IMIGRAÇÃO JAPONESA: Aniversário de 111 Anos é celebrado em sessão solene na Câmara Municipal de São Paulo

Os três homenageados com os vereadores proponentes e demais autoridades presentes na cerimônia (Jiro Mochizuki)

Por iniciativa dos vereadores nikkeis – Aurélio Nomura (PSDB), George Hato (MDB), Rodrigo Hayashi Goulart (PSD) e Ota (PSB) – a Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta segunda-feira, 24, no Salão Nobre, sessão solene em comemoração aos 111 Anos da Imigração Japonesa no Brasil. Este ano foram homenageados o cônsul geral do Japão em São Paulo, Yasushi Noguchi; o presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikawa, e o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Eduardo Yoshida. Além dos vereadores proponentes e dos homenageados, compuseram a Mesa o “sempre deputado” Hatiro Shimomoto, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Trabalho e Turismo de São Bernardo do Campo, Hiroyuki Minami, e o secretário municipal de Relações Internacionais da Cidade de São Paulo, Luiz Alvaro Salles Aguiar de Menezes.

George Hato (Jiro Mochizuki)

Abrindo a série de discursos, o vereador George Hato disse que, como neto de imigrantes japoneses, “tenho a felicidade de homenagear nossos ancestrais que tanto contribuíram para o dsesenvolvimdento do Brasil” e destacou que “o espírito de luta” herdado dos pioneiros está sendo muito importante para o seu desenvolvimento pessoal.
George lembrou que em 2020 o Japão sediará os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e que essa é uma ocasião para que os brasileiros possam aprender mais com os japoneses. E finalizou ressaltando a qualidade dos homenageados.

Masataka Ota (Jiro Mochizuki)

Issei, Ota lembrou que nasceu em Okinawa e veio ao Brasil com apenas dois de idade. “Meus pais vieram para cá sem saber falar português”, observou, lembrando que, quando o navio Kasato Maru atracou no porto de Santos trazendo a bordo os primeiros 781 imigrantes, “a maioria dos países não estavam recebendo os japoneses com simpatia”. “Mas aqui no Brasil foi diferente”. E revelou que um sonho seu é que todos os países em conflito pssam se inspirar na relações entre o Brasil e o Japão. Para ele, a inigração japonesa só rendeu frutos porque “os brasileiros têm o coração aberto”. “São pessoas que compreendem outras pessoas”, concluiu.

Rodrigo Goulart (Jiro Mochizuki)

Rodrigo Hayashi Goulart falou sobre “coincidências”. Como o fato de a Câmara Municipal de São Paulo contar com quatro vereadores nikkeis atuantes e que apoiam as associações e eventos relacionados à comunidade. E que os quatro parlamentares têm uma sólida base familiar, “não só na política mas também na vivência”. “Temos trabalhado muito não só pela comunidade nikkei como também pela cidade de São Paulo”, assegurou Rodrigo, lembrando que seu pai, apesar de não ser descendente de japoneses é casado com uma nikkei [Kazuko Hayashi] e atuou nas comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. “Desde então a família vem participando dessa comemoração, que é um marco não só para a comunidade como também para a cidade de São Paulo”, frisou.

Aurélio Nomura (Jiro Mochizuki)

