Largo da Pólvora, em São Paulo, ganha bustos do Pai da Imigração’, Ryu Mizuno, e de Umpei Hirano

(Jiro Mochizuki)
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O Largo da Pólvora, no bairro da Liberdade, em São Paulo, de uma só vez ganhou dois novos monumentos em homenagem aos 111 anos da imigração japonesa no Brasil com a inauguração, no último dia 15, dos bustos de Ryu Mizuno, o “Pai da Imigração”, e Umpei Hirano, que fundou o 1º núcleo de colonização nipo-brasileira no país, a Colônia Hirano, em Cafelândia (SP). O evento, que serviu para comemorar também o “1º Aniversário de Revitalização do Largo da Pólvora”, contou com a participação especial dos artistas japoneses Hiroshi Miyama, Matsumae Hiroko e Nakamura Hitomi, que se apresentaram no dia 16 no Grande Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social). Miyama e Ryu Mizuno nasceram na mesma província, Kochi.

(Jiro Mochizuki)
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Estiveram presentes representantes das empresas e instiuições que apoiaram o projeto – JCI Brasil-Japão, Fundação Armando Álvares Penteado e Ama Brasil – além do cônsul adjunto Akira Kusunoki e lideranças da comunidade nikkei, como o presidente da Associação Cultural Agrícola e Esportiva Hirano de Cafelândia, Fábio Yamashita, do presidente da Associação dos Shizuoka Kenjin do Brasil, Nagato Hara, do presidente da Associação Cultural dos Provincianos de Kochi no Brasil, Arnaldo Katayama, do presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade, Hirofumi Ikesaki e do presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Shinichi Yassunaga, além de Ryusaburo Mizuno Mizuno, filho de Ryu Mizuno.
Localizado na Avenida da Liberdade, 535, entre a Rua Tomás Gonzaga e a Rua Américo de Campos, o Largo da Pólvora é considerado uma das áreas mais japonesas do Brasil, junto com a região da Liberdade. Durante o século XVIII, quando a Praça da Liberdade ainda servia como palco para execuções públicas, o local onde hoje está o Largo da Pólvora era um grande armazém de explosivos.

Mario Ikeda e o artista Carlos Kubo (à frente), com Hiroshi Miyama, Matsumae Hiroko e Nakamura Hitomi (Jiro Mochizuki)
Mario Ikeda e o artista Carlos Kubo (à frente), com Hiroshi Miyama, Matsumae Hiroko e Nakamura Hitomi (Jiro Mochizuki)

Alteração do nome – Em 1832, a Prefeitura de São Paulo mandou demolir o armazém, e o local onde ele estava situado ficou conhecido como Largo da Pólvora. O local mantém seu nome desde 1830, época da Colônia Imperial Portuguesa, quando era utilizado como paiol. Em 1978 o então prefeito Olavo Setúbal oficializou em comemoração ao septuagésimo aniversário da imigração japonesa no país, marco dos 70 anos da imigração iniciada em 1908 no Brasil com a vinda do navio Kasato Maru.
Ali foi construído um jardim oriental, com três lagos de peixes ornamentais, e instalados dois bustos em homenagem a 2 (Shuhei Uetsuka e Hachiro Miyzaki) dos 4 pais da imigração japonesa.,.
Na ocasião, lembra o presidente do Conselho Deliberativo da Acal, Yataro Amino, a Acal contribuiu com a Prefeitura “carregando” pedras para o jardim, de Salto, Mairiporã e Atibaia.
No ano de 2018 o Largo da Pólvora passou por uma revitalização, através do Termo de Cooperação PRSE-019/2018, na ocasião dos 110 Anos da Imigração Japonesa no Brasil, e foi entregue revitalizado para a população em comemoração dos 40 Anos da Oficialização do Largo da Pólvora.
No dia 6 de junho, a vereadora Edir Sales protocolou PL (Projeto de Lei) solicitando a alteração da definição do Largo da Pólvora para Largo da Pólvora – Imigração Japonesa em homenagem aos 111 anos da imigracao japonesa no Brasil.

(Jiro Mochizuki)
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Café – Em seu discurso, o cônsul Akira Kusunoki lembrou que no ano passado esteve em Cafelândia para preparar o terreno para a visita da princesa Mako. “Até hoje lembro a alegria que a visita de Sua Alteza causou nos moradores. Com certeza todo o sacrifício do senhor Hirano foi recompensado”, disse Kusunoki.
Sobre Ryu Mizuno, o cônsul lembrou que o empreendedor fez parte do primeiro grupo de 781 imigrantes e, ao retornar ao Japão, estabeleceu uma cafeteria no bairro de Ginza – o equivalente à Avenida Paulista – contribuindo assim não somente com a imigração como também ensinou os japoneses a tomarem café. E sugeriu uma estátua de Mizuno em Ginza.

Nagato Hara e Fabio Yamashita com o busto de Umpei Hirano (Jiro Mochizuki)
Nagato Hara e Fabio Yamashita com o busto de Umpei Hirano (Jiro Mochizuki)

Espírito – Presidente da Associação dos Shizuoka Kenjin do Brasil, Nagato Hara explicou que, depois de 111 anos, a “família de líderes que comandaram a imigração no Brasil estava completa”. Observou que Umpei Hirano deu o “pontapé inicial” para o surgimento de outros núcleos de colonização – “nihonjins sempre viveram em núvleos” – e destacou que a importândia do evento. “Coube a nós, filhos e netos prestarmos essa justa homenagem”, disse Nagato.
Um dos responsáveis para que o projeto pudesse ser concretizado, o delegado aposentado da Polícia Federal, Mario Ikeda, disse que estava realizando um sonho. “Trago em mim o espírito do meu avô, que me contava muitas histórias sobre a imigração e hoje conseguimos reunir, num mesmo espaço, os principais personagens da história da imigração japonesa”, explicou Ikeda, esclarecendo de vez uma dúvida que áinda pairava no ar. “Definitivamente, “o pai da imigração” foi Ryu Mizuno.

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