Organizadores e participantes celebram sucesso do evento e destacam ‘união de forças’

Roberto Rodrigues recebe lembrança de Noriko durante cerimônia de abertura do 10º Bunkyo Rural (Aldo Shiguti)

“É pena que só temos oportunidade de realizar uma única vez. Quando você repete você conserta erros, porém, foi uma oportunidade. Fiquei impressionado com o potencial agrícola, em especial de hortifrutis, na região. A Camda é uma cooperativa que teve sua origem nos produtores de café, há 54 anos e vem atendendo esse mercado. Hortifruti era atendido pela Cotia e depois que ela fechou esse mercado acabou ficando órfão e nós também não enxergávamos esse mercado”. A análise é do diretor presidente da Camda – Cooperativa Agrícola Mista de Adamantina –, Osvaldo Kunio Matsuda, e ilustra bem o que foi o 10º Bunkyo Rural. Realizado nos dias 27 e 28 de setembro, no Clube de Campo da Camda, em Adamantina – distante 582 km da capital paulista – pela Comissão Bunkyo Rural em parceria com a Camda, Acrea – Associação Cultural Recreativa e Esportiva de Adamantina, Prefeitura Municipal, Centro Universitário de Adamantina (UniFai) e Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), a décima edição do encontro, que teve como tema “Tendências para o Agronegócio”, terminou não só com um balanço positivo como também foi considerado um dos melhores da história do Bunkyo Rural.
Respaldado pela união de forças – foi a primeira vez que o evento mobilizou poder público, iniciativa privada, cooperativa e uma instituição de ensino – e palestrantes gabaritados, o Bunkyo Rural parece que, enfim, encontrou sua fórmula ao chamar a atenção para as necessidades da região.
Não à toa, segundo o presidente da Comissão, Tomio Katsuragawa, foram emitidos cerca de 400 certificados de participação. Passaram pelo local, nos dois dias, associados da Camda, estudantes e pequenos produtores.

Marcio Cardim e Roberto Rodrigues (Aldo Shiguti)

Na cerimônia de abertura, realizada na sexta-feira, 27, estiveram presentes o prefeito de Adamantina, Márcio Cardim, o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Gustavo Junqueira, o ex-ministro de Agricultura, Roberto Rodrigues, o presidente da Camda, Osvaldo Kunio Matsuda, a presidente da Acrea, Noriko Saito, o presidente em exercício do Bunkyo, Jorge Yamashita e o presidente do Prêmio Kiyoshi Yamamoto, Kunio Nagai, entre outros.
O cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi nNoguchi, chegou a ir até Adamantina, mas devido a um incidente ocorrido no dia anterior – conforme ele mesmo revelou ao Jornal Nippak, “uma lesão muscular” sem gravidade – teve que retornar do hotel onde se encontrava hospedado direto para o Hospital Santa Cruz, na Capital, onde passou exames e foi medicado.

Prodecer – No sábado, o público teve oportunidade de acompanhar a palestra magna com o ex-ministro Roberto Rodrigues, que também é membro do Conselho Superior de Apoio e Orientação do Bunkyo. Rodrigues falou sobre a falta de lideranças no mundo, que provoca consequências como ausência de projetos, e a segurança alimentar como única garantia de paz universal.
Segundo ele, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) realizou estudo que concluiu que o mundo terá de produzir 20% a mais de alimentos em dez anos para suprir a demanda global; e que, para isso acontecer, o Brasil precisará elevar sua oferta em 41%, o dobro da meta mundial. “Essa situação decorre de três condições peculiares: temos a melhor tecnologia tropical e sustentável do planeta, terra disponível para crescer e sobretudo gente competente nos diferentes elos das cadeias produtivas.”
O ex-ministro também destacou a contribuição dos japoneses para a agricultura e citou três características trazidas pelos primeiros imigrante que “mudaram o agronegócio brasileiro: “a criação dos cinturões verdes, a ideia de cooperativismo e a implantação do Prodecer”. E concluiu afirmando que hoje o cooperativismo exerce um papel muito mais importante que teve no passado.

José Feltran com Yamashita e Tomio (Aldo Shiguti)

Na sexta, as palestras prosseguiram com o agronômo e pesquisador científico no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), José Feltran, que falou sobre “Mandioca do campo à fecularia”; o agrônomo e pesquisador da Apta de Ribeirão Preto, Denizart Bolonhezi, que abordou o tema “Cultura da soja na Alta Paulista”; o zootecnista e pesquisador da Apta-Colina, Gustavo Rezende Siqueira; que falou sobre a “Produção do boi 7-7-7”; o professor Victor Borba falou sobre “O Fenônemo do Big Darta – Agricultura 4.0”; a zootecnista e professora da Unesp (Campus de Dracena), Cristiana Andrighetto, que destacou a “Produção de bovinos em sistemas integrados de produção agropecuária”; o agronômo e professor adjunto da Universidade Estadual Paulista (Campus de Dracena), Reges Heinrichs, que falou sobre “Manejo da fertilidade do solo e adubação para produção de pastagens no Oeste Paulista”; e fechando o ciclo de palestra no primeiro dia, a zootecnista Andreia Luciane Moreira, da Apta Regional Alta Sorocabana, abordou o tema “Potencial das forrageiras no manejo de pastagens na produção animal no Oeste do Estado de São Paulo”.

