NIPPAK RURAL: Expansão agrícola depende da infraestrutura e logística destaca Américo Utumi, líder do cooperativismo

(Mariuza Rodrigues)

Agricultura brasileira é o maior exemplo de inovação agrícola no mundo nos últimos 50 anos. De país que na década de 1960 só exportava açúcar e café, hoje tem diversas culturas dentre os principais produtos exportados e a liderança mundial de alguns deles, como a soja. E seu papel no comércio mundial deve crescer ainda mais como a previsão de crescimento da população mundial em cerca de 30%, chegando à marca estratosférica de 9 bilhões de pessoas. De acordo com a Organização das Nações Unidas, se o atual ritmo de consumo continuar, em 2050 será necessário 60% a mais de comida no mundo e o Brasil deve responder por 40% do crescimento da produção alimentícia nesse período.
“O Brasil é o único país que tem condições de aumentar sua produção para atender a esta população, sem precisar desmatar da Amazônia, empregando tecnologia e inovação. Na Europa, a produção agrícola está diminuindo, nos Estados Unidos e Canadá, não há como crescer. A África Subsariana sofre pela falta de tecnologia e produção de subsistência. Só perdemos em infraestrutura, principal deficiência em relação aos Estados Unidos e que o governo tem de resolver até 2050”.
Quem diz isso é Américo Utumi, ex-dirigente da Cooperativa Agrícola de Cotia, e profundo conhecedor da agricultura brasileira. Ele assistiu de perto momentos históricos da contribuição dos nikkeis como a conquista agrícola do Cerrado – até então considerada uma terra improdutiva – e a introdução da cultura de frutas no semi-árido nordestino, sob pés e braços de nipo-brasileiros que compunham a CAC.
E relembra que o cooperativismo no Brasil surgiu com os 83 plantadores japoneses de batata na região de Cotia que se uniram para vender seus produtos na capital paulista, em Pinheiros, na praça que mais tarde se chamaria Largo da Batata.
“Através da Cooperativa Agrícola de Cotia, diversos alimentos foram introduzidos e disseminados no país, como os legumes, tipos de frutas, e as próprias batatas, que até então eram importadas da Inglaterra. Os cooperados também começaram a produzir café em áreas do cerrado de Minas Gerais e hoje o estado é o principal produtor de café do País. Outro grande marco foi a ida dos cooperados para a região do Rio São Francisco. Além de desenvolver a agricultura, acabaram disseminando tecnologias e influenciando nos costumes e no modo produtivo local”, enfatiza.

Através da Cooperativa Agrícola de Cotia diversos alimentos foram introduzidos no país (Acervo do MHJB)

Legado – Segundo Utumi, um dos principais legados deixados pela CAC foi a consolidação do sistema cooperativista. Entusiasta, ele destaca que se trata da solução ideal para que os pequenos e médios produtores possam competir de igual para igual com os grandes produtores. Ainda hoje há o legado de muitas cooperativas formadas por agricultores nikkeis que continuam a fazer um ótimo trabalho.
Filho de Imigrantes japoneses, formou-se pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco e iniciou sua carreira de advogado na Cooperativa Agrícola de Cotia (CAC). Foi diretor e vice-presidente da CAC e teve participação marcante na consolidação e fortalecimento do setor como na criação da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) e da Organização das Cooperativas do Brasil, chegando ao Conselho da Aliança Cooperativa Internacional, por indicação de Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura.
Em 10 de outubro último, ele recebeu homenagem de várias entidades do cooperativismo por seus préstimos ao setor. Com 85 anos, ele não pretende parar: continuará a dar palestras em todo o País ressaltando a importância do cooperativismo não só na agricultura, como na saúde e crédito financeiro.

Americo Utumi: “Não nos falta nada, inclusive em tecnologia” (Acervo do MHJB)

Inovação – É com essa autoridade que Utumi faz a defesa incondicional da agricultura brasileira. “Fora a questão da Infraestrutura, não nos falta nada, inclusive em tecnologia. Eu estive na maior feira agrícola dos Estados Unidos há dois anos e tudo o que eu vi lá, também vi aqui na Agrishow anualmente realizado em Ribeirão Preto. E também continuamos avançando por meio do grande trabalho da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola. Quando eu era criança ouvia falar que o Brasil era o país do futuro. Agora podemos falar que o Brasil é o país do presente e isso é graças a sua inovação na área agrícola”, conclui.

Mariuza Rodrigues. E-mail: mariuzarodrigues2020@outlook.com.br

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