Hospital Santa Cruz celebra 80 anos com IV Seminário de Cooperação Científica Brasil e Japão

(Jiro Mochizuki)
(Jiro Mochizuki)

Em comemoração aos seus 80 anos de fundação, o Hospital Santa Cruz, juntamente com a Universidade de Tsukuba, Universidade de Kyushu, Universidade de Osaka, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo e Imagawa Group, realizou, no dia 1º de junho, no Hotel Intercontinental, em São Paulo, o IV Seminário do Hospital Santa Cruz de Cooperação Científica Brasil e Japão, com grandes nomes das respectivas instituições, representantes da Jica e dos governos brasileiro e japonês, como o embaixador do Japão, Akira Yamada, o cônsul geral, Yasushi Noguchi, o ex-ministro da Saúde, Dr. Seigo Tsuzuki, a ex-diretora da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Emília Sato e o professor Manoel Jacobsen Texeira, além de médicos do HSC.
Dividido em dois blocos, o evento contou também com uma programação comemorativa, com discursos de autoridades e homenagens, que contou com a presença do chefe de gabinete do prefeito Bruno Covas, Vitor Sampaio, o deputado estadual Paulo Nishikawa (PSL) e os vereadores Aurélio Nomura (PSDB) e George Hato (MDB).

Embaixador do Japão, Akira Yamada (Jiro Mochizuki)
Embaixador do Japão, Akira Yamada (Jiro Mochizuki)

Na ocasião, representada pelos vereadores Aurélio Nomura e George Hato, a Câmara Muncipal de São Paulo prestou uma série de homenagens, entre elas para o presidente do HSC, Renato Ishikawa, para o embaixador Akira Yamada e para o cônsul geral Yasushi Noguchi.
Um dos diferenciais do HSC, o Seminário de Cooperação Científica Brasil e Japão tem como objetivo a busca pela excelência em serviços e alta eficiência em gestão do cuidado ao paciente. Abrindo a série de discursos, Renato Ishikawa fez uma breve apresentação da instituição nesses 80 anos de história.
Inaugurado em 1939, na cidade de São Paulo (SP), fruto da integração entre o Brasil e o Japão, o HSC é hoje uma referência na área da saúde. Após sua inauguração, o HSC foi onsiderado o melhor hospital de São Paulo. “Até hoje o conservamos com muito carinho e grande responsabilidade”, disse Ishikawa, lembrando que por lá passaram vários médicos famosos. Citou, por exemplo, “o grande cardiologista Euryclides de Jesus Zerbini – primeiro médico na América Latina a fazer o transplante de coração na América Latina; o profesor Antonio Prudente de Moraes – um dos mais importantes oncologistas do país e Alipio Correa Neto, que foi reitor da Universidade de São Paulo”.

Renato Ishikawa, presidente do HSC, discursa durante abertura do IV Seminário Hospital Santa Cruz (Jiro Mochizuki)
Renato Ishikawa, presidente do HSC, discursa durante abertura do IV Seminário Hospital Santa Cruz (Jiro Mochizuki)

Ações sociais – Ishikawa destacou que hoje o hospital conta com 170 leitos, 30 de UTI, 12 salas de cirurgia, pronto-atendimento geral de ortopedia, ambulatório geral, oftalmologia, centro de dignósticos, check up, hemodiálise, unidade coronariana e centro cirúrgico de de oftalmologia. Falou sobre as ações sociais, como os convênios com a Prefeitura de São Paulo e o acompanhamento de check-up sem custos para entidades assistenciais da comunidade japonesa (Ikoi-no-Sono, Kodomo-no-Sono, Kibô-no-Iê e Congregação Caritas) e o programa de atendimento às vítimas da bomba atômica de Hiroshima e Nagasaki.

Orgulho – Ishikawa disse que um dos “motivos de orgulho” do HSC foi ter implantado a filosofia omotenashi (filosofia de quer bem ao próximo) dentro do hospital. “Nossos enfermeiros, auxiliares de enfermagem e atendentes foram treinados pela professora Akemi Matsuda – nomeada oficialmente embaixadora Kawaii do Brasil”, disse Ishikawa, lembrando que o curso já está na segunda turma.
Entre as melhorias, Ishikawa destacou ainda a implantação, pela Toyota, do Sistema Toyota de Produção (TPS). “Hoje somos um case e temos muito orgulho. Deu uma melhoria no processo muto grande, economizando tempo de atendimento”, disse explicando que, com a ajuda da Jica, o hospital também implantou o sistema 5S.

Ampliação – “E, por falar em qualidade, a instituição foi contemplada com o certificado nível 2 de Acreditação Hospitalar – entregue pela Organização de Acreditação Hospitalar (ONA) – e caminha para conquistar o nível 3, que é a melhoria da qualidade integrada”, lembrou.,.
Segundo ele, o Hospital Santa Cruz chegou num ponto que “precisamos crescer fisicamente”. “Temos um projeto bastante adiantado de ampliação para expandir o Hospital Santa Cruz que, quando pronto, passará de 170 para 370 leitos, 16 salas de cirurgia e 70 leitos de UTI. Mas, principalmente, o que mais nos preocupa hoje, passaremos a ter 500 vagas de estacionamento”.
Renato Ishikawa finalizou sua fala destacando as parcerias com as Universidades de Tsukuba, Kyushu e Osaka, além do governo japonês, Jica e de empresas.

