José Taniguti e Roberto Nishio reforçam necessidade de eleger representantes nikkeis

Realizado no último dia 6, no escritório do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – no 5º andar do Edifício Bunkyo –, no bairro da Liberdade, em São Paulo, o quarto e último Simpósio do Movimento Político Nikkei (MPN) de 2019 apenas reforçou o que já havia sido constatado nas edições anteriores e, mais uma vez, justificou a preocupação do idealizador do movimento, o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto.

Hatiro Shimomoto (Jiro Mochizuki)

Os convidados especiais, José Taniguti (presidente do Wakayama Kenjinkai, presidente executivo do Festival do Japão e vice-presidente do Kenren) e Roberto Nishio (presidente da Fundação Kunito Miyasaka e vice-presidente do Bunkyo), foram taxativos ao afirmar a necessidade de as entidades contarem com representantes nikkeis, seja nas Câmaras Municipais, nas Assembleias Legislativas ou na Câmara dos Deputados.
Melhor para o vice-prefeito de Guaratinguetá, Régis Yasumura – que participou de três dos quatro encontros – e para os vereadores George Hato e Rodrigo Hayashi Goulart – que participou pela primeira vez. Também estiveram presentes os assessores Olimpio Kosonoe e Diogo Miyahara (representando o vereador Aurélio Nomura).

José Taniguti (Jiro Mochizuki)

Falando sobre “Valorização dos políticos nikkeis aos associados dos kenjinkais”, José Taniguti afirmou que “é muito importante ter representantes que compartilham conosco o mesmo sangue, as mesmas raízes, a mesma origem – que é o Japão – e por isso é muito mais fácil nos comunicarmos com eles”. Para ele, “se a gente vai falar com políticos nikkeis, a identificação imediata”.
“Eles [políticos nikkeis] nos recebem e nos dão a melhor das atenções. Sou muito grato por todas as vezes que os procurei e fui bem atendido”, explicou Taniguti, lembrando a época que presidiu a Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono.
“Lá nós precisávamos constantemente de ajuda de políticos, principalmente durante o Festival Kodomo-no Sono – que antigamente chamava-se Bazar Beneficente. Antes, as barracas eram improvisadas com bambus, amarradas com arames e cobertas com lonas. Porém, o tempo foi mudando e nós tivemos que ir melhorando, as pessoas precisavam sentir-se mais confortáveis e as tendas tinham que ser maiores e mais bonitas para poder proteger contra o sol e contra a chuva. Precisávamos também de cadeiras e de mesas. Tudo isso tem um custo elevado. Não fosse a ajuda da Prefeitura através da SPTuris, nós não conseguiríamos realizar um evento grandioso da forma como fazemos atualmente”, disse Taniguti, explicando que como presidente executivo do Festival do Japão, a situação não é diferente.

Troca – “Lá também precisamos da ajuda de políticos nikkeis. Nós temos certeza que os politicos nikkeis sempre nos apoiam e continuarão nos apoiando, por isso contamos sempre com a ajuda deles. Graças aos políticos nikkeis nós somos agraciados com aquele palco, com som e com a iluminação que ajudam a abater o custo, que é muito alto”, explicou Taniguti, deixando claro que “assim como o Kenren, todas as entidades nipo-brasileiras precisam da ajuda dos políticos que dividem o mesmo sangue que a gente”. “É mais fácil a gente ir pedir para alguém que tenha essa semelhança do que pedir para um politico que não tem nada a ver com a gente, isto é, que não tem compromisso nenhum com a comunidade nikkei. Desta forma, nós gostaríamos que tivesse bastante, mas bastante mesmo reprsentantes na Câmara Municipal”.
E finalizou sua fala afirmando que, “neste mundo nós precisamos de ajuda assim como também estamos para ajudar quem precisa”. “É uma troca de energia. Por isso nós somos defensores ferrenhos de que a comunidade precisa eleger bons representantes que possam dar assistência e subsídios para tudo que nós precisamos”.

