Piraúna – Pogonias cromis

Por Marcelo Szpilman com Ilustração de Antônio Woyames

Coloração: corpo cinza-prateado a cinza-escuro com quatro ou cinco barras escuras verticais no dorso e flancos. Essas barras fundem-se nos grandes espécimes. Nadadeiras escuras. Corpo alto, robusto e um pouco comprimido lateralmente. Boca pequena e inferior. Apresentam dez a treze pares de barbilhões abaixo da maxila inferior, pequenos na ponta e maiores posteriormente. Escamas grandes, ctenóides no corpo e ciclóides na cabeça. Caudal truncada. Podem medir 1,7 metro e pesar 51,5 kg, mas a média de captura são espécimes de 0,7 metro e 7 kg.
Ocorrência: nas águas tropicais e subtropicais da costa americana do Atlântico. No Brasil, estão presentes por todo o litoral.
Habitat: nectônicas demersais costeiras de águas rasas, habitam os fundos de areia e/ou lama. São muito comuns nas áreas que sofrem influência de grandes rios, ao longo das praias e mangues. Os espécimes juvenis frequentemente penetram nos estuários.
Hábitos: são encontradas em pequenas a grandes agregações próximas ao fundo. Os machos, principalmente na época da reprodução, emitem altos ruídos amplificados pela bexiga natatória.
Alimentam-se no fundo, com a ajuda dos barbilhões, de peixes, crustáceos e moluscos bivalvos. Devido à preferência por estes moluscos, os criadores de ostras e mexilhões não apreciam sua presença.
Captura: sua carne, considerada de boa qualidade, é comercializada fresca. Apesar da boa aceitação e valor comercial significativo, sua frequência nos mercados não é muito regular. São capturados com vara de pesca, linha de mão, rede de arrasto de fundo, arrastão de praia e curral. Calmas e lentas, são muito procuradas pelos pescadores esportivos e submarinos por seu porte avantajado e grande resistência para serem dominadas. As grandes escamas são utilizadas na confecção de bijuterias e a bexiga natatória na confecção de cola. São ariscos e mantêm boa distância dos mergulhadores.
Outros nomes vulgares: burriquete (RS – pequeno porte), corvina-preta, graúna, miragaia, miraguaia (SP), perombeba, vaca (RJ – grande porte).

*Marcelo Szpilman, biólogo marinho formado pela UFRJ, com Pós-graduação Executiva em Meio Ambiente (MBE) pela COPPE/UFRJ, é autor dos livros Guia Aqualung de Peixes (1991) e de sua versão ampliada em inglês Aqualung Guide to Fishes (1992), Seres Marinhos Perigosos (1998), Peixes Marinhos do Brasil (2000) e Tubarões no Brasil (2004). Diretor-presidente do Aquário Marinho do Rio de Janeiro, membro do Conselho da Cidade do Rio de Janeiro (área de Meio Ambiente e Sustentabilidade) e colunista do site Green Nation.

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