Oscar Morio Tsuchiya assume Presidência da CBS preocupado com a renovação do esporte

(Aldo Shiguti)
(Aldo Shiguti)

Renovar, sim, mas sem esquecer aqueles que tanto contribuíram – e continuam contribuindo – para a divulgação e engrandecimento da modalidade. Essa é uma das principais bandeiras levantadas pelo novo presidente da Confederação Brasileira de SumÔ (CBS), Oscar Morio Tsuchiya, que tomou posse no último dia 13, em Assembleia Geral da entidade.
Ex-presidente da Federação Paulista de Sumô por dois mandatos – ou oito anos (de 2007 a 2015) – e vice-presidente da CBS na gestão de Isao Kagohara, que ficou 12 anos na Presidência (de 2007 a 2018), Morio disse ao Jornal Nippak que “há tempos vinha adiando o convite” para o cargo, quase sempre por motivos de trabalho.
Além disso, rasga elogios para seu antecessor. “O desempenho do Issao Kagohara durante todo esse tempo foi fantástico”, conta, admitindo que o seu sim também tem a ver com a nova exigência do Ministério dos Esportes, que limita o mandato de dirigentes de Confederações e Federações que recebem recursos federais a uma reeleição.
Segundo Morio, uma de suas prioridades já foi posta em prática. A relação da Diretoria da entidade – com exercício de 2019 a 2023 – apresenta novidades, com muitos nomes de atletas que sempre atuam nos bastidores do sumô nacional. Entre os diretores estão atletas conhecidos como Willian Takahiro Higuchi (diretor Institucional), Tooru Kosaihira (diretor Técnico) e Fernanda Rojas Pelegrini (Administrativo).
“A ideia é iniciarmos uma nova fase no sumô brasileiro, mas isso não quer dizer que vamos esquecer dos veteranos. Ao contrário, a experiência deles será imprescindível para que esta transição ocorra com sucesso”, explica Morio, afirmando que também pretende dar continuidade ao trabalho iniciado por Kagohara.
E um dos desafios já está logo aí. Trata-se do Campeonato Mundial, que este ano será realizado em outubro, no Havaí (Estados Unidos). “Todos só anos enfrentamos problemas para enviar a seleção para o Mundial, sempre esbarramos no velho problema que é a falta de verbas”, lamenta o dirigente.
Segundo ele, hoje a entidade arca com as despesas de estadia e alimentação dos atletas, que são obrigados a bancarem suas próprias passagens.

Oscar Morio (terceiro, a partir da direita), com dirigentes da modalidade - Arquivo
Oscar Morio (terceiro, a partir da direita), com dirigentes da modalidade – Arquivo

Recadastramento – “Queremos amenizar um pouco esses gastos dos atletas, que todos os anos, após passarem pelas seletivas, tem que arrecadar dinheiro vendendo camisetas ou fazendo rifas”, conta Morio, revelando que pretende buscar parceiros. “Sabemos que patrocínio também está muito difícil nos dias de hoje”, conta, acrescentando que outra prioridade será fazer o recadastramento de todos os atletas com registros nas três federações estaduais – além de São Paulo – Pará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
“Atualmente contamos com cerca de 500 atletas em todo país mas vamos trabalhar para aumentar esse número. A ideia é abrirmos o dohyo do Ginásio de Sumô do Bom Retiro também nos dias de semana para que os interessados possam conhecer e praticar”, diz Morio, lembrando que atualmente a CBS conta com um instrutor japonês enviado pela Jica (Japan International Cooperation Agency), Hiroyuki Iida, cujo período de permanência no país é de dois anos – ele ainda tem cerca de um ano e meio de estadia. “Queremos colocar instrutores também no Bom Retiro”, antecipa o dirigente, acrescentando que em março o local sediará o Campeonato Paulista e a seletiva para o Mundial.

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