Nishimori viaja ao Japão preocupado com nova lei para atrair trabalhadores estrangeiros

(Arquivo pessoal)
(Arquivo pessoal)

O deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR) embarcou no último dia 28 para o Japão para uma missão de pouco mais de uma semana naquele país. A agenda prevê reuniões empresariais e governamentais. O parlamentar está aproveitando o período de carnaval para visitar também a Foodex (International Food and Beverage Exhibition), considerada a maior feira de alimentos voltada para o mercado japonês e que este ano atinge sua 44ª edição, em Chiba (região metropolitana de Tóquio).
A feira, que termina nesta sexta-feira (8), é também porta de entrada para outros mercados vizinhos (Coréia do Sul, China, Tailândia e Taiwan) e mobiliza um grande número de formadores de opinião do setor de alimentos e bebidas mundial.

Luiz Nishimori aproveitou a viagem para conversar com o deputado Takeo Kawamura - arquivo pessoal
Luiz Nishimori aproveitou a viagem para conversar com o deputado Takeo Kawamura – arquivo pessoal

Nishimori programou ainda uma série de reuniões com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Taro Aso (não confirmada), e com o deputado Takeo Kawamura. Com Kawamura, um político muito ligado ao Brasil, o objetivo é reforçar sugestões encaminhadas ao primeiro-ministro Shinzo Abe sobre a entrada de trabalhadores estrangeiros para setores que sofrem com falta de mão de obra, como alimentação, indústria e construção.
“Quando o [deputado] Yamaguchi veio para o Brasil, no final do ano passado, externamos toda a nossa preocupação em relação ao assunto e entregamos um ofício endereçado ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe”, disse Nishimori ao Jornal Nippak antes de embarcar.

Seleção – Segundo ele, a questão mobiliza também a Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, o Ciate (Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior) e o Instituto Brasil-Japão, do Paraná, além do Grupo Parlamentar Brasil-Japão.
“Fala-se inicialmente na contratação de cerca de 60 mil trabalhadores estrangeiros, mas esse número deve aumentar muitro mais”, conta Nishimori, que afirma estar preocupado com “nossos amigos brasileiros que pretendem ir para o Japão”. “Nossa maior preocupação é que se repita o mesmo que ocorreu há mais de 30 anos com o fenômeno dekassegui. O que mais assusta é o choque cultural”, explica o parlamentar, acrescentando que, “para evitar os problemas se repitam, fizemos algumas sugestões ao Shinzo Abe”.
Uma delas, diz Nishimori, seria uma espécie de “pré-seleção” que ficaria a cargo das associações locais onde residem os interessados. “Elas teria total autonomia para fazer uma seleção”, argumenta o deputado, destacando que, uma vez aprovado, a pessoa passaria ainda por um curso intensivo no Ciate – se o interessado for do Estado de São Paulo – ou no IBJ, caso a pessoa resida no Paraná.
“Com base nisso, também estamos solicitando para que a Jica – a Agência Japonesa de Cooperação Internacional – repasse um orçamento para essas associações para que elas possam se preparar adequadamente”, explicou Nishimori, acrescentando que “nossa intenção é para que o projeto seja bem contemplado”.

Pesticidas – Outro assunto que tem repercutido bastante na agenda de Nishimori refere-se ao projeto de lei número 6.299 de 2002 que trata sobre pesticidas. “A conscientização deste projeto é muito importante para a sociedade brasileira e para o crescimento do agronegócio no Brasil”, acredita o parlamentar, lembrando que a lei atual é de 1989 e de lá para cá sofreu poucas alterações.
Para ele, o texto “está totalmente desafado. “É preciso modernizar a legislação a fim de continuar garantido a produção e o alimento seguro na mesa da população brasileira”, diz. Segundo Nishimori, é necessário mais agilidade nos registros. “Hoje, um produto leva de 3 a 8 anos para ser registrado. Com a mudança, conta, o prazo máximo para registro seria de, no máximo, dois anos.
Para o deputado, é preciso também definir claramente as competências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e acabar com certos “mitos”, como, por exemplo, “que o Brasil é o maior consumidor de pesticidas do mundo”. “O Japão aparece como o segundo país que mais utiliza pesticida com 17,5 (kg molécula/ha) e o Brasil encontra-se na sexta posição neste mesmo ranking com 4,2”, diz Nishimori, explicando que “mais de 80% dos pesticidas são usados nas culturas agrícolas que dão origem aos produtos industrializados, energia e roupas. “Ainda assim, a maior parte (60%) são herbicidas que não são empregados nas plantas que servem de alimento”, conta Nishimori, que acredita que o projeto deve ser votado no segundo semestre.

Paciência – Antes, na sua opinião, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) deve aprovar a Reforma da Previdência. “Acredito que o limite de idade de 65 anos para homens e 62 para as mulheres está bom. Acho também que em relação à iniciativa privada não se deve mudar nada. Sou a favor, sim de estabelecer um teto para o funcionalismo público para acabar com os privilégios”, diz Nishimori, afirmando que “o Bolsonaro está no caminho certo”. “Acredito que depois de 6 meses o país vai começar a andar, mas é preciso ter um pouco mais de paciência”, explica.

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