Colônia Hirano – Já Aurélio Nomura destacou que, a situação sócio-econômica do Japão na época da imigração, as situações que os pioneiros tiveram que enfrentar para se adaptar e chegar à comunidade tal como é conhecida hoje, “precisam se lembradas, relembradas e repassadas às próximas gerações para que possamos perpetuar para que daqui a 100, 200 anos, possamos oferecer a nossa gratidão a todos aqueles pioneiros”.
Como exemplo de sofrimento, Nomura citou a história de Umpei Hirano e do primeiro núcleo de colonização fundado por ele em Cafelândia. Segundo o vereador, “um dos episódios mais tristes da presença japonesa em terras brasileiras”.
“Devemos e precisamos sim, nos orgulhar do conceito que a comunidade japonesa desfruta hoje da sociedade, de honra, de trabalho e de honestidade, mas não podemos esquecer de quanto sacrificio e quantas dificuldades os pioneiros enfrentaram, dificuldades essas que começaram ainda na sua terra natal, o Japão”, disse Nomura, lembrando a situação adversa que os japoneses passavam na época da imigração e a condição e o ambiente “totalmente desfavoráveis” à imigração japonesa por parte dos Estados Unidos, que a partir de 1907 começou a restringir a imigração do oriente, tanto da China como do Japão.
“Quando os países fecharam suas portas, vetando a entrada de nipônicos, o Brasil se tornou talvez o único país a abrir as suas portas. Mas com o passar do tempo, também aqui no Brasil, vozes respeitadas se levantaram no Congresso Nacional chamando a atenção para aquilo que os americanos já denominavam de “perigo amarelo” em função do emergente poderio militar nipônico”.
De acordo com Nomura, “ao contrário dos japoneses que foram para o Havaí, para o Peru e para a Bolivia como trabalhadores temporários, o governo paulista exigia que as famílias de imigrantes fossem compostas por no mínimo três adultos aptos para trabalhos na agricultura, como se chamou as três enxadas, para substituir a mão de obra escrava”.
Segundo ele, a Colônia Hirano era para ser um local onde os imigrantes japoneses pudessem trabalhar e arrancar o seu sustento, minimizando um pouco o seu sofrimento e as dificuldades nas fazendsas de café, além do fato de viverem em um pais de língua e costumes tão diferentes”.
“O local foi escolhido, em meio à mata, poder ser propício ao plantio de arroz. No entanto, a terra alagadiça também escondia um grande perigo: os focos de malária. Ao mesmo tempo que representou um sonho para todos os imigrantes, a Colônia Hirano logo ficaria marcada como um dos maiores e mais tristes episódios da saga da imigração japonesa no Brasil. Menos de um ano depois da chegada daqueles imigrantes, começaram a surgir os primeiros casos de malária, uma doença tropical infecciosa até então desconhecida pelos imigrantes. Três meses depois do surgimento dos primeiros casos, todos os japoneses estavam contaminados e acamados, dentre eles, 70, 80 vieram a falecer”, contou Nomura, lembrando que, em junho deste ano, foi inaugurada o novo busto de Umpei Hirano – o primeiro foi furtado – na praça de mesmo nome, na zona Sul de São Paulo, em cerimônia que contou com a presença do cônsul geral e de uma comitiva de Cafelândia.
“Essa é uma pequena homenagem da cidade de São Paulo a um dos principais personagens da imigração japonesa para o Brasil”, destacou Nomura, que finalizou sua fala com um trecho de um discurso feito por seu pai, o saudoso deputado federal Diogo Nomura (1920-2005), em 1995,na Dieta Japonesa, por ocasião das comemorações do Centenário do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão.

Eduardo Yoshida, da Aliança (Jiro Mochizuki)

Homenegados – O cônsul Yasushi Noguchi, o presidente do Bunkyo, Renato Ishikawa, e o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Eduardo Yoshida, destacaram a importância da homenagem. Para Eduardo Yoshida é uma responsabilidade conduzir uma entidade cuja missão é difundir a língua e as artes japonesas. Disse que a instiutição conta atualmente com três unidades (Vergueiro, São Joaquim e Pinheiros) sendo que o Centro Cultural Aliança, em Pinheiros, contou com a ajuda do governo japonês e de empresas.
“Esperamos dar continuidade ao trabalho realizado por nossos antecessores, que graças aos esforços e empenho de todos a Aliança tem conquistado um número cada vez maior de alunos. Esperamos continuar transmitindo essa cultura para contribuir ainda para o estreitamento dos laços entre os dois países”, disse Yoshida.

Renato Ishikawa, do Bunkyo (Jiro Mochizuki)

Ponte – Renato Ishikawa, que assumiu recentemente a presidência do Bunkyo, disse que estava muito feliz e fez questão de dividir a homenagem com todos de sua equipe do Hospital Santa Cruz. “Lá, nós conseguimos fazer um trabalho bonito e harmônico”, disse, acrescentando que, no Bunkyo nossa jornada está apenas começando”.
“Mas estamos com muita vontade e com muita garra. Espero que daqui a dois anos tenhamos um resultado satisfatório pois toda a comunidade merece”, disse Ishikawa, afirmando que sua meta é tornar o Bunkyo uma entidade, de fato representativa da comunidade nikkei, não só do Estado de São Paulo”. “E também não só do Brasil. Gostaria muito de criar essa ponte Brasil-Japão e que a comunidade nikkei seja reconhecida como vanguarda dessa confiança que os japoneses conseguiram construir no Brasil através de trabalho duro, honesto e digno de aplausos”.

