Kazufumi Miyazawa e Claudia Oshiro ‘esquentam’ o 17º Okinawa Festival

(Aldo Shiguti)

Nem mesmo a chegada de uma frente fria à capital paulista no último final de semana (3 e 4), que provocou uma queda brusca na temperatura – com os termômetros chegando a registrar 10,7º C – intimidou os paulistanos, que se agasalharam e enfrentaram o clima gelado com muito calor humano para conferir todas as atrações do 17º Okinawa Festival. Realizado pela Associação Okinawa de Vila Carrão, em parceria com a Associação Okinawa do Brasil e Centro Cultural Okinawa do Brasil, no CEE Vicente Ítalo Feola (zona Leste de São Paulo), o evento mais uma vez mostrou porque é considerado um dos melhores festivais da comunidade nikkei do país.

Convidados internacionais, Kazufumi Miyazawa e Claudia Oshiro emocionaram – e se emocionaram (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Com os convidados internacionais Kazufumi Miyazawa e Cláudia Oshiro, que emocionaram com o público, esta 17ª arrecadou 16 toneladas de alimentos que foram doadas para diversas entidades assistenciais. Segundo o presidente da Comissão Organizadora, Mário Uehara, o balanço foi extremamente positivo. Segundo ele, os organizadores estavam trabalhando com uma expectativa de público igual a do ano passsado, quando um grande desfile pelas ruas próximas à Praça Haroldo Daltro e à sede da AOVC celebrou os 110 Anos da Imigração Okinawana.
“O mais importante foi que não choveu conforme estava previsto e o frio acabou ajudando porque os voluntários puderam trabalhar melhor e tanto a praça de alimentação como o palco ficaram lotados nos dois dias”, conta Uehara, explicando que, “pelo que andei conversando, o pessoal da alimentação ficou satisfeito”.

Bruna Oshiro no Espaço Urizun – Facebook Urizun

“Também o Espaço Urizun – Círculo de Ex-Bolsistas de Okinawa fez um enorme sucesso, com um movimento atípico no sábado”, disse o presidente do Evento, acrescentando que também os convidados Kazufumi Miyazawa e Claudia Oshiro, bem como todos os artistas que se apresentaram, contribuíram para o sucesso da festa. “Tanto o Miyazawa como a Claudia Oshiro ficaram muito emocionados com a homenagem que receberam no domingo e choraram. Acredito que esles não estavam esperando tanta receptividade do público brasileiro”, disse Mário Uehara.
Já no sábado, 3, a reportagem pôde constatar a admiração do intérprete de Shima No Uta. Em entrevista ao Jornal Nippak, pouco antes do primeiro show que realizaria no Okinawa Festival – no sábado ele se apresentou com a nipo-argentina Claudia Oshiro e no domingo encerrou o evento com a Banda Tontonmi – Miyazawa disse que já esteve no Brasil “umas 25 vezes”, mas ainda não tinha tido oportunidade de conhecer de perto o Okinawa Festival.
O fundador das bandas The Boom e Ganga Zumba destacou não só a grandiosidade do evento como também o hidjá no shiru (sopa de cabrito) que havia acabado de experimentar e que, segundo ele, hoje em dia não se encontra igual nem mesmo em Okinawa.

Márcio França com voluntárias e organizadores (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Cidadão Okinawano – Quem também conheceu o Okinawa Festival foi o ex-governador de São Paulo, Márcio França. “Tenho uma longa história com a província de Okinawa e mais especificamente com a cidade de Naha porque sou Cidadão Okinawano e tenho muito orgulho disso”, explicou, acrescentando que, por conta dessa relação, foi várias vezes à Naha. “O prefeito de Naha, à época em que eu era prefeito de São Vicente, se tornou governador de Okinawa, e eu governador de São Paulo. Marcamos no ano passado de jantarmos juntos, mas ele infelizmente adoeceu e veio a falecer”, disse, referindo-se a Takeshi Onaga, que faleceu em agosto de 2018.

