Jovens pesquisadores nipo-brasileiros lançam livro inédito

Novos Temas de Pesquisa em Estudos Japoneses (Nikkey Shimbun)
Novos Temas de Pesquisa em Estudos Japoneses (Nikkey Shimbun)

“Novos temas de pesquisa em estudos japoneses”. Este é o título da obra coletiva escrita por 10 jovens pesquisadores. Destes, 7 são brasileiros que estudam o Japão; e 3, japoneses que estudam o Brasil. Publicado pela Editora Juruá em 15 de janeiro deste ano, teve lançamento na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, 509, em fevereiro.
Uma das organizadoras do projeto é a mestre e doutoranda em linguística, Olívia Yumi Nakaema (37). Ela ressalta que a falta de espaço de divulgação científica é um problema comum a todos os pesquisadores em estudos japoneses. Assim, o livro é o resultado concreto de um esforço conjunto dos autores para driblar essa dificuldade.
No Brasil, a Universidade de São Paulo (USP) é o principal canal de apresentação dos resultados de pesquisa na área. Sua publicação anual “Estudos Japoneses”, no entanto, destaca, principalmente, questões de sociedade e cultura japonesas. Assim, outros temas  “não tem qualquer meio de divulgação”, diz Nakaema.
O livro conta com 9 artigos. Direito é o tema de maior destaque com 3, tratando de questões constitucional, ambiental e previdenciária. Os demais abordam o seguinte: tratamento de minorias sexuais, método de ensino da língua japonesa, influência do softpower do Japão no leste asiático, segurança nacional e atuação internacional, fazendeiros nikkei e cooperativas agrícolas no sudeste brasileiro, e imigração de noivas japonesas no pós-segunda guerra.
O advogado brasileiro especialista em direito ambiental, Tiago Trentinella (39), é um dos autores. Em 2008, laureado com uma bolsa de estudos do Ministério da Educação japonês, iniciou seu intercâmbio na Universidade de Osaka. Seu objeto de pesquisa era a legislação de reciclagem de eletroeletrônicos. Naquela ocasião, o Brasil não dispunha de lei federal sobre gestão de resíduos. Assim, pesquisadores brasileiros se dedicavam a estudar modelos legais de outros países.
“Assim como em outras áreas, há muita pesquisa jurídica sobre Estados Unidos e Europa. No entanto, pouco se estuda sobre o Japão. Na área ambiental, por exemplo, o termo motainai (“que desperdício!” em tradução livre) é o símbolo de um país cujos recursos naturais são escassos. Assim, pesquisar o direito ambiental japonês poderia trazer ao Brasil novas perspectivas. Eu gostaria que a publicação deste livro fomentasse a pesquisa de estudos japoneses em diversas áreas. E que os resultados práticos pudessem ser reconhecidos pela sociedade brasileira”, explica Trentinella.

Lançamento aconteceu em fevereiro, na Livraria Martins Fontes com a presença de pesquisadores (Nikkey Shimbun)
Lançamento aconteceu em fevereiro, na Livraria Martins Fontes com a presença de pesquisadores (Nikkey Shimbun)

Previdência – Um dos artigos publicados em “Novos temas de pesquisa em estudos japoneses” é “Acordo Previdenciário Brasil-Japão: Características e Questionamentos”. Seus autores são Bruno Takahashi (juiz federal) e Akiyo Shimamura (professora da Universidade de Shinshu). O artigo explica regras de aposentadoria de dekaseguis e expatriados no Japão e no Brasil. Essencial para quem precisa entender as regras da previdência no Japão mas não domina o idioma japonês.

Serviço – O livro pode ser comprado pelo site da Editora Juruá (
https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=27432). Versão impressa: R$ 84,70. Versão digital: R$ 59,90. O lançamento foi na livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509 – Paraiso, São Paulo-SP), onde o livro também está a venda.

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