Instituto Tomie Ohtake realiza exposição inédita de Takashi Murakami

Arhats: The Four Heavenly Kings, 2016. Acrylic on canvas mounted on aluminium frame, 120 x 196.2 cm. Collection of PERROTIN. Courtesy of the artist and PERROTIN. ©2016 Takashi Murakami/Kaikai Kiki Co., Ltd. All Rights Reserved

O Instituto Tomie Ohtake traz pela primeira vez ao Brasil a individual do mítico artista japonês Takashi Murakami (1962, Tóquio, Japão). Com curadoria de Gunnar B. Kvaran – o mesmo curador da mostra de Yoko Ono realizada no Instituto em 2017 –, Murakami por Murakami deriva originalmente da realizada no Astrup Fearnley Museet, em Oslo. A exposição reúne 35 trabalhos, com pinturas que chegam a medir 3 por 10 metros. O conjunto, apresentado como uma constelação de fragmentos do universo Murakami, evidencia uma produção consagrada, entre tantas qualidades, pela excelência no campo pictórico.
Um grande fã de anime, Murakami entrou na Universidade Nacional de Belas Artes e Música de Tóquio (agora Universidade das Artes de Tóquio) (1982 – 1993) para estudar Nihon-ga, um estilo de pintura japonesa tradicional. Daí a sua obra até hoje revelar habilidades técnicas excepcionais. Depois da formação, o artista desenvolve uma produção que transita entre o Japão e o Ocidente. Como autor do Superflat – termo que sintetiza toda a sua produção ao mesmo tempo que descreve a cultura e a sociedade japonesa do pós-guerra –, o movimento funde arte tradicional de seu país e cultura pop contemporânea.
A mostra destaca a presença eminentemente japonesa em sua produção. “Essa fusão [Oriente e Ocidente] é claramente presente na arte de Murakami, mas esta exposição enfatiza sua identidade profundamente japonesa, que foi ofuscada por sua associação com grandes artistas do mundo da arte ocidental, como [Andy] Warhol, [Jeff] Koons e [Damien] Hirst, não apenas pela ênfase no aspecto comercial, mas também por causa de sua linguagem artística”, explica o curador.

Fenômeno – Murakami tornou-se um fenômeno no cenário internacional pela forma singular que entende o universo da arte, uma noção que abrange não apenas a sua criação preocupada com a sociedade e história, mas também a coleção, ao ter se tornado um apurado colecionador, e a comercialização, ao introduzir outros artistas em sua galeria em Tóquio. As obras da exposição revelam o resultado de um prolongado processo de criação, do desenvolvimento conceitual até a pesquisa formal e implementação laboriosa de suas obras, com incontáveis camadas de tinta. Em seu estúdio conta com a competência e capacidade de muitos outros artistas, onde trabalham cerca de 100 pessoas – um galpão nos arredores de Tóquio, endereço considerado pelo circuito um dos ateliês mais inovadores do mundo.
O fenômeno Murakami será explorado na mostra por meio de obras de quatro de seus conjuntos mais extraordinários: aquele que traz a figura de Mr. DOB, as recentes pinturas concentradas no Zen-budismo, a apropriação e interpretação dos trabalhos de Francis Bacon e sua noção de autorretrato, além de uma seleção de vídeos. “Murakami certamente desfrutou de mais reconhecimento fora do Japão do que dentro, e cultivou uma relação abertamente combativa com o mundo da arte japonesa, mas seu envolvimento com pinturas Nihon-ga, mangá e anime, a cultura otaku e o Zen Budismo ancora firmemente seu trabalho com as tradições japonesas”, enfatiza Kvaran.

Tan Tan Bo, 2001. Acrylic on canvas mounted on board. 360 x 540 x 6.7 cm (3 panels). Private Collection. ©2001 Takashi Murakami/Kaikai Kiki Co., Ltd. All Rights Reserved

Sobre Murakami – O artista notabilizou-se por sua linguagem contemporânea singular, construída a partir de uma revisão profunda das próprias raízes. Em seu texto sobre a trajetória de Murakami, Nobuo Tsuji observa: “a insistência de que a planicidade geral da arte japonesa, anteriormente vista como ponto fraco, era um mérito digno de perpetuação, tornou-se a sustentação teórica de seu conceito de ‘Superflat’. Por outro lado, como artista pop japonês, Murakami também procura mostrar a validade das culturas infantil e otaku”.
Murakami Versailles, exibida na França em 2010 com grande projeção internacional, é uma das mostras que ilustram bem esse conceito, além de indicar a cadeia de produção desenvolvida pelo artista, ao ter mobilizado a empresa que havia criado, Kaikai Kiki Co.Ltd., para realizar a instalação no Palácio e Jardins de Versailles. Segundo Tsuji, os aristocratas que antigamente se reuniam no Palácio foram substituídos por tsukurimono (literalmente, ‘coisas feitas’ ou ‘figuras’) exclusivamente criadas para o evento – figuras infantilizadas monumentais, brilhantes e coloridas.
A mostra em Versailles foi inaugurada em setembro de 2010, um ano depois da grande individual de Murakami no Guggenheim Museum, Bilbao, Espanha, e da Pop Life: Art in a Material World, na Tate Modern, em Londres, da qual participou ao lado de Andy Warhol, Jeff Koons, Damien Hirst, entre outros. Essa coletiva examinava como os artistas desde a década 1980 cultivavam a sua imagem pública (persona) como produto, combinando uma mistura deslumbrante de mídia, comércio e glamour para criar suas próprias marcas. Para entender o universo Murakami é preciso conjugar essa faceta marcante do artista e sua condição de PhD em arte tradicional japonesa.
Takashi Murakami contabiliza mais de cem individuais realizadas em países como Japão, Estados Unidos, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, China, Canadá, Coréia, Qatar, e outras centenas de participações em coletivas, além de suas obras figurarem nos acervos mais importantes do mundo. Entre as exposições recentes destacam-se, além de Murakami por Murakami, em Oslo (2017), In Tune with the World, na Fundação Louis Vuitton, Paris (2018), Takashi Murakami: The Octopus Eats Its Own Leg, no Museum of Contemporary Art Chicago, Chicago (2017), Takashi Murakami: Murakami vs Murakami, no Tai Kwun Contemporary, Hong Kong (2019) e Takashi Murakami: Baka, na Galeria Perrotin, Paris (2019).

MURAKAMI POR MURAKAMI
Abertura: 03 de dezembro de 2019, às 20h
Visitação até 15 de março de 2020. De terça a domingo, das 11h às 20h
Onde: Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima 201 – Complexo Aché Cultural. Entrada pela Rua Coropés 88 – Pinheiros)
Ingressos: R$ 12,00 e R$ 6,00 (meia entrada para estudantes, pessoas acima de 60 anos e professores da rede pública mediante apesentação de documento; entrada gratuita todos os dias para crianças de até 10 anos, idosos a partir de 85 anos e pessoas com deficiência e seu acompanhante).
Venda: online a partir de 1 de novembro pela Sympla www.sympla.com.br
Gratuito às terças
(mediante retirada de senha)
Fone: 11 2245 1900
www.institutotomieohtake.org.br

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