Para Kim, questão do visto para yonsei ‘está bastante avançada’

Grupo de parlamentares visitou o Instituto TS Recreação, fundado por Toshio Saito

O deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) pretende apresentar projeto de lei para que os próprios alunos realizem a limpeza em sala de aula, como acontece no Japão. Segundo ele, a atividade é “importante para entender que eles são parte da escola, que aquilo é um patrimônio deles, da sociedade, e também para criar, desde cedo, essa mentalidade de cuidar do que é de todos, justamente para que os alunos tenham essa cultura do trabalho ao mesmo tempo em que estudam”, explicou o parlamentar, que fez um balanço, a pedido do Jornal Nippak,  de sua viagem – a primeira – ao Japão como convidado do governo daquele país para participar do Programa Juntos!! – Intercâmbio Japão-América Latina e Caribe.

Além do parlamentar do Democratas, o grupo, que embarcou no dia 8 e retornou no dia 19, foi formado pelos também deputados federais Marcel Van Hattem (Novo-RS), Luisa Canziani dos Santos Silveira (PTB-PR) e Filipe Barros Baptista de Toledo Ribeiro (PSL-PR), e pelo senador Marcos Rogério da Silva Brito (DEM-RO).  A lista incluiu ainda o prefeito de Ivoti (RS), Martin Cesar Kalkmann (PP); o diretor de Relações Institucionais do Sindicato dos Estabelecimentos e Serviços de Saúde do Pará, Leonardo Riodades Daher Santos; o professor universitário de Sergipe, Marcelo Pereira Souza; o professor universitário do Pernambuco, Thales Cacanicanti Castro e o deputado estadual do Paraná Alexandre Guimarães.

O que no Brasil é visto como uma espécie de obrigação, no Japão faz parte da rotina dos alunos. Segundo Walter Toshio Saito, presidente da Associação das Escolas Brasileiras no Japão, trata-se de um costume enraizado desde o ensino de educação infantil até as universidades. Aliás, o Instituto TS Recreação, fundado pelo brasileiro na província de Saitama, em 1997, foi um dos locais visitados pelo grupo de parlamentares durante a estadia no Japão.

O objetivo foi entender como os brasileiros se adapataram ao sistema educacional japonês. E  a divisão de tarefas é um dos aprendizados. “Antes mesmo de abrirmos a creche, fizemos um estágio em creches japonesas para conhecer como funciona o sistema”, conta Toshio, que recentemente esteve no Brasil onde falou sobre sua trajetória em diversas associações nikkeis.

“Não implantamos, mas utilizamos o que já existia”, diz Toshio, que está há 29 anos no Japão e é conhecido também como “O Rei da Cebolinha”. “Acredito que é – ou deveria ser – o óbvio: você sujou, você limpa. Isso também faz parte do aprender, aprender cidadania, aprender o respeito ao próximo e a zelar pelo coletivo”, diz Toshio Saito, explicando, porém, que nem todas as escolas filiadas à associação seguem esse sistema.

 

Nada sobre nada – Para Kim, “o foco” na educação, como em línguas e matemática, é outro exemplo que poderia ser seguido. “É o que falta no Brasil. A nossa educação é muito dispersa em várias matérias e a gente acaba querendo aprender um pouco de tudo sobre tudo e acaba aprendendo nada sobre nada”, diz.

A educação não foi a única coisa que chamou a atenção do parlamentar. “A viagem ao Japão foi bastante positiva. O que mais me impressionou em termos de estrura de país, que poderia ser copiado para o Brasil, primeiro a infraestrutura. Lá é tudo muito bem organizado, o monitoramento do trânsito, aliás, é integrado com a polícia. E a segurança, em especial a polícia comunitária, foi outra coisa que me chamou a atenção. Tem um procedimento otimizado para que seja utilizado um mínimo possível de policiais para atender o máximo de ligações e ocorrências possíveis, que são encaminhadas para o posto policial mais próximo para que, em caso de emergência, o operador, enquanto escuta já encaminha a denúncia ou problema para a delegacia mais próxima, antes mesmo da vítima fazer o relato”.

Durante praticamente dez dias, o grupo visitou instituições governamentais, como a Jica (a agência de cooperação do Japão), educacionais e empresas, como a NEC. Conheceram inovações tecnológicas e o parlamento japonês.

Com o vice-primeiro-ministro japonês e ministro das Finanças Taro Aso, Kim Kataguiri teve oportunidade de falar não só sobre cooperação econômica entre os dois países como também um assunto que interessa – e muito – à quarta geração de descendentes de japoneses, os yonseis.

“As principais demandas que levei do governo brasileiro para o Japão foram a exportação de carne in natura e frutas, além de material genético para que eles comecem a produzir seus próprios frangos”, conta Kim, explicando que, hoje, o Brasil é responsável por quase 70% do que os japoneses importam”. “E eles querem ter produção própria e a gente está disposto a fornecer material genético”, disse o deputado, que também  ouviu demandas da comunidade brasileira que mora no Japão.

 

Visto para yonsei – Segundo ele, a ideia é trabalhar em conjunto com o governo japonês no sentido de “orientar os brasileiros que moram no país para seus direitos”. “Os brasileiros que foram para lá há mais tempo como dekasseguis acabaram envelhecendo e a ideia é oferecer um auxílio por parte do governo japonês orientando esses brasileiros sobre quais são os seus direitos, num trabalho conjunto com os Consulados e a Embaixada”, explicou Kim, acrescentando que “ao mesmo tempo, tive uma resposta muito positiva em relação ao visto para yonseis numa reunião com o vice-primeiro-ministro Taro Aso. Ele disse que o assunto já está bastante avançado no governo japonês, através do Gaimusho (Ministério dos Negócios Estrangeiros) e muito provavelmente vamos ter novidades nos próximos meses”, garantiu o deputado, revelando que pretende retornar ao Japão “o mais breve possível”.

“Antes de qualquer coisa foi uma honra conhecer a terra dos meus ancestrais, conhecer um país que ao meu ver – já estive em países da Europa e nos Estados Unidos – não tem nem como comparar a organização, o desenvolvimento humano, o desenvolvimento social do Japão com países da Europa e Estados Unidos que eu visitei. É realmente impressionante e significa muito para mim. Pretendo voltar o quanto antes porque é um lugar que temos muito que conhecer. Desta vez fui a trabalho, focado na missão, mas tenho intersse em me aprofundar na história e na cultura do Japão”, afirmou.

(Aldo Shiguti)

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