No seu 65º aniversário, Aomori Kenjinkai busca alternativas para tentar amenizar esvaziamento

A presidente Maria Satiko com autoridades e convidados na festa dos 65 anos do Kenjinkai (Aldo Shiguti)

A Associação Aomori Kenjinkai do Brasil comemorou seu 65º aniversário de fundação, no último dia 27, na Associação dos Shizuoka Kenjin do Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo, de uma forma “diferente”. A presidente da associação, Maria Satiko Shibukawa Nawa, se inspirou na palestra proferida em junho deste ano na Japan House São Paulo – “Aomori: Província-mãe da Maçã Fuji e do Carnaval Nebuta” – para tentar reverter ou pelo menos amenizar o problema de esvaziamento pelo qual passa alguns kenjinkais – uns com mais intenidade, como explicou Satiko ao Jornal Nippak.
Estiveram presentes o cônsul geral adjunto, Akira Kusunoki e sua esposa, Satoku, os vereadores Aurélio Nomura e George Hato, o vice-presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Jorge Yamashita; o vice-presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Akira Kawai; o vice-presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Palo), Jun Suzaki; a presidente da Associação Cultural Kagoshima do Brasil, Mônica Uezono, a ex-presidente do Bunkyo, Harumi Goya, a ex-presidente da Japan House São Paulo e atualmente na Suriana Trading, Ângela Hirata, e o presidente do Festival do Japão, José Taniguti, entre outros.
Antes dos discursos, foi prestado um minuto de silêncio em memória aos pioneiros associados. Arquiteta urbanista formada pela FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), Satiko disse em seu discurso que uma das razões para o “formato diferente” da cerimônia – até para justificar a ausência de uma comitiva da província – comum neste tipo de evento – é que “em todas as festas comemorativas o Kenjinkai tenta associar a data a algum marco ou acontecimento importante”.

A presidente Satiko demonstrou preocupação com o futuro (Aldo Shiguti)

Maçã Fuji – Como exemplo, ela citou o ano de 1979, quando o Kenjinkai comemorou 25 anos de fundação. “Atrelamos a festa à inauguração da nossa nova sede, na Rua Dr. Siqueira Campos, perto daqui”, disse. Cinco anos depois, na festa dos 30 anos, foi celebrado a assinatura do convênio de irmandade entre Santa Catarina e a província-mãe de Aomori, que possibilitou coperação técnica para o cultivo no estado da maçã Fuji. “Esse acordo, intermediado pela Jica, até hoje traz reflexos para o nosso Kenjinkai e atualmente podemos nos orgulhar que a maçã cultivada no Estado de Santa Catarina é a mais apreciada no Brasil graças a esse acordo estabelecido na década de 80”, disse Satiko, destacando que a província de Aomori também é a maior produtora de maçã do Japão.

Esvaziamento – Já na festa dos 50 anos, a presidente lembra que foi possível elaborar um cadastro dos associados e cinco mais tarde, o dinheiro que seria gasto na cerimônia foi aplicado na reforma e manutenção da sede. “Em 2019 nos perguntamos novamente o que seria mais importante para o Kenjinkai neste instante?”, indagou Satiko para depois ela mesma responder: “O que estamos precisando neste momento é dinamizar. O nosso maior problema, e acredito que não seja só nosso, é em relação ao esvaziamento”, disse, acrescentando que uma das razões para esse esvaziamento é, infelizmente, o falecimento de associados idosos. E as novas gerações, segundo ela, já não participam mais das atividades do kenjinkai.
Por isso, explica, na comemoração dos 65 anos de fundação do Kenjinkai de Aomori sugeriu algo diferente, uma festa que despertasse e trouxesse frutos não só para Aomori mas que pudesse ajudar também outros kenjinkais a pensar no futuro. E, apesar de ter uma sede própria – e em boas condições – o local escolhido foi a Associação dos Shizuoka para poder compartilhar as informações sobre a província-mãe com mais pessoas.

