MUNDO VIRTUAL: Mundo virtual X trabalho

A cada dia que passa tem ficado mais claro que a tecnologia está provocando alterações no conceito de trabalho, e que muitos dos empregos que hoje conhecemos irão mudar de formato, ou até, deixarão de existir.
Por isto, tem sido um ótimo exercício de futurologia o esforço para descobrir o que o homem deve fazer, diante do crescente avanço da tecnologia, que facilita a vida do trabalhador através da automação ou que o substitui
Sabe-se que inteligência artificial, automação e robótica são áreas distintas, pois enquanto a primeira busca alcançar padrões equivalentes aos da inteligência humana em diversas atividades, as outras duas se propõem a tornar mais fácil a vida do ser humano, seja através de máquinas que automatizem determinadas funções, ou então, através de máquinas com formato humano que executem atividades prejudiciais à saúde do trabalhador.
Dentre os Classificados de Emprego, todas estas três áreas têm sido responsáveis pelo aumento de oportunidades, através do surgimento de demandas por profissionais com novos conhecimentos, aptos a manusear dados, programar, projetar e executar melhorias nas máquinas e robôs.
Ao mesmo tempo, é necessário que o homem esteja preparado para abdicar de competências que hoje se tornaram inúteis, pois foram substituídas pelos avanços tecnológicos: por exemplo, as vagas de trabalho para pedreiro irão sofrer severa diminuição, pois hoje já existe um robô pedreiro, que assenta mil tijolos por hora e constrói uma casa em dois dias.
Há profissões que estão ganhando importância na atualidade, como estatístico e arquivista, cujos trabalhos, diante das inovações tecnológicas, envolvem a mensuração e o arquivamento das informações que circulam pelo mundo virtual.
Para profissões que têm ganho importância em decorrência das inovações tecnológicas, está sendo exigido dos profissionais que se reciclem, adquiram novos conhecimentos e desenvolvam novas expertises, de maneira a atenderem às exigências do mercado.
Mas há também profissões novas, que têm surgido em decorrência da demanda tecnológica, e que já contam com reconhecimento no MEC, seja na forma de graduação seja de especialização, como cientista de dados, engenheiro de software ou gestor de marketing digital.
Uma parte desta realidade foi incorporada na chamada Reforma Trabalhista, que previu novas regras com relação ao trabalho intermitente e ao teletrabalho, e admitiu as contratações sob a forma autônoma ou terceirizada, de modo a dar maior flexibilidade aos avanços tecnológicos na relação de emprego.
Para alcançar maior flexibilidade, muitas contratações se valem dos recursos tecnológicos para permitir que o profissional trabalhe em casa, no chamado home office, mediante contrato escrito, que caso a caso define as funções a serem desempenhadas, as condições para isto, e os recursos tecnológicos e de comunicação a serem utilizados.
Ao lado das inovações tecnológicas que vêm surgindo para dar rapidez, eficiência e segurança ao desempenho do trabalho, a legislação está procurando acompanhá-las, criando ou aprimorando as regras hoje existentes: neste sentido, veja-se a Lei do Marco Civil e a Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelecem exigências, criam demandas e tornam necessários determinados profissionais para atendê-las.
O conceito de “propriedade” tem passado por mudanças nestes últimos anos, também graças à tecnologia, que proporciona ao homem funcionalidades que tornam desnecessário ser dono de um bem ou aprimoram seu uso
Nisto se enquadram serviços como aqueles prestados pelo WhatsApp, Uber, Airbnb, Rappi e equivalentes, que têm tornado obsoletos os serviços prestados por diversas empresas, por trazerem rapidez e diminuição de custos a seus usuários, liberando-os para outras atividades.
Dentro desta mesma linha evolutiva está a chamada “economia compartilhada”, pela qual acontece o compartilhamento de recursos humanos, materiais ou intelectuais, proporcionando melhor atendimento de necessidades com maior rapidez e redução de custos, além de facilitar o acesso a produtos, conhecimento e serviços.
Por fim, em meio a esta revolução silenciosa que vem acontecendo nos últimos anos, creio que devamos exercitar a sensibilidade, para perceber aquilo que é útil e aquilo que deixou de ser, aquilo que é moderno e aquilo que deixou de ser, aquilo que atrasa e aquilo que adianta, pois o grande papel da tecnologia é nos trazer modernidade, rapidez e utilidade, tornando obsoletas diversas profissões e empresas, mas ao mesmo tempo trazendo outras, e nos dando tempo para valorizar aquilo que realmente importa.

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