Cônsul Yasushi Noguchi (Jiro Mochizuki)

Contribuições – Há cerca de um ano e meio morando e trabalhando em São Paulo, Yasushi Noguchi destacou as contribuições dos japoneses para o desenvolvimento do Brasil. No campo da agricultura, falou sobre a introdução de hábitos alimentares e, na Engenharia, citou o professor Kokei Uehara. Destacou ainda a contribuição dos japoneses no Esporte – através do judô e do beisebol, que os brasileiros pensam ser um esporte japonês por ter sido trazido pelos imigrantes mas que na verdade é “made in Estados Unidos” – e na gastronomia – “São Paulo tem mais restaurantes japoneses do que churrascarias”.

Acolhida – “Como cônsul em São Paulo estou muito orgulhoso desta contribuição e, ao mesmo tempo, quero agradecer toda a sociedade brasileira por acolher a imigração japonesa ao longo desses 111 anos. Graças ao povo brasileiro os nikkeis estão muito felizes morando e trabalhando no Brasil. Essa amizade entre os dois países é muito importante para os japoneses. Estou notando que São Paulo está recebendo um número cada vez maior de turistas de outros Estados e também de outros países. Acredito que isso se deve às inúmeras atrações culturais. Há dois anos o governo japonês lançou uma iniciativa global em São Paulo, a Japan House, que também atrai muitos turistas, assim como a gastronomia japonesa”, explicou, afirmando que São Paulo era conhecida como uma cidade empresarial “e os hoteis ficavam ocupados de segunda a sexta”. “Mas agora, falando com funcionários de hoteis, também os finais de semana estão bastante concorridos devido a esse aumento de turistas. Estou muito satisfeito com esse aumento e estou certo que o Japão também está contribuindo para essas estatísticas aravés da gastronomia e da JHSP”.

Professor Kokei Uehara, Renato Ishikawa e Hatiro Shimomoto (Jiro Mochizuki)

Futebol – No campo do futebol Noguchi citou a contribuição de jogadores como Zico, Careca, Dunga, Cesar Sampaio e Bismarck, entre tantos outros que passaram por lá no início da J-League. “Graças ao Brasil, o nível técnico do Japão melhorou muito. Até então, o Japão nunca havia participado de um Mundial mas graças aos brasileiros disputamos a Copa de Mundo na França, em 1998, e de lá para cá foram seis Mundiais consecutivos”, lembrou ele que destacou também as mudanças que estão ocorrendo nos dois países.
“Apesar dessas mudanças esperamos continuar estreitando as relações entre o Japão eu Brasil e em 2020, quando o Japão sediará os Jogos Olímpicos Paralimpicos de Tóquio, espero que a delegação brasileira tenha sucesso e que muitos brasileiros possam visitar o Japão”, finalizou.

(Jiro Mochizuki)

Mais japonesa – Representando o prefeito Bruno Covas, o secretário de Relações Internacionais, Luiz Álvaro agradeceu a oportunidade de participar das comemorações dos 111 anos da imigração japonesa, “uma data importante não só para o Brasil e para os que no Japão ficaram mas também para o povo brasileiro e em especial para nós, paulistanos”.
“Ao longo desses 111 anos são muitas as influências e contribuições dos japoneses para a cultura nacional, com destaque para a arte, para a cultura, para a espirtualidade, para o esporte, arquitetura e, claro a comida japonesa, sendo São Paulo reconhecida talvez como a capital nacional da comida japonesa”.
Lembrou que recentemente participou da cerimônia de reinauguração do sétimo andar do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, “mais um presente da comunidade japonesa à cidade de São Paulo”. E destacou que, recentemente, a Praça da Liberdade e a estação Liberdade do metrô ganharam a adição da palavra “Japão”. “Uma reivindicação antiga da comunidade e que foi atendida pela cidade, acho que a tempo. Nós desejamos que os tradicionais laços históricos que nos unem possam aprofundar ainda mais a amizade entre os nossos povos, as nossas cidades e nossos países”, disse ele, que em maio deste ano teve oportunidade de visitar Tóquio, que sediou o 2° encontro do Urban 20 (U20), e Osaka. “Um desejo pessoal, depois de vivenciar de perto a cultura japonesa, é que São Paulo e Brasil se tornem um pouco mais japoneses a cada ano que passa, a cada ano que a gente comemorar essa data”, frisou.

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