JAPAN RAIL PASS: Por que só para os japoneses que residem no exterior?

Extinção de Japan Rail Pass

A comunicação da extinção do Japan Rail Pass (doravante dito JR Pass) causou a insatisfação dos japoneses residentes no exterior, e prorrogada a sua execução devido à intensa manifestação, a data limite foi estabelecida para dezembro de 2020. Gostaria neste momento fazer um comentário a respeito.
Eu sou nissei de 2ª geração, um dos que se orgulham em ter o sangue de japoneses, e tenho profundo respeito aos imigrantes e colonizadores, que aqui vieram antes e pós-guerra e que suportaram as mais terríveis adversidades e, por estar longo tempo na administração de jornal de língua japonesa, sempre me preocupei em promover alguma vantagem aos leitores e seus familiares e à comunidade japonesa. No início os imigrantes vieram para atender à pretensão política do governo, mas com o passar do tempo se sentiram abandonados, chegaram até a ser chamados de povo abandonado, mas não é nenhum exagero em afirmar que as suas características peculiares fizeram com que se tornassem alvo de respeito e apreciação no país acolhedor.
Assim são os imigrantes que contraíram matrimônio com os estrangeiros. Apesar de que os recentes visitantes japoneses são unânimes em afirmar que os japoneses e seus descendentes são “tesouros do Japão”, por ter elevado a imagem do Japão no exterior, por que então estão sendo excluídos no caso da JR Pass? É de difícil compreensão. Eu gostaria de ouvir e dizer ao autor e executor dessa idéia: será que foi levada em consideração as diferenças das moedas, de rendas, o peso do valor de locomoção, com outros países (salvo algumas exceções), e que deixe de olhar somente pelo lado da receita e números.
Embora seja minoria, há alguns businessman das empresas multinacionais ou radicadas no exterior com visto permanente, que estão levando vantagem pelo abuso desse sistema. É perfeitamente compreensível a preocupação pela confusão por não poder passar pela catraca automática, mas espero que encontrem a solução para este problema. Sinceramente desejo que essa norma seja revogada na sua íntegra, para facilitar que os imigrantes que aqui vivem como o embaixador da comunidade civil, possam visitar o túmulo dos antepassados, retornar à terra natal, fazer turismo, participar de eventos, e utilizar o JR Pass para amenizar as despesas de locomoção que tem um peso razoável.

Em 2 de maio do ano 1 da Era Reiwa (2019)
São Paulo – Brasil
RAUL TAKAKI
Proprietário do Jornal Nippak

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