PRÊMIO KIYOSHI YAMAMOTO: Primeira da Era Reiwa, cerimônia de outorga acontece nesta sexta-feira

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A Cerimônia de Outorga do 49º Prêmio Kiyoshi Yamamoto – a primeira edição da nova era – Reiwa – que acontece nesta sexta-feira (8), no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), no bairro da Liberdade, em São Paulo, vai homenagear quatro destaques da área agrícola. Um deles mora há quase três décadas no Japão. “Existe um provérbio que diz assim: ‘em casa de ferreiro, espeto de pau’. Normalmente, o pessoal do seu próprio país de origem não costuma de te dar muito valor. Então, para mim, receber este Prêmio é uma honra muito grande”. A observação é de Walter Toshio Saito, brasileiro que reside no Japão desde 1990 e é conhecido naquele país como o “rei da cebolinha”.
Segundo ele, o Prêmio Kiyoshi Yamamoto é “um reconhecimento pelo trabalho que a gente tem feito aqui no Japão, de receber estagiários aí do Brasil para tentar passar um pouquinho do nosso conhecimento e da nossa forma de trabalho”. “Para mim realmente é uma honra muito grande e que não tem preço”, diz ele, que fez questão de receber o Prêmio pessoalmente. “Na realidade eu não esperava por estar aqui no Japão, tão longe, e ser reconhecido no Brasil. É muito, muito gratificante mesmo”, admite Toshio Saito, que agora quer ser também o primeiro na produção de mandioca.

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Importância – Além de Toshio Saito, na edição de 2019 serão homenageadas outras três personalidades escolhidas após indicação das entidades representativas da comunidade nipo-brasileira. São eles: Elliot Watanabe Kitajima, Tamio Sekita e Masatoshi Otani.
De arcodo com Izumi Honda, coordenadora do CKC (Chuo Kaihatsu Corporation) e desde 2018 membro da Comissão do Prêmio Kiyoshi Yamamoto, este ano – a exemplo das edições anteriores – a escolha foi bastante acirrada. “Felizmente, a cada ano que passa estamos conseguindo indicações em quantidade e também em qualidade, o que demonstra a importância do evento”, confirma o presidente da Comissão, o engenheiro agronômo Kunio Nagai.
Para Izumi Honda, um dos méritos do Prêmio Kiyoshi Yamamoto é justamente descobrir nikkeis que estão se destacando pelo país afora e, no caso de Toshio Saito, também no exterior. “Todos os homenegados têm contribuído muito para o desevolvimento da agricultura brasileira”, conta.

Kunio Nagai, Izumi Honda e Alfredo Tsunechiro, da Comissão

Longevidade – Instituído em 1965 pela Associação Brasileira de Estudos Técnicos da Agricultura (Abeta), o Prêmio Kiyoshi Yamamoto é um dos prêmios mais tradicionais do setor agrícola do Brasil. Desde 1999, é promovido pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), já tendo premiado mais de 150 pessoas e instituições por suas relevantes contribuições ao Brasil nas áreas de produção vegetal, produção animal, ensino, pesquisa, fomento, inovação e difusão de técnicas agropecuárias, bem como ações comunitárias e sociais.
O 1º Prêmio foi outorgado em 1965, ano 40 da era Showa, do imperador Hirohito e até 1988, ano 63 e último da era Showa, foram concedidos 22 prêmios e homenageadas 76 personalidades e duas cooperativas. Em 1988, com o início da era Heisei, do imperador Akihito, e até 2018 (ano Heisei 30), foram concedidos 26 prêmios e homenageadas 81 personalidades. Em 48 anos, foram homenageadas 157 personalidades e duas instiuições.

Cerimônia de outorga do 49º Prêmio Kiyoshi Yamamoto
Quando: Sexta-feira (8), a partir das 19h.
Onde: Salão Nobre do Bunkyo (Rua São Joaquim, 381 – 2º andar – Liberdade – próximo à estação São Joaquim do metrô)
As adesões podem ser feitas no dia mediante o pagamento da taxa, no valor de R$ 100,00
Mais informações:
tel.: (11) 3208-1755

Conheça um pouco mais sobre os homenageados deste ano:

Elliot Watanabe Kitajima, natural de Registro, ingressou no curso de Agronomia da Esalg – USP em 1955, em primeiro lugar e graduou-se também em primeiro lugar (1958). Ingressou no IAC (Instituto Agronômico de Campinas), na seção de Virologia.
Atualmente, aos 84 anos idade, Kitajima ainda continua ativo em suas pesquisas. Durante sua permanência no IAC descreveu importantes vírus de plantas, tais como tristeza dos citros, tospovirus – agente do vira-cabeça, vírus de hortaliças e fitoplasmas. Em sua pesquisa sobre vírus transmitidos por ácaros reuniu grupos de pesquisadores de diferentes especialidades do Brasil e do exterior.

Tamio Sekita, natural de Cornélio Procópio (PR), mudou-se para a região do Alto Paranaíba, no município de São Gotardo (MG), em 1973. Dois anos depois fez parte da primeira turma do projeto de assentamento do Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (Padap), em São Gotardo.
Empreendedor nato, Sekita tem atuado como defensor do cooperativismo, qualidade que tem utilizado para criar e fortalecer instituições tais como Sindicato dos Produtores Rurais de São Gotardo (presidente em segundo mandato), Sagagel – Armazens Gerais. Também é sócio-proprietário do Grupo Minas Agronegócios, Alho Forte, Grupo Cultivares e Sekita Agronegócios.

Masatoshi Otani, natural da província de Aichi, emigrou ao Brasil em 1960 acompanhado da família. Adquiriu terras em São Miguel Arcanjo, na Colônia Pinhal, onde começou o cultivo de tomates, passando a produzir uva Itália e mexerica ponkan. Em 1983 mudou-se para o Rio Grande do Norte, no município de Ipanguaçu, dedicando-se ao cultivo de lavouras cítricas. Em 1993, em Aracati (CE) passou a plantar melão e manga e, em 1997 transferiu-se para Baraúna (CE) para cultivar melões nobres e melancias sem sementes.
Em 1998 criou o Grupo Real com quatro japoneses e hoje mantém negócios com a Inglaterra, Holanda, Itália, Dinamarca e Alemanha.

Walter Toshio Saito, natural de Boa Terra (PR), em 1990 mudou-se para o Japão para trabalhar como dekassegui. Empreendedor nato, Saito montou diversas empresas, entre elas, um escritório de agenciamento de trabalhadores brasileiros e a escola TS Gakuen.
Em 2008, com a crise global, decidiu apostar na produção de legumes e verduras na província de Saitama, na região metropolitana de Tóquio. Aplicando conhecimentos acumulados juntamente com seus colaboradores, iniciou o plantio num terreno de 5 mil m2. Dez anos depois, a empresa cultiva 40 hectares e se tornou a maior produtora de cebolinha do Japão. Atualmente é conhecido no país como o “rei da cebolinha”.

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