shiguti)

Abertura – A cerimônia de abertura contou com a presença do diretor da Tasa Eventos, Takao Sato, da diretora regional da GL events, Milena Palumbo, do cônsul adjunto do Consulado do Japão no estado Rio de Janeiro, Ken Kondo, do diretor geral da Fundação Japão, Masaru Susaki, do diretor da Nissan, Pedro Bentancourt, do presidente do Instituto Cultural Brasil-Japão, Sohaku Bastos, do presidente da Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira do Estado do Rio de Janeiro (Renmei), Takashi Mori, do presidente da Associação Nikkei do Rio de Janeiro (Rio Nikkei), Minoru Matsuura, o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Ruan Lira e do Subsecretário de Promoção de Eventos do Rio de Janeiro, Rodrigo de Castro, entre outos.

O jornalista cobriu o evento para o Jornal Nippak/Nikkey Shimbun a convite dos organizadores do Rio Matsuri 2019

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