Diogenes Kassaoka (Aldo Shiguti)

Segundo dia – O segundo dia dia teve início com a palestra de Diógenes Kassaoka, da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que falou sobre “Cooperatrivismo e Associativismo na Alta Paulista”. Em seguida dois temas que despertaram muito interesse do público presente: “Fruticultura tropical”, com Nobuyoshi Narita, da Apta Regional Sorocabana; e “Principais produtos comercializados na Ceagesp com ênfase em frutas exóticas”, com Hélio Watanabe, especializado em fruticultura tropical e responsável pelo Programa de Garantia de Sabor da Ceagesp.

Kunio Nagai com Jorge Yamashita (Aldo Shiguti)

Em seguida, o agrônomo Kunio Nagai – que substituiu o professor Vagner Amado, da UniFai – falou sobre “Manejo do Solo e nutrição na produção orgânica”. Nagai também participou do Dia do Campo com a produção do Bokashi, adubo orgânico utilizado no Japão. Os participantes também puderam escolher visitas às instalações da Camda (confinamento de bovinos e processo IATF) e visita à produção de frutas.
E encerrando a palestra do segundo dia, o agrônomo Sebastião Tivelli destacou o tema “Orgânicos no Estado de São Paulo e a importância do nematoide da agricultura orgânica”.

Sonho – No final, Noriko Saito, era uma das mais entusiasmadas. “Valeu muito a pena. Pela experiência que nós tivemos vou passar tudo que aprendi para os meus alunos”, disse Noriko, uma das principais responsáveis para que o Encontro fosse realizado em Adamantina. “Agradeço à comissão do Bunkyo Rural, que abraçou a causa. Era um sonho nosso realizar este encontro aqui”, disse a presidente da Acrea e ex-vereadora de Adamantina.
O presidente da Camda também estava feliz com o resultado. “Foi destacado aqui que o governo estadual está sem dinheiro e sem recursos e nós precisamos achar uma solução para a agricultura. Aqui está um exemplo muito claro de união do governo estadual, da prefeitura, da cooperativa, dos forcenedores, ou seja, a iniciativa privada, e da Unifai. A gente começa a ter um caminho no sentido de que, a hora que a gente consegue conversar e trabalhar juntos, o caminho se torna muito promissor em função que o problema não é apenas da cooperativa ou do agricultor, e sim da sociedade como um todo. E aqui temos um exemplo desta parceria desta união de forças de uma entidade cultural preocupada em estar prestando serviços à agricultura”, disse Osvaldo Matsuda, acrescentando que também ficou surpreso com o Bunkyo Rural.

“Nossa região é uma grande produtora de hortifrutis e isso foi uma grata surpresa porque a Camda pode, futuramente, ampliar seu leque de atuação fazendo um novo tipo de trabalho no sentido de suprir uma eventual dificuldade do produtor, como no caso da pitaia. E essa constatação foi possível através destas palestras que tivemos nos dois dias”, disse Osvaldo Matsuda, lembrando, porém, que a entrada em um novo nicho não acontece de uma hora para outra”. “Demanda um tempo de estudo”, conta ele, lembrando que a Camda foi fundada em 1965 por Mario Matsuda (seu pai) e que hoje 40% do faturamento da cooperativa refere-se à insumo para cana-de-açúcar, 30% é pecuária de corte e leite e o restante fica entre soja e café.
“Somos a maior cooperativa para venda de insumos de pecuária. Temos uma fábrica de suplementos minerais que está entre as dez maiores do Brasil. Vendemos arames liso e farpado, produtos veterinários e insumos agrícolas para cana de açucar”, explica Osvaldo, destacando que, quando entrou na cooperativa, em 1996, o faturamento com a venda de insumos para a cana de açúcar estava entre 70% e 80%.
“Hoje está em 40% porque fomos obrigados a buscar outras alternativas em cima da pecuária, da soja e atualmente podemos dizer que estamos muito mais respaldado do que há 20 anos”, diz ele, afirmando que a Camda possui hoje 40 filiais em cinco estados brasileiros (São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás” e está prestes a abrir mais duas: uma em Tupã (SP) e outra em Bandeirantes (PR).
“Talvez o segredo do nosso sucesso é que a gente mirou no mercado de cana-de-açúcar e pecuária e fomos conquistando e multiplicando nossa atuação como se fossêmos uma franquia, que vende produtos para estas culturas”, destaca Osvaldo, explicando que uma das “fortalezas da Camda é a assistência técnica. “Estamos entrando no mercado de soja e a gente contratou uma empresa terceirizada para dar assistência para os produtores. Acreditamos que a assistência técnica é o grande propulsor pois oferecemos ao produtor aquilo que ele necessita para ele produzir cada vez mais ou melhor na cultura que ele já atua”, diz ele, acrescentando que a cooperativa conta hoje com cerca de 150 técnicos, entre agrônomos, veterinários, zootecnistas e técnicos agrícolas.
Para o prefeito, o 10º Bunkyo Rural “superou todas as expectivas”. “Fazíamos ideia da grandiosisdade do evento, mas não imaginávamos que fossem assim”, disse ele, afirmando que o evento abriu um canal de diálogo com o secretário de Agricultura.
“Vamos unir forças e encaminhar um projeto para o governo para que ele possa nos ajudar, principalmente, nessa questão da comercialização”, disse Márcio Cardim.

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