Roberto Nishio (Jiro Mochizuki)

Reciprocidade – Roberto Nishio, que abordou o tema “Valorização dos políticos nikkeis à sociedade nikkei”, falou da perspectiva que as entidades nikkeis têm em relação à aproximação dos politicos. Baseado em sua experiência pessoal, Nishio lembrou que o primeiro contato que teve com politicos através de entidades nikkeis foi durante os preparativos para as comemorações do Centenário da Imigração Japonesa. “Naquela época, o então vereador Antonio Goulart – pai do vereador Rodrigo Goulart –ajudou bastante na captação de recursos e na liberação de emendas da Prefeitura, o que viabilizou os festejos”, disse Nishio, acrescentando que, hoje, em todos os eventos realizados tanto no Bunkyo como em outras entidades nikkeis, comparecem vários políticos mas que se limitam apenas àqueles discursos sem envolvimento nenhum com o público”. “Falta reciprocidade”, observou Nishio, citando, como exemplo, as cerimônias de aberturas de eventos que acontecem no próprio Bunkyo.
“Quando se aproxima da hora da abertura, o público simplesmente se retira e ficam apenas os diretores da entidade, coordenadores e os políticos falando para uma platéia mínima”, disse Nishio, explicando que “nós precisamos valorizar o politico, mas precisamos também saber o que os politicos estão fazendo”
E para melhorar a comunicação, Nishio acredita que o primeiro passo deve partir dos políticos no sentido de municiar as entidades de informações para que elas possam divulgar essas conquistas entre os seus associados.
“Nós temos cerca de 500 entidades nikkeis espalhadadas no Brasil. Dessas, a grande maioria se concentra no Estado de São Paulo. O que nós [representantes de associações e entidades] podemos fazer é tentar contribuir com os políticos propagando e divulgando suas atividades e tentar influenciar também outras comunidades, não só a japonesa, mas outras que mantemos relacionamento”, frisou Nishio, reiterando que “minha visão é a de que os politicos poderiam se aproximar mais das entidades”.

Quarto e último Simpósio do Movimento Político Nikkei contou com a participação de José Taniguti e Roberto Nishio (Aldo Shiguti)

Democracia – Ao Jornal Nippak, Nishio disse que o idela é limitar o número de candidatos “para não dividir muito os votos”. “Quanto mais dividir, menos chances para eleger representantes”, disse. Ele, no entanto, reconhece que é uma questão complicada e delicada. “Todos candidatos se consideran aptos a se elegerem e isso faz parte do processo democrático”, ponderou.

Régis Yasumura (Jiro Mochizuki)

Ao Jornal Nippak, Régis Yasumura considerou o Simpósio “muito interessante”. “O grupo se fortalece cada vez mais”, diz ele, que enfrenta quase três horas de viagem para participar dos encontros. “Tivemos ausências importantes, mas acredito que nos próximos essas falhas vão sendo corrigidos. Tivemos discussões de temas importantes e para mim é uma grande troca de informações que, com certeza, será muito útil já nas eleições do ano que vem”, afirmou Yasumura, destacando que “precisamos eleger representantes a nivel de federação e de Estado, mas todo esse trabalho começa nos municípios”.
Nós temos quase 6 mil municípios no Brasil que carecem de representantes de politicos nikkeis. O nosso trabalho é eleger o máximo de candidatos possíveis para que em 2022 nós tenhamos uma representatividade um pouco maior”, assegura Yasumura, explicando que “acredito que se a gente conseguir colocar um pouquinho da nossa cultura, dos nossos valores – de respeito aos idosos, de respeito aos deficientes físicos – nas escolas, no comércio e na atitude do brasileiro, com certeza nós teremos um país muito melhor”.

Rodrigo Goulart (Jiro Mochizuki)

Muito além – Para Rodrigo Goulart, “somos eleitos por parte da comunidade também e nada mais justo que a comunidade querer nos conhecer e também a gente querer conhecer melhor quais as demandas da comunidade”.
Mas ressaltou que “nosso trabalho na comunidade vai muito além de frequentar eventos ou atender algum pleito de associação”. “Nós temos uma responsabilidade com a comunidade nikkei, mas também temos com toda cidade de São Paulo e com seus 12 milhões de habitantes”, explicou Rodrigo para quem após esse quarto Simpósio “teremos muito mais sucesso nas próximas eleições que estão por vir”. “Será o primeiro teste deste movimento, quando serão eleitos prefeitos, vices e vereadores. Tenho certeza que com esse Movimento Politico Nikei nó teremos ainda mais representantes engajados com a comunidade representando-a nas Câmaras Municipais e nas Prefeituras de todo nosso Estado”, afirmou Rodrigo Goulart.

George Hato (Jiro Mochizuki)

Já George Hato acha importante seguir a orientação do MPN para “debater no cenário das próximas eleições”. “Espero que possamos aumentar o número de vereadores na Câmara Municipal”, disse George Hato.

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