Mensagem – Na oportunidade, foi lida uma mensagem do governador de Aomori, Shingo Mimura, na qual ele lembra que já se passaram mais de 100 anos desde que os primeiros imigrantes písaram em solo brasileiro e que hoje os japoneses e seus descendentes ocupam papel de destaque na sociedade brasileira.
Disse que os pioneiros passaram por diversas dificuldades mas que souberam superar os obstáculos, uma qualidade inerente ao povo japonês. O governador destacou ainda que, desde que foi fundado, o Kenjinkai vem mantendo relações com a província e que Aomori recebe bolsistas em busca de conhecimentos.
Ele finalizou desejando que os laços de amizade se ampliem cada vez mais e que “a ponte que construímos juntos seja palco ainda de muitas travessias”.

Akira Kusunoki: “É preciso continuar se renovando” (Aldo Shiguti)

Homenagem – Em sua fala, Akira Kusunoki brincou afirmando que, “para uma pessoa, 65 anos é idade para se aposentar”. “Mas um Kenjinkai nunca se aposenta, ao contrário, é preciso continuar se renovando”, disse Kusunoki, que destacou o evento reallizado na véspera no Bunkyo batizado de “Network entre jovens nikkeis – Juntos somos mais fortes”. “Fiquei imprssionado com a vontade dos jovens nikkeis em renovar a comunidade japonesa. Dizem que os jovens nikkeis estão perdendo a identidade com o Japão, mas este evento serviu para provar que não”, disse Kusunoki, explicando que os 65 anos serão uma boa oportunidade para o Aomori Kenjinkai se conectar com os jovens. Outra sugestão apresentada pelo cônsul é para que o Kenjinkai funcione como uma espécie de agência de turismo, divulgando as atrações da província-mãe.

Aurélio Nomura (Aldo Shiguti)

Já o vereador Aurélio Nomura destacou sua proximidade com o Kenjinkai lembrando que seu pai, o saudoso deputado federal Diogo Nomura “foi o padrinho junto ao governador Jorge Bournhausen , para assinatura do convênio estados-irmãos, Aomori e Santa Catarina, cujo um dos frutos foi a introdução da maçã Fuji no Brasil”. O parlamentar, que convidou seu colega George Hato para que juntos entregassem a placa em homenagem à presidente Satiko, disse acreditar que “hoje Santa Catarina não consegue viver sem a produção de maçã Fuji”. E se colocou à disposição para que “juntos possamos manter acesa a chama dos pioneiros”.

O vereador George Hato: “Continuarei apoiando a comunidade” (Aldo Shiguti)

George Hato afirmou que continuará apoiando os eventos da comuidade nipo-brasileira, “pois se tratam de ferramentas para divulgar e difundir valores trazidos pelos antepessados à sociedade brasileira”. “Valores como respeito aos pais e professores”, destacou.

Brinde – Representando os idosos, Yukio Sakurai, da segunda geração e cujos pais vieram de Hirosaki, na província de Aomori, parabenizou a atual diretoria e “aqueles que lutaram para a fundação do Aomori Kenjinkai”. “Tenho certeza que foram lutas, suor e sangue para mostrar à comunidade japonesa e ao Brasil quem são os aomoris”. Segundo ele, graças ao empenho dos pioneiros, hoje a segunda e as novas gerações podem seguir o exemplo dos ancestrais. E agradeceu ao governador da província de Aomori que tanto colaborou e continua colaborando para o progresso do Kenjinkai.

Satiko com as homenageadas Mitsue Sakurai e Michiko Tamashiro (Aldo Shiguti)

Ainda na primeira parte da programação, a presidente Satiko entregou doações para três entidades nipo-brasileiras (Bunkyo, Kenren e Enkyo) e após as homenagens aos idosos acima de 80 anos – Mitsue Sakurai, de 105 anos, e a ex-presidente e atual vice, Michiko Tamashiro – o cônsul adjunto Akira Kusunoki comandou o brinde.”
Os presentes cantaram o tradicional “Parabéns para você” e em seguida ao corte do bolo foi servido o almoço. A segunda parte foi dedicada à programação artística.

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