Kyosuke Nagata (Jiro Mochizuki)
Kyosuke Nagata (Jiro Mochizuki)

Avanços – Dando início ao Simpósio, propriamentedito, o reitor da Universidade de Tsukuba, Kyosuke Nagata,falou sobre a medicina no Século 21 e a sociedade 5.0. Nagata, que veio especialmente para a ocasião, apresentou as pesquisas realizadas na universidade japonesa com a introdução da alta tecnologia, como o uso da robótica, o projeto genoma, além da protonterapia, que identifica as células que devem ser tratadas no caso de tratamentos oncológicos, sendo mais eficiente e menos invasivo.

Manoel Jacobsen (Jiro Mochizuki)
Manoel Jacobsen (Jiro Mochizuki)

O professor Manoel Jacobsen Teixeira, da USP – Universidade de São Paulo, destacou a importância da aplicação nos dias atuais da medicina individualizada, usando recursos de tecnologia de ponta, como a inteligência artificial, por exemplo, para contribuir com as tratamentos médicos.

Emilia Sato (Jiro Mochizuki)
Emilia Sato (Jiro Mochizuki)

Emília Sato, mestre em reumatologia da Unifesp, falou sobre o futuro da Educação em Saúde, enquanto Osamu Ohneda, da Universidade de Tsukuba, destacou os estreitos laços estabelecidos entre o HSC e a Universidade de Tsukuba. Ele mencionou a importância que este intercâmbio tem proporcionado à população brasileira por meio do conhecimento científico e tecnológico.

Koshiro Nishikuni (Jiro Mochizuki)
Koshiro Nishikuni (Jiro Mochizuki)

Encerrando primeiro bloco, Koshiro Nishikuni, neurocirurgião do HSC, fez uma palestra sobre os avanços da medicina. Nishikuni citou pesquisas de universidades japonesas sobre o estudo do DNA das bactérias e o desenvolvimento da protonterapia para o tratamento do câncer e ressaltou a relevância da cooperação bilateral Brasil-Japão para o desenvolvimento de tratamentos médicos para a sociedade brasileira.
Antes do almoço, o público foi brindado com a apresentação de um musical com o violoncelista Lucas Garcia Muramoto e o violinista Ryu Wada, dois jovens talentos da música clássica brasileira.

Segundo bloco – O segundo módulo foi aberto pelo diretor técnico do HSC, Julio Yamano, que mediou os avanços nos tratamentos médicos japoneses nas áreas de otorrinolaringologia e cardiologia.
O professor. Shuho Tanaka, da Universidade de Tsukuba, explicou a técnica de cirurgia no crânio por meio de endoscópio nasal, que é mais assertivo e menos invasivo. Já o professor Yuji Hiramatsu, também da instituição japonesa, comentou sobre o uso da robótica e do conceito IoT (Internet das Coisas) na medicina, principalmente em tratamentos cardiológicos.

Marta Imamura (Jiro Mochizuki)
Marta Imamura (Jiro Mochizuki)

Participaram ainda o neurocirurgião, Wilson Morikawa Jr. e radioterapeuta, a Dra. Camila Rodrigues, ambos do Hospital Santa Cruz, que falaram sobre a experiência no Hospital da Universidade de Tsukuba, em fevereiro, onde participaram de vários treinamentos com foco na protonterapia para o tratamento de alguns tipos de cânceres; a reumatologista e diretora do HSC, Sandra Watanabe, que mediou o tema ‘Avanços da Tecnologia nos Cuidados da Saúde’; Takehiko Imagawa e Tadashi Fujiwara, do Imagawa Group, que falaram sobre o projeto desenvolvido para assistência aos idosos no Japão e como este projeto poderia ser replicado no Brasil; a Dra. Marta Imamura, da USP, que apresentou o Instituto Lucy Montoro de reabilitação do Governo do Estado de São Paulo e o professor Aiki Marushima da Universidade de Tsukuba, que demonstrou a interface entre homem e máquina: o exoesqueleto HAL.

Livro registra visitas da família imperial ao Brasil (Jiro Mochizuki)
Livro registra visitas da família imperial ao Brasil (Jiro Mochizuki)

Livro – No final, todos os participantes receberam um certificado em o livro ‘Laços: a Família Imperial e o Brasil’, de Masato Ninomiya e Sonia Regina Longhi Ninomiya. A obra retrata o estreito vínculo do Hospital Santa Cruz com a família imperial do Japão, uma vez que a campanha de arrecadação de fundos para a construção do HSC ganhou vigor graças à contribuição dada pelo Imperador Showa, em 1934.

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