Águia de Ouro (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Segundo Márcio França, o Okinawa Festival “simboliza a presença do espírito uchinanchu em São Paulo”. “Quando estive no Governo no ano passado, a festa precisava de alguma ajuda e o nosso governo pôde ajudar. Este ano prometi que viria aqui mesmo sem ser governador para prestigiar e poder relembrar um pouco porque estou com saudade de Naha”, disse ele, que ficou surpreso ao ser informado pelo Jornal Nippak que integrantes da escola de samba Águia de Ouro embarcam no final deste mês para o Japão e, pela primeira vez, visitarão Okinawa através do acordo de cidades-irmãs São Vicente-Naha. “Não sabia, quem sabe eu convenço minha mulher e a gente vai junto para pegar o Carnaval lá”, brincou Márcio França.
No domingo, quem apareceu por lá foi o ex-embaixador do Brasil na Itália, ex-ministro e ex-vereador Andrea Matarazzo. Ele destacou a contribuição japonesa para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e lembrou sua ligação com os japoneses por intermédio de seu tio-avô, Ciccillo Matarazzo, um dos fundadores da Aliança Cultural Brasil-Japão.

Organizadores e autoridades durante a cerimônia de abertura (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Presente na cerimônia de abertura, o secretário municipal de Esportes e Lazer de São Paulo, Carlos Bezerra, lembrou que nasceu e passou parte de sua infância e adolescência na zona Leste. “A mensagem que trago do prefeito Bruno Covas é para profundar ainda mais estes laços para que possamos continuar trabalhando em conjunto, pois esta festa representa um momento, mas traz valores, traz possibilidades e traz aportes”, disse Bezerra, que citou uma pesquisa que aponta o Distrito de Vila Carrão como o que melhor cuida de seus idosos.
“Não por coincidência, aqui fica a maior concentração de descendentes de okinawanos e esses valores vem sendo dissipados a ponto de termos frutos dessa semeadura de contribuições. Então, as palavras que trago são de gratidão. E que o próximo Okinawa Festival seja ainda melhor e que essa parceria com a Prefeitura possa trazer ainda mais benefícios para a cidade de São Paulo e, em especial, para a zona Leste da cidade”.

Respeito – Os vereadores Aurélio Nomura, George Hato e Rodrigo Goulart também destacaram a importância do Okinawa Festival para a cidade de São Paulo. “O Okinawa Festival é um grande marco. A festa está num lugar importante e extremamente significativo, a Vila Carrão, que representa a grande pujança dos okinawanos. Nós temos uma admiração muito grande porque essa festa cresce a cada ano que passa, o que ostra a força, o potencial e o dinamismo daqueles descendentes de Okinawa. Por isso merece nosso respeito e o nosso aplauso. Acredito que essa festa vem mostrar o grande trabalho que os descendentes de Okinawa fazem e prestam para a cidade de São Paulo. A gente vê descendentes okinawanos em todos os setores da nossa cidade e a gente vê o fortalecimento cada vez maior e o respeito que eles têm da sociedade”, disse Aurélio Nomura.
Para Rodrigo Goulart, que visitou a festa pela terceira vez, o Okinawa Festival possibilita para que os moradores da zona Leste conheçam um pouco mais sobre a cultura nipônica enquanto George Hatom destacou os esforços dos organizadores para acolher bem a todos, especialmente as crianças e idosos.

Sergio Kohatsu (Fotos Aldo Shiguti e Jiro Mochizuki)

Energia – Realizado em dois dias pela Associação Okinawa de Vila Carrão, o Okinawa Festival reúne atrações com foco na cultura e gastronomia de Okinawa, como apresentações de taiko e artes marciais, mas também abre portas para outras províncias e outras nacionalidades.
Para o presidente da AOVC, Sergio Kohatsu, o 17º Okinawa Festival conseguiu atingir sua meta “que é divulgar a cultura japonesa, principalmente o da Província de Okinawa, através da música, da dança e da culinária, além de abrir espaços para a cultura brasileira e de outros países”. “E tudo isso com união, patrocínio, doação e a energia positva dos associados, voluntários e de todos que direta ou indiretamente contribuíram para o sucesso deste evento”, disse Kohatsu, acrescentando que “essa união e a energia positiva, junto com o calor humano do público, fizeram com que chuva prevista nos dias anteriores se afastasse e todos puderam se divertir na plenitude no 17º Okinawa Festival”.

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